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R$ 151 milhões, 85 mil mochilas, 82 mil coletes táticos e 1.500 barracas de quase R$ 32 mil cada: Exército abre licitação para equipar tropas

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher 28/10/2026 às 16:32
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R$ 151 milhões, 85 mil mochilas, 82 mil coletes táticos e 1.500 barracas de quase R$ 32 mil cada: Exército abre licitação para equipar tropas
Militares brasileiros com mochilas e equipamentos táticos durante exercício militar em Lorena (SP). Exército abriu licitação estimada em R$ 151 milhões para aquisição de mochilas, coletes e barracas de campanha. Créditos: Joshua Taeckens/U.S. Army.

O Exército Brasileiro abriu uma licitação estimada em quase R$ 151 milhões para equipar suas unidades militares com mochilas, coletes táticos, barracas de campanha e outros materiais. Entre os itens estão 1.500 barracas avaliadas em R$ 31.968 cada, que, sozinhas, representam quase R$ 48 milhões do processo. As propostas poderão ser apresentadas até 10 de novembro.

A contratação foi publicada nesta terça-feira (27) pelo Centro de Obtenções do Exército, em Brasília, e reúne oito tipos de equipamentos destinados a atender demandas das Regiões Militares e dos Grupamentos Logísticos.

São 358.562 unidades previstas, entre materiais de uso individual, acessórios para armamentos e estruturas utilizadas em operações de campanha.

O valor total estimado chega a R$ 150.975.627,06, segundo os dados registrados no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP).

Embora a cifra seja expressiva, o Exército ainda não realizou essas compras. O processo utiliza o sistema de registro de preços, no qual os fornecedores disputam valores que poderão ser utilizados em futuras aquisições, conforme a necessidade da administração militar.

Exército prevê barracas militares de quase R$ 32 mil cada, somando R$ 48 milhões

As barracas de campanha são os equipamentos mais caros da licitação quando considerado o preço por unidade.

O Exército pretende registrar preços para 1.500 estruturas, com valor estimado de R$ 31.968,15 cada. Caso toda a quantidade seja adquirida pelo preço de referência, o gasto poderá chegar a R$ 47.952.225.

O valor chama atenção, principalmente quando comparado ao de barracas convencionais. A descrição do equipamento, entretanto, mostra que se trata de uma estrutura de dimensões e características diferentes daquelas utilizadas em acampamentos recreativos.

Cada barraca deverá ter aproximadamente 6,2 metros de comprimento por 5 metros de largura, oferecendo cerca de 31 metros quadrados de área coberta.

A armação prevista é de aço carbono galvanizado, enquanto a cobertura deverá utilizar PVC e tela de poliéster, além de contar com forração térmica.

Esse tipo de estrutura pode ser empregado para abrigar militares, instalar postos de apoio ou montar instalações temporárias durante exercícios e operações em campo.

O preço apresentado pelo Exército ainda é uma estimativa. Para avaliar se está adequado ao mercado, seria necessário comparar estruturas com as mesmas dimensões, materiais e exigências técnicas.

Entre todos os produtos da licitação, as barracas representam a maior parcela financeira individual, respondendo por aproximadamente 31,8% dos R$ 151 milhões previstos.

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Mais de 85 mil mochilas e 82 mil coletes táticos também estão na lista

Outra parte expressiva da contratação está concentrada nos equipamentos utilizados individualmente pelos militares.

O Exército incluiu 85.654 mochilas, com preço de referência de R$ 512,68 por unidade. A quantidade corresponde a um valor estimado de R$ 43,9 milhões.

As mochilas deverão ser confeccionadas em náilon, na cor verde militar, com compartimentos internos, bolsos frontais e alças para transporte nas costas e nas mãos.

A descrição também prevê uma repartição específica para notebook, além de espuma na região das costas.

Os coletes táticos aparecem logo depois, com 82.100 unidades e valor estimado de R$ 399,76 cada.

Nesse caso, a despesa potencial chega a R$ 32,8 milhões.

O modelo cadastrado é de poliéster, dupla face e tamanho único, com características definidas pelo próprio órgão militar.

A descrição disponível não identifica esses equipamentos como coletes balísticos, destinados à proteção contra disparos de armas de fogo. O material aparece classificado como colete de uso tático.

Somadas, as mochilas e os coletes representam aproximadamente R$ 76,7 milhões, pouco mais da metade do valor estimado para toda a licitação.

Licitação também inclui 77 mil porta-carregadores de fuzil e milhares de lanternas

Além das mochilas, coletes e barracas, o Exército pretende adquirir materiais menores, mas que aparecem em quantidades igualmente expressivas.

Um dos itens é o estojo porta-carregador de fuzil, utilizado para transportar munição acondicionada em carregadores.

São 77.182 unidades previstas, com preço estimado de R$ 91,33 cada. O acessório deverá comportar dois carregadores e utilizar náilon na cor verde-oliva.

A quantidade representa aproximadamente R$ 7 milhões.

Também constam 12.400 lanternas táticas, avaliadas em R$ 328,84 por unidade, com valor total estimado de R$ 4,08 milhões.

As especificações incluem corpo de alumínio, carregador bivolt e resistência à exposição à chuva, à lama e a respingos de água.

Outro grupo reúne 73.926 bolsas para transporte de materiais de emergência, ao preço estimado de R$ 158,78 cada. A soma chega a aproximadamente R$ 11,74 milhões.

A lista inclui ainda 12.700 acessórios destinados ao transporte de granadas de 40 milímetros, com valor unitário de R$ 175,85, além de 13.100 bolsas para operações militares, avaliadas em R$ 91 cada.

São materiais utilizados em diferentes atividades da Força Terrestre, desde o transporte de equipamentos individuais até o apoio logístico de unidades em campanha.

Compra de R$ 151 milhões será feita por procedimento especial de Defesa

A licitação foi organizada pelo Centro de Obtenções do Exército, unidade responsável por centralizar parte das aquisições destinadas à Força Terrestre.

O processo recebeu o número 14/2026 e tem como objetivo atender necessidades apresentadas pelas Regiões Militares e pelos Grupamentos Logísticos, estruturas responsáveis por atividades de apoio e abastecimento.

Há uma particularidade na contratação: os equipamentos foram cadastrados como Produtos Estratégicos de Defesa (PED), e o procedimento faz referência ao chamado Termo de Licitação Especial (TLE).

Previsto na Lei nº 12.598/2012, esse instrumento permite utilizar regras específicas em contratações relacionadas à defesa nacional.

A legislação contempla mecanismos voltados à indústria brasileira de defesa e à preservação da capacidade nacional de produzir equipamentos considerados importantes para as Forças Armadas.

As condições concretas de participação dos fornecedores, entretanto, dependem das exigências estabelecidas nos documentos da licitação.

Outro ponto é que o valor de quase R$ 151 milhões corresponde ao preço de referência de todos os materiais previstos, e não a um contrato já assinado.

No sistema de registro de preços, a administração pode realizar aquisições conforme a demanda, sem necessariamente comprar toda a quantidade registrada.

O resultado da disputa também poderá modificar os valores inicialmente estimados.

Empresas têm até 10 de novembro para apresentar propostas ao Exército

O edital foi publicado no Portal Nacional de Contratações Públicas em 27 de outubro de 2026, com início do recebimento das propostas às 9h do mesmo dia.

As empresas interessadas poderão participar até 10 de novembro, às 10h, no horário de Brasília.

A disputa será realizada eletronicamente, no modo aberto e fechado, que combina a apresentação pública de lances com uma etapa final de ofertas sigilosas.

A contratação está registrada sob o número 00394452000103-1-023000/2026 no PNCP e vinculada ao processo administrativo 64447.044492/2025-45.

Encerrado o prazo, o Exército deverá analisar as propostas e verificar o atendimento às exigências do edital antes da definição dos fornecedores e dos valores que poderão ser registrados para futuras compras.

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