O demonstrador é baseado no UH-72B Lakota e ainda não representa uma aeronave de carga operacional adquirida pelo Exército. A configuração apresentada mantém provisão para piloto, enquanto modificações destinadas ao transporte logístico continuam em desenvolvimento.
A Airbus realizou cinco voos de demonstração do MQ-72C Lakota Connector no Huntsville Executive Airport, no Alabama, acompanhados pelo Exército dos Estados Unidos. Durante a atividade, o helicóptero executou manobras autônomas e respondeu a uma restrição introduzida quando já estava no ar.
Os detalhes foram relatados por Jaysen Yochim, diretor sênior do programa Aerial Logistics Connector da Airbus, em entrevista ao The War Zone. A fabricante conduziu a demonstração com recursos próprios, e o Exército não anunciou encomenda, quantidade de aeronaves ou cronograma de aquisição.
O MQ-72C deriva do UH-72B Lakota, mas o aparelho empregado nos testes ainda é um demonstrador. O projeto está ligado a um conector logístico aéreo inicialmente financiado pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, embora a apresentação em Huntsville tenha sido acompanhada pela força terrestre.
Durante os cinco voos, a aeronave demonstrou pairado autônomo, curvas e padrões de tráfego usados em operações de aeroporto. Um operador humano forneceu o plano inicial da missão, enquanto o sistema embarcado executou as manobras previstas sem exigir que o piloto de segurança assumisse os comandos.
Em um dos exercícios, uma zona de voo proibido foi inserida após o início do voo. O sistema recalculou o trajeto para contornar a área e prosseguiu com a missão, demonstrando a capacidade testada de reagir a uma mudança introduzida durante a operação.
Yochim informou ao The War Zone que um piloto permaneceu dentro do helicóptero como margem adicional de segurança, mas não precisou intervir durante as demonstrações. A presença do aviador é relevante porque a aeronave usada nos ensaios ainda preserva provisão para operação tripulada.
Esse ponto também impede tratar os voos como prova de que os controles convencionais já foram definitivamente retirados do MQ-72C. A proposta do programa envolve uma futura configuração não tripulada, enquanto o demonstrador apresentado ao Exército permaneceu preparado para receber um piloto durante os ensaios.
Sensores e controle remoto trabalham junto com a autonomia
A arquitetura empregada nos testes reúne sensores LIDAR voltados para a dianteira e para a traseira, além de uma câmera eletro-óptica. Esses equipamentos fornecem informações ao Hivemind, software de autonomia desenvolvido pela Shield AI e integrado à plataforma usada nas demonstrações.
Nesse arranjo, autonomia não significa que toda participação humana tenha sido eliminada. O operador continua responsável por fornecer a missão e enviar comandos, enquanto o sistema embarcado executa tarefas de navegação e pode ajustar o percurso diante de determinadas alterações apresentadas durante o voo.
A Airbus também demonstrou comunicação além da linha de visada. Yochim relatou que o MQ-72C recebeu comandos de uma estação de controle em solo a até 70 milhas, cerca de 113 quilômetros, distância que amplia a separação física entre a aeronave e quem supervisiona sua missão.
A fabricante apresenta em sua página do MQ-72C Lakota Connector o projeto como uma plataforma baseada na família H145/UH-72 e destinada a missões logísticas não tripuladas. Essa descrição corresponde à proposta do sistema e não significa que toda a configuração prevista já esteja instalada no demonstrador.
O desenvolvimento já inclui uma campanha de voos autônomos anterior à apresentação ao Exército. A Airbus informou que a equipe formada com Shield AI, L3Harris Technologies e Parry Labs acumulava mais de 70 horas de voo autônomo, além de trabalhos de integração de sistemas de missão e controle em solo.
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As capacidades mostradas em Huntsville, portanto, pertencem ao conjunto já testado no demonstrador: execução autônoma de manobras, reação a uma restrição inserida durante a missão e recebimento de comandos remotos. Elas não equivalem à validação de uma configuração operacional definitiva para transporte de carga.
Configuração de carga ainda depende de mudanças físicas
A adaptação prevista para missões logísticas exige modificações que ainda não foram incorporadas integralmente à aeronave. Entre elas está uma passagem aberta pela cabine e uma porta frontal articulada, planejadas para facilitar o embarque, a movimentação interna e o desembarque de material.
A Airbus informou que a porta frontal já foi desenhada e passou por avaliações preliminares. O componente ainda precisa de testes em túnel de vento e ensaios em voo, etapas necessárias antes de sua integração à configuração planejada para transporte.
A diferença entre o demonstrador atual e a versão de carga também limita o que pode ser concluído a partir dos cinco voos. A atividade mostrou recursos de autonomia e comando remoto, mas não demonstrou uma aeronave de carga finalizada nem uma versão já aprovada pelo Exército para emprego operacional.
A força terrestre também não divulgou requisito próprio de aquisição para o MQ-72C. A demonstração permite que representantes do Exército acompanhem recursos desenvolvidos no programa, mas não constitui anúncio de seleção, contrato ou decisão de compra da plataforma.
A integração da porta frontal foi projetada pela Airbus para 2029 ou 2030, em parte por causa do cronograma do programa do Corpo de Fuzileiros Navais. Esse prazo se refere ao desenvolvimento previsto da configuração de carga e não representa um calendário de adoção do MQ-72C pelo Exército dos Estados Unidos.