Aos 25 anos e 90 dias, o macho de onça-pintada vive desde 2007 no zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva, criado em 1967 para treinar soldados.
O Exército Brasileiro anunciou que Guardião, macho de onça-pintada do zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), em Manaus, recebeu do Guinness World Records o título de onça mais velha do mundo em cativeiro. A idade foi verificada em 9 de junho de 2026, quando o animal tinha 25 anos e 90 dias, segundo nota do CIGS publicada no portal do Exército em 24 de setembro.
Guardião nasceu em março de 2001 em Tabatinga, no Amazonas, e vive no zoológico do CIGS desde 7 de agosto de 2007. A própria nota do Exército informa que a expectativa de vida da espécie fica entre 10 e 15 anos.
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De Tabatinga para o zoológico de um quartel
Tabatinga fica no Alto Solimões, na fronteira com a Colômbia e o Peru. Guardião chegou ao CIGS com cerca de seis anos e já passou ali 19 anos, mais de três quartos da vida. A nota do Exército não diz se ele foi resgatado, apreendido ou entregue por órgão ambiental.
Os animais do acervo chegam por meio de órgãos ambientais, segundo texto do general de brigada Antonio Manoel de Barros publicado em 2016 no blog oficial do Exército. A página do recorde no Guinness registra Guardião como brasileiro e diz que ele vive no zoológico do CIGS há mais de 25 anos, o que não bate com a data de chegada informada pelo Exército, com dia, mês e ano.
Um zoológico criado para treinar soldados
O zoológico nasceu em 1967 para atender os Cursos de Operações na Selva do CIGS, segundo o texto do general Barros. A ideia era mostrar aos militares os animais que encontrariam na floresta, e a abertura definitiva ao público veio em 1969.
O CIGS foi criado em 1964 e teve como primeiro comandante o então major Jorge Teixeira de Oliveira, o Teixeirão, segundo o verbete do centro na Wikipédia. O centro forma até hoje militares de outros países no Curso de Operações na Selva.
O mesmo verbete apresenta o zoológico do CIGS como o único do mundo administrado por militares. O texto atribui a origem do espaço à necessidade de apresentar a fauna da região aos militares.
A onça no símbolo do guerreiro de selva
A onça-pintada é o símbolo do CIGS e do seu curso, segundo o verbete do centro na Wikipédia. Na nota sobre o recorde, o Exército trata Guardião como símbolo da fauna amazônica e do compromisso da Força com a preservação.
A tradição vai além do zoológico. O Exército mantém onças-pintadas como mascotes de unidades na Amazônia, com nomes próprios, como Simba e Jiquitaia.
A rotina descrita pela bióloga do CIGS
Quem coordena os cuidados é a bióloga do CIGS, primeiro-tenente Eliane Carvalho. Segundo ela, a equipe reúne veterinários, bióloga e tratadores responsáveis por manejo, alimentação, enriquecimento ambiental e acompanhamento diário do animal.
A dieta foi adaptada ao desgaste dos dentes, e Guardião recebe suplemento para as articulações, de acordo com a nota. Os exames veterinários são periódicos e feitos com avaliações minimamente invasivas.
Mesmo aos 25 anos, Guardião ainda caminha pelo recinto, nada e usa as estruturas elevadas, comportamentos típicos da espécie, segundo o Exército. A CNN Brasil, que repercutiu o recorde em 1º de outubro, trouxe os mesmos dados da nota oficial.
Quase 470 animais e 140 mil visitantes por ano
Em 2016, o acervo tinha 469 animais, entre 34 aves, 58 mamíferos, 112 répteis e 265 peixes, segundo o blog do Exército. Sete deles eram onças-pintadas, e Guardião já estava entre elas.
O mesmo texto estimava cerca de 140 mil visitantes por ano, o que fazia do zoológico a segunda atração mais visitada de Manaus. Desse total, cerca de 40 mil eram alunos de escolas da cidade, que entravam de graça por meio de parceria educacional.
Em 2015, a Oca do Conhecimento Ambiental, espaço de educação ambiental do zoológico, recebeu 561 instituições e 83 delegações brasileiras e estrangeiras, segundo o general Barros. A nota sobre o recorde não trouxe números atualizados de acervo, visitação, horários ou preço de entrada.
Dez anos acima da expectativa da espécie
Pela conta do próprio Exército, Guardião vive pelo menos dez anos além do limite superior da expectativa de vida da onça-pintada. Em 2016, o general Barros escreveu que, na natureza, as onças viviam no máximo dez anos, e que as do zoológico do CIGS chegavam a 21.
Guardião passou dessa marca em quatro anos. O Guinness verificou a idade em Manaus em 9 de junho, e a nota do CIGS sobre o título saiu no portal do Exército em 24 de setembro, mais de três meses depois.
A página do Guinness descreve o recorde em uma frase: Guardião, do Brasil, tinha 25 anos e 90 dias na data da verificação. O registro não informa qual era a onça mais velha em cativeiro antes dele.
Guardião, 25 anos, ainda nadando no recinto do CIGS
O animal que chegou ao quartel de Manaus com seis anos completa 26 anos em março de 2027. Hoje vive sob um protocolo de dieta adaptada, suplemento articular e exames periódicos conduzido pela equipe da primeiro-tenente Eliane Carvalho, segundo o Exército.
O Exército afirma que o título reforça o compromisso da Força com a preservação ambiental e amplia as ações de educação sobre a fauna amazônica. No zoológico que nasceu para ensinar soldados a reconhecer a floresta, o morador mais famoso agora é também o mais velho da espécie em cativeiro no mundo.