Os Estados Unidos planejam transmitir ao vivo a execução do ex-militar do Exército americano Nidal Hasan por um pelotão de fuzilamento, segundo afirmou o secretário de Guerra, Pete Hegseth. Hasan, ex-psiquiatra militar, foi condenado à morte em 2013 pelo massacre na base militar de Fort Hood, ocorrido em 5 de novembro de 2009, que deixou 13 mortos e 32 feridos.
A última execução de um militar dos Estados Unidos ocorreu em 1961. Já a última execução pública no país foi realizada há 90 anos, em 1936. O cumprimento da sentença de Hasan está marcado para o dia 3 de dezembro de 2026, no Texas.
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Segundo afirmou Hegseth em entrevista ao canal Real America’s Voice, a exposição pública da execução de Hasan serviria para mostrar que “crimes deste tipo têm consequências graves nos EUA“.
Conforme informou à BBC uma fonte do Pentágono, o governo planeja transmitir a execução de Hasan ao vivo pela internet.
Fuzilamento é método raro de execução
Embora seja rara, a execução por pelotão de fuzilamento está prevista entre os métodos autorizados para cumprimento da pena de morte nos Estados Unidos. A grande maioria das execuções no país é realizada pelas justiças estaduais, mas há casos em que a sentença é federal.
De acordo com o Centro de Informações sobre a Pena de Morte, cinco estados autorizam o uso do pelotão de fuzilamento (Idaho, Mississippi, Oklahoma, Utah, e Carolina do Sul). Seis pessoas foram executadas por fuzilamento nesses estados desde 1976.
Nidal Hasan foi julgado e condenado no Texas, mas a autorização para o uso do pelotão de fuzilamento veio do próprio presidente Donald Trump, a pedido do secretário Pete Hegseth, que recomendou o uso do método. Segundo a lei militar americana, a execução de um militar requer autorização presidencial.
Em 2025, a Carolina do Sul realizou sua primeira execução por fuzilamento. Foi a primeira vez em 15 anos que o método foi usado nos Estados Unidos.
Juristas reprovam a transmissão
Juristas ouvidos pela BBC reprovaram a decisão do secretário Pete Hegseth de tornar uma execução pública após quase um século nos Estados Unidos, temendo o tipo de mensagem que o ato pode transmitir.
John Mills, um advogado que trabalha com detentos condenados à morte, disse que uma execução pública “não tem precedentes na era moderna” e adentra em um terreno legal incerto.
O Escritório da ONU para os Direitos Humanos declarou que a execução pública “violaria a proibição absoluta de tortura“.
Nos EUA, certos estados exigem alguma forma de acompanhamento público das execuções. Muitos estados exigem a presença de jornalistas, e o condenado pode convidar pessoas. Outros também permitem que cidadãos comuns se ofereçam como testemunhas. A maioria das execuções ocorre pelo crime de homicídio.
Uma execução transmitida pela internet não tem precedentes nos Estados Unidos. A determinação vai contra o próprio regulamento do Exército, segundo a BBC: apenas certas categorias de pessoas, como jornalistas e familiares, têm permissão para assistir a execuções militares, nos termos do Regulamento do Exército 190-55. Menores de 18 anos não são permitidos.
Quatro militares no corredor da morte
Segundo o Centro de Informações sobre a Pena de Morte, Hasan é um dos quatro militares norte-americanos no corredor da morte, e seria o primeiro a ser executado em 65 anos. A última execução militar no país ocorreu em 1961, quando um soldado do Exército dos EUA foi enforcado após ser condenado pelo estupro de uma menina austríaca de 11 anos.
O enforcamento é um método extinto no país por determinação da Suprema Corte.
Hasan, muçulmano nascido nos EUA, matou 13 colegas militares e feriu 32 no tiroteio de 5 de novembro de 2009, três semanas antes de sua partida para uma missão no Afeganistão.
Ele servia no Exército há 21 anos e havia alcançado a patente de major, trabalhando como psiquiatra no atendimento a soldados com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) — fator que, segundo conhecidos e especialistas, contribuiu para a deterioração de sua saúde mental.
No processo de julgamento, ele descreveu seu ataque como uma retaliação à violência das forças armadas dos EUA contra muçulmanos no Iraque e no Afeganistão.
Curiosamente, o Afeganistão e o Irã são os únicos países no mundo onde há registro de execuções públicas nos últimos anos, segundo o The Guardian. No Afeganistão, em abril de 2025, o Talibã executou quatro homens acusados de homicídio em três cidades diferentes. Todos foram mortos a tiros em estádios esportivos públicos lotados.
Falhas levantaram polêmicas
O caso envolvendo o cuprimento da pena de Nidal Hasan acontece ao mesmo tempo em que a pena de morte enfrenta escrutínio público nos EUA. No final de setembro, uma mulher que estava no “corredor da morte” no Tenessee sobreviveu à aplicação de duas injeções letais durante o cumprimento da sentença, e foi encaminhada ao hospital em estado grave.
Christa Pike foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, ocorrido em 1995, e sentenciada à morte. A sua tentativa de execução foi descrita por jornalistas como “caótica”, após um apelo da defesa à Suprema Corte para suspender o procedimento ser rejeitado no último momento.
O governador Bill Lee determinou a suspensão das execuções previstas no estado americano até o fim do ano e pediu uma revisão dos procedimentos após o episódio.
Não é o primeiro caso de falha no cumprimento da sentença em 2026 no mesmo estado. Em maio, a execução de outro detento foi cancelada depois que profissionais responsáveis não conseguiram encontrar uma veia após mais de uma hora de procedimento.
A pena de morte continua tendo apoio da maioria da população norte-americana. Uma maioria estreita de 52% dos participantes da pesquisa anual da Gallup sobre Valores e Crenças afirmou ainda considerar a pena de morte moralmente aceitável, uma queda em relação ao mínimo histórico anterior de 54%, registrado na pesquisa da organização em 2020.
Apesar disso,o apoio à pena de morte caiu drasticamente nas últimas duas décadas, saindo de um pico de 71% dos entrevistados em 2006.