Ferido na cabeça em novembro de 1944, Justino Pires de Arruda, da FEB, retornou ao trabalho na roça e passou quatro anos em uma função de apoio no Exército antes de receber a pensão especial de ex-combatente.
Estilhaços de granadas atravessaram o capacete de aço e feriram a cabeça do soldado Justino Pires de Arruda, integrante da Força Expedicionária Brasileira (FEB), em 4 de novembro de 1944, na região de Palazzo, na Itália. Ele sobreviveu à guerra e, de volta ao Brasil, trabalhou durante anos na roça.
Mais tarde, mudou-se com a família para Ponta Porã, no atual Mato Grosso do Sul. Ali, passou quatro anos como auxiliar de faxineiro no 11º Regimento de Cavalaria Mecanizado. A pensão especial de ex-combatente veio posteriormente.
Sua biografia permite acompanhar tanto o serviço militar quanto o caminho percorrido depois do retorno à vida civil.
O trabalho na roça e a função de apoio em Ponta Porã
A experiência de Justino depois da guerra passou pelo trabalho rural e por uma nova ligação com o cotidiano de uma unidade militar. Após anos na roça, ele se estabeleceu com a família em Ponta Porã e assumiu a função de auxiliar de faxineiro.
O emprego no quartel pertence a uma etapa distinta daquela vivida na Europa. O antigo combatente passou a executar um trabalho de apoio dentro do Exército, instituição na qual havia prestado serviço antes de atravessar o Atlântico.
O recebimento da pensão especial ocorreu depois desses quatro anos de trabalho. A biografia preserva, assim, uma parte da história do veterano que se estende para além dos campos de batalha.
Justino Pires de Arruda foi convocado antes de seguir para a FEB
Nascido em 12 de dezembro de 1919, em Amambai, então pertencente a Mato Grosso e hoje em Mato Grosso do Sul, Justino prestou o serviço militar inicial entre 1939 e 1940.
Em 1942, foi convocado como soldado mobilizável. Apresentou-se ao regimento de cavalaria e, posteriormente, passou à disposição da FEB no 6º Regimento de Infantaria, de Caçapava, em São Paulo.

O embarque para a Itália aconteceu em 2 de julho de 1944, no transporte de tropas norte-americano General W. A. Mann. Justino tinha 24 anos quando partiu para a campanha que o levaria ao combate e ao ferimento na cabeça.
Estilhaços perfuraram o capacete durante o combate em Palazzo
O ferimento ocorreu cerca de quatro meses depois do embarque. Na região de Palazzo, explosões de granadas inimigas lançaram os estilhaços que atravessaram o capacete de aço do soldado e atingiram sua cabeça.
A proteção que levava na cabeça foi perfurada durante o ataque. Justino sobreviveu e retornou ao Brasil em 18 de julho de 1945, conforme o registro biográfico.
Entre as condecorações relacionadas em seu histórico está a Medalha de Sangue do Brasil. O acervo também registra as medalhas de Campanha e da Vitória, entre outras homenagens recebidas ao longo de sua trajetória.
A pensão especial veio depois do trabalho no campo e no quartel
O reconhecimento por meio da pensão especial integra a etapa posterior da vida de Justino. Antes de obter o benefício, ele já havia passado pelo retorno ao trabalho rural, pela mudança com a família e pelo emprego de apoio na unidade militar.
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O veterano que voltou da Itália também precisou construir uma rotina de trabalho no Brasil.
O capacete perfurado marcou sua passagem pela guerra. Os anos na roça e o serviço como auxiliar de faxineiro fizeram parte da vida que veio depois, até o recebimento da pensão de ex-combatente.
Preservar esses registros permite conhecer o percurso completo de uma praça brasileira: a convocação, o combate, a sobrevivência e o cotidiano após o retorno.
Como as unidades militares podem ajudar a preservar também as histórias de trabalho e de vida dos veteranos depois da guerra? Compartilhe sua visão nos comentários.