Uma rota de peças de fuzis HK G3 que saía da Argentina, cruzava o Uruguai e tinha São Paulo como destino terminou com dois homens condenados por tráfico internacional de armas. A Operação Zancada encontrou 24 canos, 25 ferrolhos, 28 conjuntos de mecanismos e R$ 20 mil escondidos em veículos de placas argentinas e brasileiras.
A ação ocorreu em 21 de outubro de 2026, na cidade uruguaia de Rivera, junto à fronteira com Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul. Segundo o Ministério do Interior uruguaio, o armamento era transportado desmontado, entregue em território uruguaio e depois encaminhado ao Brasil. No dia seguinte, a Justiça confirmou as duas condenações.
Fuzis HK G3 eram transportados em peças por uma rota de três países
A investigação identificou uma sequência de entregas entre Argentina, Uruguai e Brasil. As peças partiam do território argentino, chegavam a Rivera e eram recebidas por pessoas vindas de estados do Norte brasileiro. A partir dali, segundo a polícia uruguaia, a rota prosseguia até São Paulo.
Os investigadores identificaram automóveis de placas argentinas e brasileiras nas entregas. O material cruzava a fronteira em componentes separados, incluindo peças essenciais de fuzis de emprego militar.
Motorista foi interceptado na estrada e carro brasileiro escondia o armamento
Na madrugada de 21 de outubro, policiais abordaram na rodovia 5 um suspeito que tentava deixar Rivera depois de uma entrega, conforme a investigação. No veículo de placa argentina havia um compartimento escondido com R$ 20 mil em espécie.
Horas depois, agentes fizeram buscas em um imóvel do bairro Lagunón. Ali estava um brasileiro de 37 anos, identificado como destinatário do carregamento. No carro com placa brasileira, outro esconderijo guardava as peças dos HK G3. O jornal uruguaio Subrayado também relatou a sequência das prisões e a descoberta dos compartimentos.

Apreensão reuniu 24 canos, 25 ferrolhos e outras peças de fuzis
O balanço policial detalhou 24 canos, 25 ferrolhos com cabeçotes e 28 subconjuntos de mecanismos. Também apareceram três guarda-mãos, oito blocos de gases, dez dispositivos de boca de cano, um cabeçote de ferrolho e um seletor de disparo.
Além do armamento, a polícia recolheu dois automóveis, três celulares e dois ímãs. O inventário descreve componentes apreendidos, não 24 fuzis completos e prontos para disparar. A Polícia Científica uruguaia examinou os carros e o material recolhido.

Investigadores apontam possível ligação da rede com o PCC
A polícia uruguaia suspeita que brasileiros ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) poderiam integrar a rede investigada. O possível vínculo com a facção ainda aparece como hipótese policial. As condenações anunciadas pela Justiça se referem aos delitos de tráfico internacional de armas e munições.
Dois homens receberam penas de três anos e seis meses de prisão
Em 22 de outubro, o Ministério do Interior do Uruguai informou que o Judiciário condenou um brasileiro e um argentino a três anos e seis meses de prisão cada. Um foi responsabilizado por adquirir armamento no contexto do tráfico internacional; o outro, por dois delitos na modalidade de importação.
A Justiça ordenou o confisco das peças e da arma de fogo apreendida, destinadas a perícia e destruição. Determinou ainda o recolhimento dos R$ 20 mil e dos dois veículos para o patrimônio público uruguaio.
Polícias brasileira e uruguaia atuaram com apoio da Aduana argentina
A apuração ficou sob a responsabilidade da Fiscalía Semiespecializada de 3º Turno de Rivera, com participação de investigadores locais e da Guarda Republicana. Houve intercâmbio de dados com a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Civil de Santana do Livramento, por sua unidade Draco, e a Aduana argentina.
Com as condenações e o confisco, a operação interrompeu o carregamento identificado em Rivera. A suspeita de participação de outros integrantes da rede permanece como parte da investigação policial divulgada.
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