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Médicos se sucedem no comando da Escola Superior de Defesa, instituição dedicada a conflitos armados, geopolítica e defesa nacional: sai hematologista, entra ortopedista

Ortopedista e ex-diretor de Saúde da Aeronáutica, Major-Brigadeiro Laerte sucede a médica Carla Lyrio na ESD, cujos 11 cursos em 2026 tratam apenas de defesa.

Robson Augusto
Por Robson Augusto 28/10/2026 às 07:28
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Médicos se sucedem no comando da Escola Superior de Defesa, instituição dedicada a conflitos armados, geopolítica e defesa nacional: sai hematologista, entra ortopedista
Brigadeiro médico ensinando sobre movimentação de tropas no campo de batalha - imagem ilustrativa em artigo sobbre Escola Superior de Defesa

Pela segunda vez seguida, a Escola Superior de Defesa (ESD), instituto de altos estudos do Ministério da Defesa em Brasília, é comandada por um oficial médico da Força Aérea Brasileira (FAB). Em 13 de julho, o Major-Brigadeiro Médico Laerte Lobato de Moraes, ortopedista e ex-diretor de Saúde da Aeronáutica, sucedeu a Major-Brigadeiro Médica Carla Lyrio Martins. Nenhum dos 11 cursos que a escola oferece em 2026 é da área de saúde.

A cerimônia foi realizada no auditório Prof. Gustavo Heck e presidida pelo Chefe de Educação e Cultura do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Almirante de Esquadra Guilherme da Silva Costa. A Major-Brigadeiro Carla deixou a escola para assumir a Diretoria de Saúde da Aeronáutica (DIRSA).

Permuta entre a ESD e a Diretoria de Saúde da Aeronáutica

A sucessão foi uma troca de cadeiras. Em dezembro de 2025, a DIRSA estava sob o comando do Major-Brigadeiro Médico Laerte Lobato de Moraes. Ele vai para a escola de defesa, e a comandante da escola vai para a diretoria de saúde que ele chefiava.

O currículo oficial do novo comandante mostra uma carreira construída nos hospitais da FAB. Natural de Belém (PA), ele chefiou a Clínica de Ortopedia e Traumatologia e dirigiu o Hospital de Aeronáutica de Belém, comandou o Hospital de Força Aérea de Brasília e o Departamento de Saúde e Assistência Social do Ministério da Defesa, além de ter sido delegado do Comitê Internacional de Medicina Militar.

A antecessora também veio do sistema hospitalar. A nomeação de Carla Lyrio para a ESD a tirou da direção do Hospital de Força Aérea do Galeão. Ela foi a primeira mulher a chegar ao generalato na FAB, em 25 de novembro de 2020, e é especialista em Medicina Aeroespacial, Hematologia e Hemoterapia.

O TCC de 2019 na Escola Superior de Guerra

Em 2019, ainda coronel do Quadro de Oficiais Médicos e vice-diretor do Hospital de Força Aérea de Brasília, Laerte concluiu o Curso de Altos Estudos em Defesa (CAED) da Escola Superior de Guerra (ESG), em Brasília. O trabalho de conclusão tem o título “Interoperabilidade em Saúde na Defesa Brasileira: estágio atual e necessidades de aprimoramento”.

O objeto do estudo é a assistência médica das Forças Armadas. O autor usa como moldura documentos como a Política Nacional de Defesa e a análise se concentra em hospitais, orçamentos de saúde e integração entre os sistemas médicos da Marinha, do Exército e da FAB.

O trabalho compara a inflação médica com os orçamentos de saúde das Forças. Em 2018, a variação dos custos médico-hospitalares medida pelo IESS foi de 17,3%, enquanto o orçamento de saúde do Exército caiu 0,75%, o da FAB subiu 3,73% e o da Marinha, 9,26%. Com base nesses números, o autor aponta o risco de colapso dos sistemas de saúde das Forças.

Entre os exemplos de integração, o TCC cita o tomógrafo do Hospital de Aeronáutica de Belém, aberto às três Forças. De abril de 2017 a agosto de 2019, foram 4.022 exames de pacientes da FAB, 275 da Marinha e 11 do Exército. A conclusão é que falta às Forças uma cultura organizacional voltada à atuação conjunta na área da saúde.

Para a pesquisa, o então coronel entrevistou o chefe do Departamento de Saúde e Assistência Social do Ministério da Defesa, órgão que ele próprio viria a dirigir.

Quem comandou a ESD desde a criação

A ESD foi criada pelo Decreto nº 10.806 e passou a funcionar em 1º de outubro de 2021. O primeiro comandante foi o Vice-Almirante Paulo Renato Rohwer Santos, nomeado na cerimônia de ativação, em 5 de novembro de 2021.

Antes dos dois médicos, a escola foi comandada por um aviador. Em 23 de fevereiro de 2024, o Major-Brigadeiro do Ar Valdir Eduardo Tuckumantel Codinhoto passou o comando à Major-Brigadeiro Médica Carla Lyrio Martins. Na posse, ela lembrou seus 33 anos de carreira em atividades operacionais e assistenciais de saúde e os nove últimos na gestão de organizações da Aeronáutica.

Os 11 cursos da ESD em 2026

A Portaria AED-MD nº 48, publicada em 7 de janeiro de 2026 e assinada pelo mesmo Almirante Guilherme da Silva Costa, lista os cursos do ano. A ESD mantém o mestrado acadêmico em Segurança, Desenvolvimento e Defesa (PPGSDD) e três especializações: o CAED, o Curso de Logística Estratégica e Defesa (CLED) e o Curso Superior de Inteligência Estratégica (CSIE).

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Na extensão, são sete cursos: Direito Internacional dos Conflitos Armados, Diplomacia e Defesa, Análise de Crises Internacionais, A Defesa Nacional e o Poder Legislativo, Coordenação e Planejamento Interagências, Economia e Planejamento de Defesa e Geopolítica e Defesa.

Nenhum dos 11 cursos trata de medicina, gestão hospitalar ou saúde operacional.

A missão definida em decreto

O Decreto nº 10.806 determina que a ESD desenvolva estudos, pesquisa, ensino e pós-graduação em temas de interesse da defesa nacional. O texto não diz de qual quadro deve vir o comandante.

Os dois médicos têm formação em altos estudos. O currículo de Laerte registra os cursos de Altos Estudos Militares e de Altos Estudos em Defesa. O de Carla inclui o Curso de Altos Estudos Militares, o Curso Superior de Defesa e o de Altos Estudos em Política e Estratégia.

Sete anos depois de defender, como coronel, na Escola Superior de Guerra um trabalho sobre tomógrafos, orçamento hospitalar e prontuário eletrônico, o ortopedista que chefiava a saúde da Aeronáutica passa a comandar uma escola que forma em cursos voltadoa para geopolítica, inteligência, diplomacia e conflitos armados.

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1 Comentário
Hélder Risler
Hélder Risler
28/10/2026 08:41

Quando isso ocorre fica claro para as FFAA, que a instituição não esta sendo prestigiada com um oficial general das armas. Conheci a Maj. Brig. Carla, excelente profissional e possui alguns cursos na área, mas não é o mesmo prestígio ter um oficial general das armas e não do quadro de saúde, um oficial general formado pelas academias militares. 3 FAB é de+