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Militares podem ficar livres do IR sobre salários, reserva e reforma: proposta que reuniu 25,7 mil apoios virou projeto e está há mais de 4 meses aguardando despacho no Senado

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher 03/10/2026 às 17:15
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Militares podem ficar livres do IR sobre salários, reserva e reforma: proposta que reuniu 25,7 mil apoios virou projeto e está há mais de 4 meses aguardando despacho no Senado
Projeto de isenção de IR para militares reúne 25,7 mil apoios e segue há mais de quatro meses aguardando despacho no Senado Federal. - Imagem: Ilustrativa

A proposta que pode retirar o Imposto de Renda dos valores recebidos por militares da ativa, da reserva e reformados continua parada no Senado depois de mobilizar mais de 25 mil apoios e virar projeto de lei. O texto alcança integrantes das Forças Armadas, policiais militares e bombeiros e, na forma atual, não estabelece diferença entre oficiais e praças.

Na prática, o PL 2557/2026 tenta criar uma isenção ampla sobre aquilo que o militar recebe em razão da própria carreira. Entram nessa conta os salários da ativa, os proventos da reserva remunerada, aposentadoria e reforma. Marinha, Exército e Aeronáutica aparecem no texto ao lado das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares dos estados e do Distrito Federal.

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A proposta também chama atenção por não limitar o benefício às graduações mais baixas nem criar uma faixa máxima de renda. Se avançar sem mudanças nesse ponto, a regra alcançaria militares independentemente de posto ou graduação.

Isso não significa, porém, que toda renda recebida por um militar deixaria automaticamente de pagar imposto. Ganhos obtidos fora da atividade militar, como aluguel, investimentos, ganho de capital ou outra fonte civil de renda, não entram no mesmo tratamento previsto pelo projeto.

Uma ideia que passou dos 20 mil apoios

A discussão começou fora do Congresso. Em dezembro de 2025, uma proposta foi cadastrada no portal e-Cidadania defendendo a isenção do Imposto de Renda para militares das Forças Armadas e das forças auxiliares.

Para seguir adiante, precisava alcançar 20 mil apoios. Conseguiu mais do que isso: o sistema do Senado registra 25.718 manifestações favoráveis, número suficiente para transformar a ideia em uma sugestão legislativa e levá-la à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa.

Foi ali que a proposta deixou de ser apenas uma manifestação popular e começou a ganhar forma de projeto. Em maio, a comissão aprovou parecer favorável e o texto passou a tramitar como PL 2557/2026.

A justificativa apresentada desde o início se apoia nas particularidades da carreira militar, como disponibilidade permanente, dedicação integral, riscos e restrições trabalhistas que não atingem da mesma forma outras categorias. Transformar a ideia em projeto, contudo, não significou aprovar a isenção. Ainda há etapas importantes pela frente, inclusive a discussão sobre impacto fiscal e perda de arrecadação.

Tema voltou ao noticiário

O assunto voltou a ganhar atenção nesta semana depois de ser destacado pelo jornal O Dia, que recuperou a discussão sobre a isenção e os mais de 25 mil apoios recebidos no e-Cidadania.

A repercussão ocorre num momento em que o projeto continua formalmente em tramitação, mas sem novo avanço registrado desde o fim de maio. O prazo para apresentação de emendas terminou em 28 de maio e, no dia seguinte, o PL voltou para a Secretaria-Geral da Mesa do Senado com a indicação “aguardando despacho às comissões”.

Esse continua sendo o último movimento registrado. O projeto não foi arquivado, rejeitado nem aprovado. Ainda falta o encaminhamento que definirá quais comissões deverão analisar o texto.

A espera já passa de quatro meses.

Apoio continuou depois que a ideia virou projeto

A mobilização também não terminou nos 25,7 mil apoios que fizeram a ideia avançar. Depois que a proposta virou oficialmente um projeto de lei, o Senado abriu uma nova consulta pública.

Até o fim de setembro, o PL registrava 81.538 votos favoráveis e 52.245 contrários no portal e-Cidadania.

Os dois números medem coisas diferentes. Os 25.718 apoios foram dados à ideia original e permitiram que ela avançasse até o Senado. Já a consulta posterior registra a opinião do público sobre um projeto que passou a existir formalmente.

Nenhum desses mecanismos substitui uma votação parlamentar, mas o volume de participação mostra que a proposta continuou mobilizando interessados mesmo depois de deixar sua fase inicial.

Quem pode entrar na isenção

Se a redação permanecer como está, o alcance será nacional. Militares da Marinha, Exército e Aeronáutica, além de integrantes das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, estão dentro da proposta.

Há ainda uma tentativa de ampliar esse grupo. Uma emenda apresentada pelo senador Izalci Lucas busca incluir integrantes da Polícia Civil do Distrito Federal, ativos, aposentados e pensionistas. Essa mudança, no entanto, só poderá ser analisada conforme a própria tramitação do PL avançar.

Por enquanto, nada mudou na cobrança do Imposto de Renda. A proposta ainda precisa percorrer as etapas legislativas antes de produzir qualquer efeito sobre os contracheques.

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1 Comentário
Sub-MB, traído
Sub-MB, traído
03/10/2026 17:24

Desde o dia 29/05 essa matéria está parada da mesa do Senado. Sabem pq ?? Pq não temos representantes na Casa e nem chefes que lutem por nós.