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Sargento nos EUA pode ganhar mais que major: tabela de 2026 das Forças Armadas americanas mostra como o país valoriza a experiência dos graduados

Robson Augusto
Por Robson Augusto Atualizado em 27/10/2026 às 18:37·publicado em 27/10/2026
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Sargento nos EUA pode ganhar mais que major: tabela de 2026 das Forças Armadas americanas mostra como o país valoriza a experiência dos graduados
Saegeant major Michael P. Barrett, sargeant major do Marine Corps dos Estados Unidos

Tabela oficial de 2026 mostra que o sargento-mor no topo da carreira supera o teto salarial do major, enquanto o Congresso dos EUA discute reajuste ainda maior para graduados em 2027.

Nas Forças Armadas dos Estados Unidos, um graduado no topo da carreira das praças pode receber salário maior do que um major. A tabela oficial de 2026, publicada pelo Defense Finance and Accounting Service (DFAS), órgão de pagamento do Departamento de Defesa, mostra que o E-9, última graduação de praça, tem salário básico mensal entre US$ 6.910 e US$ 10.729, conforme o tempo de serviço.

Já o major, posto O-4 no Exército, Força Aérea e Fuzileiros Navais (capitão-de-corveta na Marinha), recebe em 2026 entre US$ 6.294,60 e US$ 10.509,90 mensais. Ou seja, o teto do sargento-mor americano supera o teto do major em pouco mais de US$ 200 por mês.

Teto do E-9 chega a US$ 10.729, acima do limite do major

O valor máximo do E-9 é alcançado com longa permanência. O maior salário de praças na tabela de 2026 é de US$ 10.729 mensais, pago a partir de 38 anos de serviço. A escala dos graduados mais antigos foi desenhada para crescer com o tempo: o DFAS não publica valor para o E-9 com menos de 10 anos, e quase todos que chegam a essa graduação o fazem perto ou depois dos 20 anos de serviço.

Há ainda um degrau acima. Os graduados que ocupam o cargo de principal conselheiro de cada Força, como o Sargento-Mor do Exército e o Master Chief Petty Officer da Marinha, recebem valor fixo. Esse salário é de US$ 11.166,90 mensais, independentemente do tempo de serviço, montante superior ao de qualquer major da ativa.

É preciso registrar, porém, que na comparação por tempo de serviço o oficial ainda leva vantagem. Um O-4 com mais de 10 anos de serviço recebe US$ 9.420 mensais, enquanto um E-9 com mais de 20 anos recebe US$ 8.105,10. A ultrapassagem ocorre no fim da carreira do graduado e nos cargos em condições especiais, ainda assim, um sargento mor sempre recebe mais que um major que tenha até 10 anos de serviço.

Tabela de 2024 já mostrava a sobreposição entre praças e oficiais

Os dados de 2024 compilados pelo portal FederalPay, com base no Escritório de Gestão de Pessoal do governo americano, mostram o mesmo padrão. O Sergeant Major (E-9) tinha faixa anual de US$ 76.446 a US$ 118.696, contra US$ 69.638 a US$ 116.269 do Major (O-4).

A sobreposição também aparece entre outras graduações e postos. O Master Sergeant (E-8) recebia de US$ 62.579 a US$ 89.248 por ano, faixa que cruza a do Captain (O-3), de US$ 61.225 a US$ 99.612. O E-9 em início de escala ganhava mais que um primeiro-tenente (O-2) no topo, que chegava a US$ 73.210.

O caso mais evidente é o dos warrant officers, especialistas técnicos situados entre praças e oficiais. Em 2024, o Chief Warrant Officer 5 (W-5) recebia entre US$ 112.507 e US$ 147.229 anuais, valores acima do teto do major e do início da escala do tenente-coronel (O-5), de US$ 80.708.

Praças recebem auxílio-alimentação maior que oficial

Outro dado mostra que a estrutura americana não segue uma lógica linear de hierarquia. O auxílio-alimentação, chamado Basic Allowance for Subsistence (BAS), é maior para praças. Em 2026, o E-9 recebe US$ 476,95 mensais de BAS, isentos de imposto, enquanto o O-4 recebe US$ 332,07.

Somadas as verbas, a remuneração total do sargento-mor fica bem acima do salário básico. Com auxílios e vantagem tributária, um E-9 com 26 anos de serviço alcança Regular Military Compensation de cerca de US$ 144.123 por ano, indicador usado pelo próprio Departamento de Defesa para comparar a remuneração militar com salários civis.

Aumento de 14,5% para a base em 2025

A valorização não se limita ao topo. Na Lei de Autorização de Defesa (NDAA) de 2025, o Congresso aprovou reajuste diferenciado para a base. A lei garantiu 4,5% para todos os militares a partir de janeiro e mais 10% para as graduações até E-4 a partir de abril, o primeiro aumento direcionado a graduações específicas em décadas. Com isso, os praças mais modernos passaram a ganhar de US$ 3 mil a US$ 6 mil a mais por ano.

Em 2026, o reajuste foi de 3,8% para todas as graduações e postos, a partir de 1º de janeiro.

Proposta do governo para 2027 dá percentual maior para praças e menor para o topo da carreira de oficiais

Para 2027, a Casa Branca enviou ao Congresso uma proposta escalonada. Graduações até E-5 teriam 7%, de E-6 a O-3 o reajuste seria de 6%, e de O-4 para cima, 5%. Segundo Todd Harrison, do American Enterprise Institute, seria o maior aumento acima do Índice de Custo do Emprego desde o ano fiscal de 1982.

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O tema ainda está em discussão. As versões do NDAA de 2027 aprovadas pelo Comitê de Serviços Armados da Câmara e pelo subcomitê de Defesa da Comissão de Orçamento apoiam a proposta presidencial, mas o Comitê de Serviços Armados do Senado propôs reajuste linear de 3,6%.

Bônus de até US$ 50 mil para atrair recrutas qualificados

Além do salário, os Estados Unidos usam bônus para disputar talentos com o mercado civil. A legislação federal, no Título 37 do Código dos EUA, autoriza o pagamento de bônus a quem se comprometer a servir por período determinado em área, especialidade, unidade ou graduação definida pela respectiva Força.

O Exército elevou esse instrumento ao maior patamar de sua história. Segundo a Associated Press, a Força passou a oferecer, pela primeira vez, bônus máximo de US$ 50 mil a recrutas altamente qualificados que se alistem por seis anos. Os valores divulgados são tetos, não pagamentos garantidos, e dependem da especialidade e das condições do contrato.

A lógica se completa com os bônus de reengajamento, voltados a reter graduados em funções técnicas de alta demanda, como cibernética, inteligência, idiomas e operações especiais.

Experiência transformada em remuneração

Nos Estados Unidos, a sobreposição entre os salários de graduados e oficiais é resultado de política deliberada. Ao anunciar reajustes direcionados de até 6,25% para sargentos, com o maior percentual para o E-9 com 26 anos ou mais de serviço, a diretora de remuneração militar do Departamento de Defesa afirmou que o aumento reconhecia a contribuição dos sargentos mais antigos e da carreira de praças.

O argumento da escolaridade também pesou. Em 2002, o Pentágono justificou reajuste de até 10% ao E-9 lembrando que a tabela foi criada para praças com ensino médio, enquanto até 40% dos sargentos mais antigos já tinham diploma universitário. A reforma de 2007 estendeu a tabela até 40 anos de serviço com o objetivo declarado de incentivar carreiras mais longas.

A decisão final sobre o reajuste de 2027 caberá ao Congresso americano, que, segundo o Serviço de Pesquisa do Congresso, deve pesar a proposta diante das condições atuais de recrutamento e retenção e de outras prioridades de gasto federal.

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