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O Gripen de dois lugares que muda a dinâmica da nova frota da FAB já está no ar: Saab revela novas imagens do FAB 4000 sobre a Suécia

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva 02/10/2026 às 16:43
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O Gripen de dois lugares que muda a dinâmica da nova frota da FAB já está no ar: Saab revela novas imagens do FAB 4000 sobre a Suécia
Saab divulga novas imagens do FAB 4000 em voo na Suécia enquanto primeiro Gripen F brasileiro avança na campanha de testes. Créditos das fotografias originais: Saab AB/Jörgen Ericsson.

Primeiro F-39F brasileiro já deixou de ser apenas uma aeronave apresentada em fábrica: o caça biposto está voando em Linköping e avança em uma campanha que antecede sua futura incorporação pela Força Aérea Brasileira

O FAB 4000, primeiro Gripen F destinado à Força Aérea Brasileira, voltou a aparecer no céu da Suécia. Novas imagens divulgadas pela Saab mostram o caça biposto já em voo, com a pintura cinza adotada pela FAB e a matrícula que identifica o primeiro exemplar brasileiro da versão de dois lugares.

As fotografias chamam atenção pela paisagem sueca, mas o que está por trás delas é mais importante para o programa brasileiro: o avião que há poucos meses ainda era apresentado oficialmente dentro das instalações da fabricante já se encontra na fase aérea de sua campanha de ensaios.

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É justamente aí que o FAB 4000 começa a ganhar outra dimensão.

O F-39F não foi concebido simplesmente para colocar um instrutor atrás de um piloto em treinamento. O segundo cockpit cria possibilidades para dividir a carga de trabalho em missões complexas, operar sistemas e sensores e, futuramente, explorar conceitos nos quais um dos tripulantes poderá assumir funções de gerenciamento e comando de missão.

Do rollout ao céu sueco em menos de três meses

Créditos das fotografias originais: Saab AB/Jörgen Ericsson.

A estreia pública do primeiro Gripen F ocorreu em 2 de junho de 2026, nas instalações da Saab em Linköping.

Foi a primeira oportunidade de observar o FAB 4000 completamente montado. A aeronave possui uma seção dianteira alongada em relação ao Gripen E para acomodar dois cockpits, característica que modifica sua silhueta sem retirar da plataforma o caráter operacional de um caça.

O passo decisivo veio em 28 de agosto.

Às 9h40 no horário local — 4h40 em Brasília — o primeiro Gripen F deixou o aeródromo da Saab para realizar seu voo inaugural. A missão durou aproximadamente 40 minutos.

Estavam a bordo o piloto-chefe de testes da Saab, Jakob Högberg, e o Tenente-Coronel Aviador Abdon de Rezende Vasconcelos, piloto de testes da FAB.

Naquele primeiro voo, as equipes concentraram-se na verificação do funcionamento dos principais sistemas e no comportamento inicial da aeronave.

As novas imagens divulgadas agora colocam justamente essa transformação em evidência: o FAB 4000 deixou a condição de protótipo apresentado ao público e passou a ser uma aeronave efetivamente envolvida em ensaios de voo.

O que ainda precisa acontecer antes de o FAB 4000 seguir para o Brasil

Um primeiro voo bem-sucedido não significa que o caça esteja imediatamente pronto para ser entregue.

A campanha de ensaios avança progressivamente para condições mais exigentes. Entre os pontos previstos estão avaliações relacionadas a velocidade, altitude, fator de carga, ângulo de ataque e comportamento aerodinâmico, além da verificação das funções próprias da configuração biposta.

O Gripen F também deverá passar pelos procedimentos de aceitação previstos no programa antes da transferência para a Força Aérea Brasileira.

Isso explica por que acompanhar os voos seguintes é tão relevante quanto acompanhar a decolagem inaugural. Em um programa desse porte, o primeiro voo abre uma nova etapa; ele não encerra o desenvolvimento.

A expectativa apresentada nas informações sobre o programa é de que o FAB 4000 seja incorporado à FAB em 2027, com destino ao 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA). A Saab, porém, não divulgou nas informações disponíveis uma data exata para a transferência da aeronave ao Brasil.

O segundo assento não transforma o Gripen F em simples avião de treinamento

Créditos das fotografias originais: Saab AB/Jörgen Ericsson.
Créditos das fotografias originais: Saab AB/Jörgen Ericsson.

É fácil olhar para um caça biposto e associá-lo imediatamente à formação de pilotos. No caso do Gripen F, essa leitura conta apenas uma parte da história.

A versão brasileira foi desenvolvida a partir do Gripen E e mantém sensores, sistemas de missão e capacidade operacional compatíveis com o conceito da nova geração do caça.

Os dois cockpits possuem seus próprios controles e telas, permitindo que a aeronave seja operada a partir das duas posições.

Na conversão operacional, isso permite colocar um piloto em treinamento dentro do próprio sistema de armas que encontrará posteriormente na linha de frente.

Em combate, a configuração abre outra possibilidade.

Dois tripulantes podem dividir atividades de pilotagem, gerenciamento de sensores, comunicações, guerra eletrônica, emprego de armamentos e coordenação tática. Em ambientes saturados de informação, diminuir a quantidade de tarefas concentradas em apenas uma pessoa pode ter importância operacional.

É essa característica que diferencia o Gripen F de um treinador avançado convencional.

Cockpit traseiro pode ganhar uma função ainda maior no combate do futuro

Há outro elemento que torna a versão F particularmente interessante.

A Saab trabalha com a possibilidade de utilizar o cockpit traseiro como uma estação para controlar, monitorar e coordenar aeronaves não tripuladas.

Nesse cenário, o segundo tripulante deixaria de atuar apenas como instrutor ou auxiliar no gerenciamento dos sistemas do próprio caça.

Ele poderia assumir funções de comando dentro de uma rede formada por diferentes plataformas.

Isso ainda não significa que o FAB 4000 será entregue ao Brasil com uma frota de drones sob seu controle. Trata-se de uma possibilidade de evolução apresentada para a arquitetura da aeronave.

Mas o conceito ajuda a entender por que a existência do segundo cockpit não representa um retorno à lógica dos antigos caças bipostos.

No Gripen F, aquele espaço adicional pode tornar-se uma posição de gerenciamento de batalha.

Brasil não está apenas comprando a versão F: participou de seu desenvolvimento

Créditos das fotografias originais: Saab AB/Jörgen Ericsson.

O primeiro avião fotografado sobre a Suécia também carrega uma particularidade industrial importante.

O Brasil é o cliente lançador do Gripen F e participou de seu codesenvolvimento.

O contrato do programa Gripen brasileiro, firmado em 2014, prevê 36 aeronaves, divididas entre 28 Gripen E monopostos e oito Gripen F bipostos.

Mais de 350 engenheiros, técnicos e pilotos brasileiros participaram de atividades de capacitação relacionadas ao desenvolvimento, produção, ensaios e manutenção da aeronave.

Empresas brasileiras como Embraer, Akaer, AEL Sistemas e Saab Aeronáutica Montagens integram diferentes etapas do programa.

Parte das aeroestruturas é produzida em São Bernardo do Campo, enquanto a estrutura de montagem final brasileira está localizada nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, São Paulo.

Essa participação ajuda a explicar por que o FAB 4000 tem um significado diferente dentro do contrato. O primeiro Gripen F não representa apenas outra unidade a ser adicionada à frota: ele é também o primeiro resultado em voo de uma variante na qual profissionais e empresas brasileiras participaram diretamente do processo de desenvolvimento.

O FAB 4000 agora precisa provar no ar aquilo que foi projetado no papel

Créditos das fotografias originais: Saab AB/Jörgen Ericsson.

As novas fotografias da Saab mostram um caça já visualmente pronto, carregando as cores da FAB sobre o território sueco.

O trabalho mais importante, porém, acontece justamente onde as imagens não conseguem mostrar.

Cada voo acrescenta dados à campanha de testes e permite ampliar gradualmente os limites nos quais a aeronave poderá operar.

Depois dessa etapa virão os procedimentos de aceitação e a preparação para a transferência à Força Aérea Brasileira.

Quando chegar ao Brasil, o FAB 4000 abrirá uma segunda fase dentro da própria introdução do Gripen na FAB: além dos F-39E monopostos, a Força passará a contar com uma aeronave capaz de formar tripulações dentro da nova plataforma e, ao mesmo tempo, participar de missões operacionais.

As fotografias feitas sobre a Suécia, portanto, registram mais do que um novo voo.

Elas mostram que o primeiro Gripen F brasileiro já está deixando para trás a condição de projeto e entrando, etapa por etapa, no caminho que deverá colocá-lo dentro de um esquadrão da FAB.

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