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Fuzil calibre 7,62 furtado do Exército reaparece desmontado em mochilas no Recife, com numeração raspada, enquanto soldado segue preso e investigadores procuram respostas

Após 11 dias de buscas, fuzil calibre 7,62 furtado de quartel no Recife foi localizado desmontado e com numeração raspada. Polícia Federal anuncia a recuperação, mas perícia e investigação sobre munições continuam.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 30/10/2026 às 08:01
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Fuzil calibre 7,62 furtado do Exército reaparece desmontado em mochilas no Recife, com numeração raspada, enquanto soldado segue preso e investigadores procuram respostas
Fuzil calibre 7,62, carregador e munições recuperados na Zona Sul do Recife após furto no 7º Depósito de Suprimento do Exército. Foto: Polícia Federal / FICCO-PE.

O fuzil calibre 7,62 mm furtado de um quartel do Exército no Recife reapareceu desmontado, escondido em mochilas e com a numeração de identificação raspada. O armamento estava desaparecido desde 17 de outubro, quando um soldado deixou o serviço de sentinela levando a arma e munições. A Polícia Federal confirmou a recuperação em comunicado divulgado em 29 de outubro.

A arma foi localizada no bairro do Pina, na Zona Sul da capital pernambucana, depois de uma operação que envolveu policiais civis, militares e equipes do Exército. O soldado investigado já estava preso desde o dia 21, mas os investigadores ainda procuravam o equipamento levado do 7º Depósito de Suprimento.

Com a identificação raspada, o fuzil passou a depender de exames periciais, enquanto os investigadores tentam esclarecer quem ficou com a arma durante os dias em que ela esteve fora da unidade militar e qual foi o destino das munições.

Arma apareceu desmontada dentro de mochilas abandonadas no Pina

A localização ocorreu na Avenida Encanta Moça, no bairro do Pina. O Jornal do Commercio informou que o material foi encontrado na noite de terça-feira, 27 de outubro, após as equipes receberem uma informação sobre o lugar onde ele havia sido deixado.

O Ministério Público Militar descreveu o fuzil como desmontado e guardado em mochilas abandonadas. A Polícia Federal anunciou oficialmente a recuperação no dia 29, atribuindo a ação à Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Pernambuco, a FICCO/PE, em cooperação com outras equipes de segurança.

Participaram da operação integrantes do BOPE pernambucano, da Polícia Militar, da Polícia Civil e do 4º Batalhão de Polícia do Exército. A FICCO/PE reúne órgãos federais e estaduais, incluindo Polícia Federal, polícias pernambucanas, Polícia Penal e representantes da Secretaria Nacional de Políticas Penais. Depois de encontrado, o armamento foi encaminhado para exames.

Numeração raspada obriga perícia e abre dúvida sobre as munições

A arma foi apreendida com os números de identificação removidos. O delegado Diego Jardim, ouvido pelo UOL, explicou que a correspondência entre a arma encontrada e a retirada do quartel precisa ser confirmada tecnicamente, apesar de as autoridades já associarem o equipamento ao furto.

A Polícia Federal informou que a recuperação incluiu um carregador e munições. A Polícia Civil, segundo o UOL, apontou a localização de 20 cartuchos, quantidade correspondente ao material inicialmente desaparecido.

Entretanto, em comunicado também publicado em 29 de outubro, o Ministério Público Militar declarou que as investigações continuam para localizar munições ainda não recuperadas. As notas divulgadas não apresentam um balanço conciliado do total de cartuchos recolhidos e do material que eventualmente permanece faltando.

Soldado saiu do serviço de sentinela e se apresentou quatro dias depois

O caso começou na madrugada de 17 de outubro, durante a troca de turno no 7º Depósito de Suprimento, situado no bairro do Cabanga. O soldado Pedro Gabriel Bezerra do Nascimento, de 20 anos, desapareceu da unidade levando o fuzil de serviço e 20 munições, segundo os relatos publicados após o episódio.

As buscas pelo militar terminaram em 21 de outubro, quando ele se apresentou à Polícia Civil em Paulista, na Região Metropolitana do Recife. A Justiça Militar havia decretado sua prisão preventiva no dia anterior, considerando as suspeitas de abandono de posto e furto de material militar.

O Ministério Público Militar informou que a prisão preventiva foi mantida durante a audiência de custódia. A namorada do soldado também foi presa, sob suspeita de ter auxiliado a fuga, e passou a cumprir prisão domiciliar em razão de uma gestação de risco, conforme informou a Polícia Federal. As responsabilidades de cada investigado seguem em apuração.

Buscas percorreram endereços em Olinda antes de denúncia decisiva

Enquanto a arma permanecia desaparecida, equipes de segurança realizaram diligências em Olinda e Paulista. O Jornal do Commercio relatou visitas a pelo menos quatro endereços ligados a familiares de outro ex-soldado que teria recebido o equipamento, de acordo com a apuração do veículo.

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O delegado Diego Jardim relatou ao UOL que os policiais receberam uma indicação precisa sobre o bairro do Pina. Com a informação, os agentes concentraram o cerco na Avenida Encanta Moça e localizaram as mochilas com o armamento.

O delegado também mencionou informações preliminares sobre a possibilidade de um intermediário ter repassado o armamento a traficantes. A polícia continua tentando identificar os envolvidos e reconstruir o percurso da arma depois da saída do quartel; a suspeita de repasse ainda depende dos resultados do inquérito.

Justiça Militar mantém investigação e Exército busca responsabilizações

De acordo com o Ministério Público Militar, o fuzil foi localizado após 11 dias de buscas. O comandante da 7ª Região Militar, general de Divisão Andrelucio Ricardo Couto, reuniu-se com representantes do Ministério Público Militar e da Justiça Militar e agradeceu a cooperação que contribuiu para a prisão do investigado e a localização da arma.

O encontro reuniu a procuradora de Justiça Militar Ângela Montenegro Taveira, a juíza federal substituta Sheyla Costa Bastos Dias e o diretor de Secretaria da 6ª Circunscrição Judiciária Militar, Milton Sérgio Trindade de Souza. O general também agradeceu a atuação das equipes de inteligência das polícias Civil e Militar de Pernambuco, que participaram das diligências.

A Justiça Militar decretou a prisão preventiva após manifestação favorável da Procuradoria de Justiça Militar no Recife. Segundo o MPM, a decisão da 1ª Auditoria da 7ª Circunscrição Judiciária Militar considerou a gravidade do desaparecimento do armamento, os riscos à segurança pública e a necessidade de preservação da disciplina militar.

O Inquérito Policial Militar continua em andamento para apurar a saída do militar do serviço, a retirada do material e a eventual participação de outras pessoas. A perícia do fuzil e a conferência das munições são etapas relevantes para esclarecer o que ocorreu entre o desaparecimento e a recuperação.

O armamento reapareceu, mas a investigação sobre sua circulação fora do quartel continua. Você considera suficientes os controles de armas nas unidades militares? Deixe sua opinião nos comentários.

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