O governo de Javier Milei mudou as regras da saúde militar argentina e provocou uma reação imediata nas ruas de Buenos Aires. O Decreto 1286/2026, publicado em 28 de outubro, abriu caminho para que a nova estrutura aproveite apenas os funcionários considerados necessários. O sindicato ATE afirma que 1.450 empregos estão ameaçados.
Na quinta-feira, 29 de outubro, manifestantes foram até o Ministério da Defesa para cobrar garantias de emprego e de atendimento aos militares e suas famílias. Segundo a entidade sindical, a antiga rede reunia aproximadamente 352 mil beneficiários. A direção da OSFA sustenta que as mudanças são necessárias para equilibrar as contas e preservar os serviços de saúde.
Decreto acaba com transferência automática e permite selecionar funcionários
O Instituto de Obra Social das Forças Armadas (IOSFA), responsável pela assistência médica militar, já estava em processo de dissolução desde fevereiro. A mudança desta semana alterou uma regra decisiva: antes, o plano previa a transferência integral do quadro para a nova Obra Social das Forças Armadas (OSFA). Agora, o conselho diretor definirá quantos postos serão necessários e quais profissionais serão incorporados.
Os funcionários que ficarem de fora terão sua situação analisada pelo administrador responsável pela liquidação da antiga instituição. Servidores efetivos com estabilidade poderão permanecer em disponibilidade no Ministério da Defesa até sua realocação ou desligamento, conforme as normas aplicáveis.
ATE denuncia 1.450 empregos em risco e leva protesto ao Ministério da Defesa
A Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) organizou uma mobilização na região das avenidas Belgrano e Azopardo, na capital argentina, em frente à sede da pasta da Defesa. A entidade diz que o processo ameaça 1.450 postos de trabalho e cobra a manutenção das estruturas que atendem militares, familiares e funcionários civis.
Em comunicado anterior, o sindicato apresentou uma projeção sobre 2.450 trabalhadores da antiga IOSFA: cerca de mil seriam absorvidos pela OSFA, outros 450 ficariam em disponibilidade e mil contratos seriam encerrados. O cálculo de 1.450 empregos ameaçados vem da ATE. A direção da OSFA ainda precisa definir quantos funcionários serão incorporados.
31 farmácias próprias e serviços médicos entram na disputa
A disputa também chegou às 31 farmácias próprias mantidas pela antiga rede. A ATE se opõe ao fechamento dessas unidades e alerta para possíveis dificuldades em consultas, medicamentos, reembolsos e atendimento presencial em delegações espalhadas pelo país. Hotéis e centros de recreação vinculados ao sistema também entraram nas reivindicações dos trabalhadores.
Na manifestação de 29 de outubro, a dirigente sindical Mercedes Cabezas afirmou que a entidade luta pela continuidade dos empregos e das farmácias. O sindicato também cobra garantias para os centros médicos e denuncia o risco de maior concentração de serviços em Buenos Aires, com prejuízo para beneficiários do interior argentino.
Governo promete manter cobertura e economizar bilhões de pesos
A direção da OSFA informou ao Infobae que a transferência de todo o pessoal poderia ampliar um desequilíbrio financeiro. A regra original limita a 8% dos recursos os gastos administrativos e de funcionamento da nova instituição.
A OSFA afirma que pretende substituir parte da rede própria por convênios com farmácias e calcula uma economia superior a 7,8 bilhões de pesos argentinos, com mais de 2 mil estabelecimentos conveniados inicialmente disponíveis. A direção diz que o fornecimento de medicamentos continuará e que a prioridade é recuperar as prestações médicas. Segundo a própria OSFA, a nova entidade atende cerca de 325 mil afiliados desde abril. As promessas ainda são contestadas pelos representantes dos trabalhadores.
Reforma separou militares de forças federais e mantém transição em andamento
Em fevereiro, o Decreto 88/2026 dividiu o sistema de saúde em duas entidades: a OSFA, vinculada à Defesa, e a obra social das forças federais de segurança, destinada à Gendarmaria e à Prefectura Naval argentinas. Essa divisão reduziu a base de beneficiários que permaneceria sob responsabilidade do sistema militar.
A nova regra entrou em vigor em 28 de outubro, mas a reorganização ainda depende da definição do quadro de funcionários e da liquidação dos ativos da IOSFA. Enquanto o governo promete uma rede financeiramente sustentável, a ATE anuncia a continuidade das mobilizações.