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Guerrilhas estrangeiras na Amazônia brasileira: general Pazuello pressiona governo Lula e cobra reação contra ameaça à soberania

Câmara aprova cobrança sobre grupos armados enquanto o MPF revela influência de dissidentes das Farc em garimpos e riscos à soberania.

Guerrilhas estrangeiras na Amazônia brasileira: general Pazuello pressiona governo Lula e cobra reação contra ameaça à soberania
Acampamento de garimpo ilegal destruído durante a Operação Ágata Fronteira Norte, em Roraima, em outubro de 2023 Foto: Marinha do Brasil

A possível presença de guerrilhas estrangeiras na Amazônia brasileira levou o general Eduardo Pazuello (PL-RJ) a cobrar explicações do governo Lula. A pressão ganhou força em 27 de outubro, quando a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou um requerimento sobre a atuação de organizações armadas estrangeiras e as medidas adotadas para proteger o território nacional.

O alerta tem antecedentes concretos. A Polícia Federal identificou influência de dissidências das antigas Farc em garimpos ilegais no Amazonas, próximos à Colômbia. O Ministério Público Federal (MPF) também denunciou falhas na fiscalização e pediu uma atuação permanente do Estado para enfrentar redes criminosas na região.

As descobertas colocam a segurança das fronteiras e a soberania brasileira no centro de uma nova discussão sobre a defesa da Amazônia.

Pazuello cobra explicações sobre guerrilhas estrangeiras e soberania brasileira

O general apresentou o requerimento em 31 de agosto. A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado aprovou a iniciativa em 27 de outubro, com a adesão dos deputados Sargento Fahur (PL-PR) e Sanderson (PL-RS).

Conforme o registro oficial da Câmara dos Deputados, Pazuello solicita ao Ministério da Justiça e Segurança Pública informações sobre a presença, movimentação, infiltração e eventual instalação de estruturas de guerrilhas estrangeiras na Amazônia.

O pedido também abrange organizações criminosas transnacionais e questiona as providências adotadas para impedir ameaças à segurança nacional e à integridade territorial.

A comissão aprovou a cobrança formal ao Executivo, mas a decisão não comprova uma invasão estrangeira nem confirma a existência de bases guerrilheiras permanentes no Brasil.

O assunto já havia motivado uma investigação do MPF sobre denúncias de grupos armados estrangeiros e riscos às comunidades amazônicas.

MPF revela influência das Farc e mais de 1.200 pistas clandestinas

Em agosto, o MPF divulgou informações de uma investigação da Polícia Federal nos rios Japurá e Puruê, próximos à fronteira colombiana.

Os agentes identificaram uma estrutura de garimpo altamente industrializada, com dragas avaliadas em mais de R$ 10 milhões e influência de dissidências das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Segundo o MPF, as investigações também apontaram vínculos entre mineração ilegal, narcotráfico e grupos armados. O órgão mencionou ainda a existência de mais de 1.200 pistas de pouso clandestinas na Amazônia brasileira.

A ação judicial apresentada pelo MPF revelou outro problema: operações anteriores destruíram centenas de dragas, mas equipamentos clandestinos voltaram a aparecer poucos meses depois.

Para os procuradores, o enfrentamento dessas atividades exige fiscalização contínua, bases permanentes e maior integração entre os órgãos públicos.

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As descobertas demonstram a gravidade da criminalidade transfronteiriça, embora não comprovem que todas as organizações mencionadas por Pazuello mantenham estruturas guerrilheiras instaladas no país.

O cenário também alimenta outro debate legislativo. No Senado, um projeto sob relatoria de Hamilton Mourão propõe ampliar as atribuições do Exército, da Marinha e da FAB na Amazônia, permitindo a prevenção e repressão de crimes contra direitos coletivos dos povos indígenas.

Governo reforça fronteira e Forças Armadas enfrentam desafio na Amazônia

No mesmo dia em que a Câmara aprovou a cobrança de Pazuello, o Ministério da Justiça anunciou um reforço da Força Nacional em Tabatinga, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

A operação prevê patrulhamento terrestre, fiscalização de fronteira e policiamento fluvial com duas embarcações, uma delas blindada.

O governo autorizou a medida em 22 de outubro, antes da votação parlamentar. Portanto, não há evidência de que o reforço tenha ocorrido em resposta ao requerimento.

As Forças Armadas também atuam contra crimes transfronteiriços por meio da Operação Ágata, que mobiliza capacidades militares de vigilância, patrulhamento e apoio à fiscalização em regiões remotas.

Essa presença em áreas isoladas também expõe diferenças nas condições de serviço. O Congresso aprovou recentemente uma indenização que pode superar R$ 4 mil mensais para determinados servidores civis em localidades estratégicas, enquanto militares do Exército, da Marinha e da FAB ficaram fora da ampliação do benefício.

Para o MPF, operações pontuais não bastam para impedir que organizações ilegais retomem suas atividades. O órgão defende bases fixas, planejamento conjunto e fiscalização permanente.

Com a aprovação do requerimento, o Ministério da Justiça passa a ser alvo de uma cobrança parlamentar formal por informações sobre grupos armados estrangeiros na Amazônia. Enquanto as investigações revelam influência de dissidentes das Farc em atividades ilegais, permanece sem esclarecimento público conclusivo a eventual existência de estruturas guerrilheiras permanentes e a dimensão de sua atuação em território brasileiro.

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