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Seis navios encomendados pelo Brasil foram incorporados pelos britânicos na Segunda Guerra, e o antigo Javary acabou afundado durante a retirada de Dunquerque

Thaís Souza
Por Thaís Souza 03/10/2026 às 15:16
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Seis navios encomendados pelo Brasil foram incorporados pelos britânicos na Segunda Guerra, e o antigo Javary acabou afundado durante a retirada de Dunquerque

Construídos na Inglaterra para a Marinha brasileira, os seis contratorpedeiros receberam nomes britânicos após o início da guerra, em 1939; três foram perdidos no conflito e três sobreviveram.

Seis contratorpedeiros encomendados pelo Brasil tiveram seu destino alterado pelo início da Segunda Guerra Mundial. Ainda em construção na Inglaterra, foram requisitados pelos britânicos em setembro de 1939 e entraram em serviço na Royal Navy, a Marinha do Reino Unido.

Um deles era o Javary, renomeado HMS Havant, que acabou perdido durante a retirada de tropas aliadas de Dunquerque, na França, em junho de 1940. A encomenda destinada a renovar a esquadra brasileira passou a abastecer o esforço de guerra britânico.

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A requisição é registrada na Revista do Clube Naval, publicação da associação de oficiais da Marinha, no artigo “83º aniversário de criação da Força Naval do Nordeste”, assinado pelo contra-almirante reformado Guilherme Mattos de Abreu.

Os contratorpedeiros encomendados pelo Brasil receberam seis novos nomes

Os navios foram construídos por três estaleiros britânicos: Vickers-Armstrong, John Samuel White e Thornycroft. Seguiam o projeto dos contratorpedeiros britânicos da classe H, embarcações empregadas em combate e na proteção de outros navios.

O Javary tornou-se Havant, e o Jutahy passou a se chamar Havelock. O Jaguaribe recebeu o nome Highlander, enquanto o Japurá virou Hurricane.

Havant 1940
Simulação do Havant 1940.

O Juruá foi inicialmente chamado Handy e depois recebeu o nome definitivo Harvester. O Juruena passou por mudança semelhante: primeiro Hearty, depois Hesperus. A conclusão das obras e a entrada em serviço ocorreram entre o fim de 1939 e 1940.

O antigo Javary foi perdido em Dunquerque em junho de 1940

O Havant teve uma carreira curta sob bandeira britânica. Durante a evacuação de Dunquerque, participou da operação de retirada de soldados aliados cercados pelo avanço alemão.

Em 1º de junho de 1940, o contratorpedeiro sofreu graves danos em um ataque de bombardeiros alemães. A tripulação abandonou a embarcação, que foi posteriormente afundada pelo navio britânico Saltash. O casco construído para o Brasil terminou sua trajetória poucos meses depois de entrar em serviço.

Três navios sobreviveram à guerra; outros dois foram perdidos em 1943

O Harvester, antigo Juruá, foi afundado pelo submarino alemão U-432 no Atlântico Norte, em 11 de março de 1943. Antes, havia sofrido danos ao atingir o submarino U-444 com a própria proa.

O Hurricane, antigo Japurá, foi torpedeado pelo U-415 perto dos Açores em 24 de dezembro daquele ano. Abandonado, acabou afundado pelo contratorpedeiro britânico Watchman no dia seguinte.

Havelock, Hesperus e Highlander sobreviveram ao conflito. Os três tiveram como destino o desmanche em 1946, encerrando a trajetória do grupo originalmente destinado à Marinha brasileira.

A encomenda frustrada deixou uma lacuna na renovação da esquadra

O Brasil buscava substituir uma força naval ainda baseada, em grande parte, nos navios da Esquadra de 1910. O programa de renovação combinava compras no exterior e construção nacional.

Segundo a Revista do Clube Naval, os três contratorpedeiros da classe M, iniciados no Arsenal de Marinha em 1937, só ficaram disponíveis com a guerra em andamento. A requisição britânica retirou do planejamento brasileiro outra parcela importante dos reforços esperados.

A trajetória dos seis navios terminou dividida entre perdas em combate e desmanche após a vitória aliada. Seus nomes brasileiros ficaram associados à encomenda original.

Para a Marinha do Brasil, o episódio marcou uma aquisição frustrada justamente durante a tentativa de modernizar a esquadra.

Que peso o risco de uma guerra interromper entregas deveria ter na escolha entre comprar navios no exterior e construí-los no Brasil? Compartilhe sua análise nos comentários.

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