A Rússia ampliou a defesa antiaérea ao redor da residência de Vladimir Putin em Valdai, no noroeste do país, com uma nova linha de torres identificada em imagens de satélite. O complexo presidencial já é cercado por cerca de 50 posições de defesa aérea, enquanto investigadores localizaram aproximadamente 16 estruturas adicionais no levantamento divulgado em 25 de outubro.
As novas estruturas se espalham dentro de um raio de 50 quilômetros da propriedade, principalmente ao sul, na direção da Ucrânia. As novas plataformas foram descritas como possíveis bases para sistemas russos Pantsir e Tor, utilizados contra alvos aéreos de baixa altitude. A presença dos equipamentos de combate em todas as torres ainda não foi confirmada.
Os números foram levantados pela Radio Svoboda, serviço russo da Radio Free Europe/Radio Liberty, em conjunto com o analista de imagens de satélite conhecido como Jembob. A investigação encontrou dezenas de instalações militares em uma região que abriga menos de 100 mil moradores, enquanto Moscou e arredores possuem aproximadamente 98 posições identificadas.
Nova linha de torres alcança uma base aérea usada pelo presidente russo
As estruturas mais recentes formam um cinturão externo que passa pela base militar de Khotilovo, apontada pelos investigadores como um dos aeródromos utilizados por Putin. Uma das torres desse perímetro já estava construída em março de 2026, meses antes de as demais posições aparecerem no levantamento.
A base possui uma ligação ferroviária específica com a residência presidencial. Essa conexão permite que o deslocamento entre o aeroporto militar e a propriedade ocorra por trem, segundo reportagens anteriores do mesmo veículo. As novas posições se distribuem ao redor de uma rota usada pela estrutura de transporte do chefe do Kremlin.
Os jornalistas localizaram torres na parte sul do novo círculo de proteção, mas ainda não identificaram construções equivalentes na porção norte. As imagens de outubro registram a expansão para o sul, enquanto a parte norte do perímetro permanece sem novas posições identificadas pelos investigadores.
Outras posições aparecem perto de reservatório e complexo militar isolado
O perímetro também alcança as margens do reservatório de Vyshny Volochyok. No meio dessas águas fica a ilha Lisiy, onde militares russos ergueram instalações de pesquisa examinadas em outra investigação da Radio Svoboda. Os repórteres relacionaram o complexo a possíveis atividades de pesquisa biológica militar, uma finalidade que não foi confirmada publicamente pelas autoridades.
Ao menos duas torres começaram a ser construídas na região da ilha em setembro, segundo a investigação. As plataformas fazem parte do conjunto de posições que agora se estende para além da área mais próxima da residência presidencial.
O jornal The Insider também descreveu a nova linha de defesa passando por Khotilovo e pela região do laboratório, usando como referência a apuração e os registros de satélite divulgados pela Radio Svoboda.
Pantsir e Tor são apontados como possíveis armas para as plataformas elevadas

O Pantsir-S1 combina mísseis antiaéreos e canhões para enfrentar aeronaves, drones e outros alvos próximos. O Tor é outro sistema de defesa aérea de curto alcance. Segundo os investigadores, os novos pontos de Valdai podem receber equipamentos dessas famílias, embora a identificação das torres seja mais segura do que a de seu armamento atual.
Instalar sistemas sobre plataformas elevadas ajuda a superar árvores, construções e irregularidades do terreno. Para enfrentar drones que voam muito baixo, a altura do radar interfere na distância em que um alvo pode ser detectado. A mesma dificuldade aparece em relatos sobre operações de defesa aérea perto de florestas e outros obstáculos naturais.
Os levantamentos por satélite mostram a localização e a evolução das obras. Confirmar quantos lançadores estão efetivamente armados, com suas equipes e radares em operação, exige evidências adicionais. A contagem de posições não corresponde automaticamente à quantidade de baterias prontas para disparar.
Proteção saltou de duas posições para dezenas em poucos anos
A primeira instalação antiaérea identificada perto da residência de Valdai apareceu em janeiro de 2023. A segunda foi localizada em julho de 2024. Em agosto de 2025, os investigadores já contabilizavam 12 sistemas na região, número que havia chegado a 20 em dezembro daquele ano.
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O ritmo aumentou durante 2026. Em março, diversas torres começaram a ser erguidas em datas próximas. Em abril, a Meduza informou, com base na Radio Svoboda, que o total havia atingido 27 posições. Na ocasião, 26 estruturas eram associadas à instalação de Pantsir-S1 e uma à implantação de um sistema S-400 de maior alcance.
Seis meses depois, o mapa atualizado já apontava aproximadamente 50 posições. O aumento aconteceu em etapas, com novos anéis ao redor da propriedade e instalações distribuídas por áreas militares e margens de reservatórios.
Valdai concentra quase metade do número identificado em Moscou
O analista Jembob estima a existência de aproximadamente 177 torres de defesa antiaérea monitoradas na Rússia, das quais 98 ficam em Moscou e seus arredores e cerca de 50 estão concentradas nas proximidades da residência presidencial em Valdai.
O levantamento da Radio Svoboda observa que a região de Moscou abriga mais de 20 milhões de habitantes, enquanto menos de 100 mil pessoas vivem no território considerado ao redor de Valdai. São números de estruturas identificadas em imagens, e não uma medição da capacidade total de proteção aérea disponível para cada localidade.
As obras em Valdai continuam avançando enquanto cidades e instalações industriais russas também precisam de proteção contra drones durante a guerra.
Acusação de ataque com mais de 90 drones permanece contestada
No fim de dezembro de 2025, o governo russo afirmou que mais de 90 drones ucranianos haviam tentado atacar a residência de Putin em Valdai. O governo da Ucrânia rejeitou a acusação. Informações divulgadas posteriormente sobre a avaliação da inteligência dos Estados Unidos apontaram para um alvo militar em outra parte da região de Novgorod, distante da propriedade presidencial.
Essa disputa sobre o suposto ataque ocorreu antes da expansão mais recente das torres. A Meduza recuperou o episódio ao noticiar a nova investigação, publicada em 26 de outubro.
Imagens de satélite ainda podem revelar novas torres no perímetro
O levantamento mais recente documenta obras ao sul de Valdai e mantém sem confirmação uma eventual ampliação semelhante no trecho norte. Novas imagens poderão esclarecer quantas plataformas receberam armamento e se houve construção de posições adicionais no lado norte.
Por enquanto, a Rússia concentra aproximadamente 50 posições mapeadas perto de uma única residência presidencial, e parte das torres novas ainda aguarda confirmação do equipamento que poderá receber. Você considera proporcional esse volume de defesa ao redor de Valdai? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a reportagem.