Com receitas bilionárias do petróleo e apoio dos Estados Unidos, Mohammad Reza Pahlavi construiu uma das maiores forças militares do Oriente Médio. A queda da monarquia interrompeu compras de armamentos americanos e deixou o Irã dependente de aeronaves que ainda utiliza décadas depois.
O xá do Irã, Mohammad Reza Pahlavi, transformou seu país em uma potência militar regional durante as décadas de 1960 e 1970. Com recursos provenientes do petróleo e relações estreitas com os Estados Unidos, a monarquia encomendou 3.000 tanques M60, adquiriu 225 aeronaves F-4 Phantom II e incorporou os modernos F-14 Tomcat, formando uma força aérea considerada a quinta maior do mundo.
O projeto militar sofreu uma ruptura em 1979, quando a Revolução Islâmica derrubou a monarquia e encerrou a parceria estratégica com Washington. Parte das encomendas ficou sem entrega, enquanto o arsenal americano já recebido passou a enfrentar dificuldades de manutenção e reposição de peças.
A trajetória foi destacada pelo portal especializado 19FortyFive, em reportagem assinada por Isaac Seitz, que examinou como o Irã ainda utiliza caças adquiridos durante o governo do xá.
Petróleo financiou encomenda de 3.000 tanques americanos, mas apenas 460 foram entregues
Durante a década de 1970, o Irã buscava ampliar sua influência no Oriente Médio e responder ao fortalecimento militar do Iraque, país que mantinha relações cada vez mais próximas com a União Soviética.
A elevação dos preços internacionais do petróleo após a Guerra Árabe-Israelense de 1973 aumentou significativamente as receitas iranianas. O governo de Pahlavi direcionou parte desses recursos à aquisição de equipamentos militares ocidentais.
Entre as encomendas estavam 3.000 carros de combate M60 americanos. Segundo o 19FortyFive, apenas 460 unidades foram entregues, e esses veículos continuaram integrando as forças blindadas iranianas décadas depois.
O programa também contemplava embarcações militares e aeronaves de combate. Diversos equipamentos encomendados durante a monarquia não chegaram ao país antes da revolução.
Os 225 caças F-4 Phantom e a chegada do F-14 colocaram o Irã entre as maiores forças aéreas

Piloto licenciado, Mohammad Reza Pahlavi demonstrava interesse pessoal pela modernização da Força Aérea Imperial Iraniana.
Entre as décadas de 1960 e 1970, o país adquiriu 225 aeronaves F-4 Phantom II, incluindo as variantes F-4D, F-4E e RF-4E, tornando-se o segundo maior comprador estrangeiro do modelo.
O Phantom era um caça supersônico desenvolvido nos Estados Unidos e amplamente empregado durante a Guerra do Vietnã. Sua capacidade de realizar diferentes missões o tornou uma das principais aeronaves de combate da Guerra Fria.
O Irã também incorporou grandes quantidades de caças F-5 Tiger II e adquiriu o F-14 Tomcat, tornando-se o único cliente estrangeiro a receber esse último modelo.
A necessidade de enfrentar aeronaves soviéticas MiG-25 utilizadas em missões de reconhecimento sobre o território iraniano impulsionou a busca por interceptadores mais avançados.
Com essas aquisições, a Força Aérea Imperial Iraniana tornou-se a maior do Oriente Médio e alcançou a posição de quinta maior força aérea mundial, conforme a classificação histórica apresentada pelo 19FortyFive.
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O xá ainda pretendia substituir gradualmente os F-4 e F-5 por caças F-16 americanos. A Revolução Islâmica interrompeu esse planejamento.
Revolução de 1979 interrompeu fornecimentos, mas os caças americanos voltaram a combater em 1980
A queda da monarquia modificou profundamente a relação entre o Irã e os Estados Unidos. O novo governo perdeu o acesso regular ao fornecimento americano de armamentos e componentes necessários para sustentar sua frota.
O impacto estratégico apareceu rapidamente.
Em setembro de 1980, o Iraque iniciou uma ofensiva contra o Irã, atacando bases aéreas e avançando por terra. A intenção era comprometer a capacidade de reação iraniana em um momento de instabilidade política.
Apesar das dificuldades internas, a Força Aérea Iraniana conseguiu mobilizar seus caças e realizar contra-ataques contra instalações militares iraquianas.

Os F-4 Phantom participaram de missões de bombardeio, apoio aéreo aproximado e combates contra aeronaves inimigas, incluindo MiG-21 e MiG-23.
De acordo com a reportagem, os Phantom iranianos obtiveram aproximadamente 10 a 15 vitórias em combates aéreos durante a guerra. As perdas, entretanto, foram expressivas.
Mais da metade da frota de F-4 acabou perdida ao longo do conflito, resultado associado à evolução das defesas iraquianas, ao emprego de caças como o Mirage F1 e o MiG-25 e às dificuldades iranianas para obter peças de reposição.
O episódio revelou uma contradição do programa militar do xá: o Irã havia adquirido aeronaves modernas e desenvolvido uma capacidade de combate significativa, mas dependia de uma cadeia de suprimentos estrangeira que a mudança política havia comprometido.
Quase cinco décadas depois, o Irã ainda depende dos F-4 Phantom comprados pelo xá
A tentativa americana de restringir o acesso iraniano a componentes também atingiu os F-14 Tomcat. No caso dos Phantom, a produção em maior escala e a utilização por outros países ofereceram mais possibilidades de obtenção de peças.
O envelhecimento das aeronaves, porém, tornou-se um problema crescente.
Segundo o 19FortyFive, estimativas apontavam que aproximadamente 60 F-4 ainda estavam operacionais no Irã em 2021. Desde então, o desgaste estrutural e os conflitos envolvendo o país reduziram ainda mais a disponibilidade da frota.
A reportagem também menciona ataques americanos realizados em 2026 contra instalações da aviação iraniana, incluindo evidências visuais da destruição de pelo menos um F-4 Phantom.
Mesmo com essas perdas, há relatos de missões realizadas com aeronaves desse modelo. A quantidade atual de unidades em condições de voo permanece incerta.
O legado do xá continua visível na estrutura militar iraniana: equipamentos comprados para transformar o país em uma potência regional ainda fazem parte de sua capacidade de defesa, embora tenham sido projetados para uma realidade estratégica que deixou de existir em 1979.