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GOL registra na ANAC seu primeiro A330neo com tripulação própria, um avião que era da Azul, enquanto o A330 da FAB segue parado em Viracopos

Jefferson Silva
Por Jefferson Silva 17/10/2026 às 12:35
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GOL registra na ANAC seu primeiro A330neo com tripulação própria, um avião que era da Azul, enquanto o A330 da FAB segue parado em Viracopos
O Airbus A330 FAB 2902, da Força Aérea Brasileira, decola do aeroporto de Pequim em maio de 2025. Foto: N509FZ, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

O PS-WGH, ex-PR-ANC da Azul, voou a Lisboa com inspetores da ANAC; o FAB 2902 está fora de serviço desde agosto de 2025 e tem manutenção prevista até dezembro.

Na quarta-feira, 14 de outubro, o Airbus A330-900neo de matrícula PS-WGH decolou do Galeão, no Rio de Janeiro, rumo a Lisboa levando só funcionários da GOL e representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Foi o primeiro voo internacional da companhia com tripulação própria num Airbus, feito para a ANAC acompanhar pilotos e comissários e homologar a operação, segundo o site AEROIN.

O avião está no Registro Aeronáutico Brasileiro em nome da GOL desde 25 de setembro, com 393 assentos anotados na ficha. No Aeroporto de Viracopos, em Campinas, o A330 de matrícula FAB 2902, um dos dois que a Força Aérea Brasileira tem, está fora de serviço desde agosto de 2025, e a manutenção só deve terminar até dezembro, segundo a Aeronáutica.

A ficha do PS-WGH no registro da ANAC

A consulta ao Registro Aeronáutico Brasileiro, refeita neste sábado, 17, mostra um A330-941 fabricado em 2019, número de série 1903, com peso máximo de decolagem de 242 toneladas. O proprietário registrado é o UMB Bank, National Association, e o gravame é de arrendamento operacional, o aluguel de longo prazo em que a GOL opera o jato sem comprá-lo.

A ficha dá à GOL Linhas Aéreas S.A. a condição de operadora desde 25 de setembro de 2026 e traz o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade válido até 22 de setembro de 2027. A situação de aeronavegabilidade aparece como normal, e a tripulação mínima prevista na certificação é de dois pilotos, com habilitação do tipo A330/350.

A passagem pela companhia deve ser curta. Segundo o AEROIN, o PS-WGH vai servir de avião escola até a chegada de outros A330neo e depois seguirá para a Avianca, que pertence ao mesmo grupo da GOL, a controladora da Gol e Avianca chamada Abra.

393 assentos no registro, 377 passageiros no mesmo papel

O número do título está no campo “Número de Assentos” da ficha, que marca 393. Logo acima, o campo “Número de Passageiros” registra 377, e a própria ANAC avisa na página que os dados técnicos se referem ao modelo padrão da aeronave, não à configuração de cada cabine.

Mesmo pelo número menor, a diferença para o avião que a GOL usa hoje no longo curso é grande. O A330-200 de matrícula EC-NBN, da espanhola Wamos Air, que estreou a rota entre o Rio e Nova York em 8 de julho, tem 280 lugares, 20 na executiva e 260 na econômica, segundo a Wamos, citada pelo site Brasilturis.

A matrícula anterior era PR-ANC, não PR-ANB

Em 24 de setembro, o AEROIN informou que o PS-WGH era o antigo PR-ANB da Azul. O registro da ANAC mostra outra coisa: o PR-ANB tem número de série 1901 e continua ativo em nome da Azul, enquanto o número de série 1903, o do PS-WGH, pertencia ao PR-ANC.

A matrícula PR-ANC foi cancelada em 22 de maio de 2026, e o motivo anotado no registro é “exportação Irlanda”. Os dois aviões têm a mesma ficha técnica no sistema, com 377 passageiros e 393 assentos, e o mesmo proprietário registrado, o UMB Bank.

Antes da Azul, segundo o AEROIN, o jato voou na AirAsia. O Brasilturis informou em julho que a GOL espera incorporar cinco A330-900neo que estavam com a Azul e foram devolvidos à arrendadora Avolon.

Por que a GOL ainda depende de avião e tripulação da Wamos

Os voos de longo curso que a GOL vende hoje, para Nova York e Lisboa, são feitos em contrato ACMI, sigla em inglês para aeronave, tripulação, manutenção e seguro. Nesse modelo, a Wamos Air entrega o avião pronto com pilotos e comissários, e a GOL cuida da parte comercial, com os bilhetes vendidos sob o código G3, segundo o Brasilturis.

O mesmo site informou que a rota Rio a Nova York, com três voos semanais, iria até o fim de outubro e voltaria em março de 2027. A Wamos, segundo o Brasilturis, tem participação do Grupo Abra, que controla a GOL e a Avianca.

É essa dependência que o voo de 14 de outubro começa a desfazer. Para operar o A330 com gente própria, a GOL precisa que a ANAC aprove os procedimentos da tripulação técnica e de cabine no tipo, e foi isso que os representantes da agência foram acompanhar a bordo até Lisboa, de acordo com o AEROIN.

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Em Campinas, o FAB 2902 espera desde agosto de 2025

Do lado militar, o quadro é outro. O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica informou em setembro que o A330 FAB 2902 ficou preservado no pátio do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, desde o fim de agosto de 2025, e que nesse período teve um dos motores removido para manutenção e depois substituído.

Em setembro de 2026, segundo a Aeronáutica, o avião voltou ao hangar para uma manutenção programada, prevista no plano da frota C-30, e a previsão é concluí-la até dezembro. A Força não deu outros detalhes sobre o serviço.

Até lá, a FAB conta com um só A330 em operação, o FAB 2901. A Força Aérea chama o modelo de C-30, versão de transporte, porque a conversão para reabastecimento em voo, que daria aos jatos o nome de KC-30, ainda não foi feita.

Os dois jatos da Força Aérea também vieram da Azul

Os A330 militares são da geração anterior, o modelo A330-200, e foram comprados da Azul em 2022, quando a companhia venceu a licitação para fornecer os dois aviões à FAB, segundo a Aeronáutica. Em maio de 2026, quando a matrícula PR-ANC foi cancelada para exportação, o FAB 2902, vendido pela mesma Azul, já estava havia nove meses parado em Viracopos.

Os dois C-30 foram usados para trazer de volta brasileiros de Tel Aviv em 2023, depois do ataque do Hamas a Israel, e de Beirute em 2024. Com um deles em manutenção, a frota reduzida de aeronaves logísticas da FAB passou mais de um ano com um só dos dois jatos capazes de cruzar o oceano sem escala.

Voos com passageiros começam pelo Brasil, em 18 de novembro

O primeiro uso comercial do PS-WGH não será internacional. Segundo o AEROIN, a estreia com passageiros está marcada para quarta-feira, 18 de novembro, entre o Galeão e Salvador, e os voos já estão à venda no site da GOL.

O cronograma publicado pelo site vai até 31 de dezembro e inclui ainda Rio a Manaus, às terças e aos sábados, e Rio a Belém, às quintas e aos domingos. O avião foi preparado no GOL AeroTech, a unidade de manutenção da empresa no aeroporto de Confins, em Minas Gerais, onde recebeu o logotipo da companhia na frente da fuselagem.

Um neo a caminho de Lisboa e um C-30 no hangar até dezembro

Em outubro, o PS-WGH cruzou o Atlântico com inspetores da ANAC a bordo, enquanto o FAB 2902 cumpria em Campinas a manutenção iniciada em setembro. A companhia aérea marcou data para levar passageiros, 18 de novembro, e a Força Aérea deu um prazo, dezembro, para encerrar a manutenção.

Se os dois calendários forem cumpridos, o fim de 2026 terá o A330neo da GOL em voos para Salvador, Manaus e Belém e os dois A330 da FAB de novo disponíveis. Por enquanto, a ficha da ANAC mostra um avião em situação normal e pronto para voar com a tripulação da GOL, e o jato militar depende do fim do serviço no hangar para decolar.

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