José Cícero de Araújo relatou ao Coletivo F8 como deixou o trabalho na agricultura para integrar a FEB; entrevista de 2023 registrou suas lembranças no sítio Alto do Balanço.
José Cícero de Araújo deixou a agricultura após ser sorteado para servir ao Exército e seguiu para a Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Décadas depois, contou essa trajetória na casa onde nasceu, no sítio Alto do Balanço, zona rural de Santo André, no interior da Paraíba.
A história foi registrada pelo Coletivo F8, projeto de extensão voltado à fotografia, em uma reportagem publicada em novembro de 2023. Naquele encontro, o cenário da infância também serviu de espaço para recordar a passagem pela Força Expedicionária Brasileira (FEB).
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O perfil acompanha uma vida que atravessou ambientes muito diferentes: o trabalho nas fazendas, os quartéis, a campanha europeia e o emprego no Departamento de Correios e Telégrafos após o retorno ao Brasil.
Um sorteio interrompeu a rotina de trabalho na agricultura
Antes da experiência militar, José Cícero trabalhava na agricultura. Foi nessa rotina que recebeu a notícia de sua seleção por sorteio para servir.
A convocação é o ponto de mudança de sua narrativa. A partir dela, o trabalhador rural passou a percorrer um caminho que o levaria para longe da região onde havia crescido.
Esse começo ajuda a compreender o interesse de seu testemunho. A história da participação brasileira na guerra também pode ser contada pelo percurso de quem saiu de uma ocupação civil e precisou se adaptar à vida militar. No caso de José Cícero, as lembranças começam no campo, antes da viagem para a Europa.
A passagem pelos quartéis antecedeu a viagem à Itália
Em seu depoimento ao Coletivo F8, o veterano descreveu o deslocamento por quartéis brasileiros e a travessia marítima até a Itália.

Ele recordou passagens por Campina Grande, Natal e Rio de Janeiro antes da chegada a Nápoles. Sobre o navio, guardou uma lembrança concreta: a embarcação era tão grande que chegou a se perder dentro dela.
As recordações da campanha incluíam ainda visitas a moradores italianos e convites para refeições. Esses detalhes mostram quais experiências permaneceram em sua memória, ao lado do serviço militar.
A casa onde nasceu tornou-se cenário para contar a experiência da FEB
O diferencial da entrevista está no lugar escolhido para ouvir essa história: a própria casa onde José Cícero nasceu, no sítio Alto do Balanço.
O cenário aproxima duas etapas de sua trajetória. De um lado, a infância e o trabalho rural; de outro, a experiência de deixar o Brasil para participar de uma guerra em território europeu.
As fotografias também fazem parte desse registro. Associadas ao depoimento, preservam o encontro realizado em 2023 e ajudam a situar o personagem no ambiente em que contou suas memórias.
O retorno ao Brasil abriu uma nova etapa nos Correios
Depois da guerra, José Cícero trabalhou no Departamento de Correios e Telégrafos. Essa fase integra o perfil porque acompanha o veterano para além de sua experiência na FEB.
Uma trajetória militar também tem continuidade na vida civil. Conhecer o trabalho exercido após o retorno permite observar o caminho completo do personagem, desde a agricultura até a ocupação que assumiu depois da campanha.
No caso de José Cícero, o relato conecta essas etapas sem depender de um episódio individual de combate para despertar interesse. Seu valor está no testemunho de quem viveu a convocação e preservou lembranças da experiência.
A entrevista registra o percurso de um agricultor levado pelo sorteio ao serviço militar e que, após voltar da Itália, construiu outra etapa profissional no Brasil.
Sua voz e as fotografias preservadas pelo Coletivo F8 oferecem um ponto de partida para aproximar leitores dessa trajetória e incentivar o registro de outras histórias de veteranos.
Que lembranças dos pracinhas deveriam receber mais espaço em escolas e museus: a experiência na guerra ou a vida que construíram depois do retorno? Compartilhe sua opinião nos comentários.