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Argentina instala radar militar em torre gigante e mobiliza soldados, drones e helicópteros perto do Brasil após admitir dificuldades para controlar mais de 25 km de fronteira seca em Misiones

Argentina reforçou a vigilância em Misiones com radar militar, tropas e drones perto de Santa Catarina e Paraná. Documentos apontam mais de 25 km de fronteira seca vulnerável e contestação sobre o emprego de soldados.

Marcos
Por Marcos 02/11/2026 às 20:10
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Argentina instala radar militar em torre gigante e mobiliza soldados, drones e helicópteros perto do Brasil após admitir dificuldades para controlar mais de 25 km de fronteira seca em Misiones
Radar Primário Argentino instalado em torre com cúpula de proteção na estação San Pedro, em Misiones, durante a apresentação oficial de setembro de 2025. Foto: Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Argentina / argentina.gob.ar. Licença CC BY 4.0.

A Argentina reposicionou um radar militar em San Pedro, na província de Misiones, e mobilizou soldados, drones, sistemas de comunicação e helicópteros para vigiar setores próximos à fronteira brasileira. As medidas foram apresentadas ao longo de 2025, na mesma região em que um documento oficial reconheceu dificuldades para controlar mais de 25 quilômetros de fronteira seca com o Brasil.

O trecho mais sensível fica junto a Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, e Barracão, no Paraná. Ali, a cidade argentina de Bernardo de Irigoyen se encontra com os municípios brasileiros sem a separação de um grande rio. O reforço ganhou outra dimensão quando o governo argentino criou um comando especial para fiscalizar passagens e mobilizou uma brigada militar em áreas estratégicas de Misiones.

Radar militar passou a operar dentro de uma esfera gigante em San Pedro

Em 2 de setembro de 2025, o Ministério da Defesa argentino apresentou a nova posição do Radar Primário Argentino (RPA), na estação de San Pedro. O equipamento foi transferido para uma torre elevada, protegida por uma enorme cúpula arredondada, conhecida como radome, construída para melhorar as condições de detecção de aeronaves.

À esquerda, a estrutura esférica que protege o radar militar argentino instalado em San Pedro, na província de Misiones; à direita, a antena de grandes dimensões localizada no interior da cúpula. O equipamento foi reposicionado em 2025 para reforçar a vigilância aérea argentina na região próxima à fronteira com o Brasil. Fonte: Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Argentina / Divulgação.

Segundo a comunicação oficial argentina, a mudança fortaleceu o sistema nacional de vigilância aérea. A rede contava então com seis radares da primeira série funcionando 24 horas por dia, durante os 365 dias do ano. O comando aeroespacial também mantinha aeronaves em prontidão para atender ocorrências classificadas como voos irregulares.

O radar de San Pedro já funcionava anteriormente nas proximidades da cidade. Em março de 2025, o jornal local El Territorio registrou a retirada dos equipamentos de uma instalação usada havia mais de uma década e seu transporte para o novo complexo no paraje Gramado. A estrutura elevada passou a integrar essa capacidade de vigilância já existente, com instalações renovadas.

Soldados de brigada especializada foram enviados a setores próximos do Brasil

Dois meses depois da apresentação do radar, o governo argentino divulgou outra movimentação em Misiones. Em 5 de novembro de 2025, militares da Brigada de Monte XII integraram a chamada Força de Vigilância Andresito, componente da Operação Presidente Julio Argentino Roca.

O Estado-Maior Conjunto argentino informou que as unidades estavam pré-posicionadas em áreas do nordeste de Misiones, incluindo Bernardo de Irigoyen e regiões próximas a Puerto Iguazú. O material apresentado incluía radares, drones de observação, equipamentos de proteção, comunicações avançadas e apoio aéreo por helicópteros.

A operação colocou militares preparados para atuar em terrenos de mata, caminhos rurais e pontos de difícil acesso, enquanto forças policiais e de segurança continuavam responsáveis por atividades específicas de fiscalização. O deslocamento foi documentado em 2025; a fase de execução definida pelo Ministério da Defesa tinha prazo até 15 de dezembro daquele ano.

Antena do Radar Primário Argentino dentro da cúpula protetora na estação de San Pedro, Misiones
Antena do radar militar na parte interna da cúpula de proteção em San Pedro, Misiones, em setembro de 2025. Foto: Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Argentina / argentina.gob.ar.

Governo identificou 25 quilômetros de fronteira seca sem barreiras naturais

O motivo do reforço aparece na Resolução 626/2025 do Ministério da Segurança argentino. O texto descreve a região de Bernardo de Irigoyen como uma fronteira terrestre de mais de 25 quilômetros, marcada por caminhos alternativos, áreas de mata e locais onde a passagem entre Argentina e Brasil pode ocorrer sem obstáculos naturais.

A geografia cria uma situação incomum. Bernardo de Irigoyen, Dionísio Cerqueira e Barracão formam uma área urbana contínua, na qual ruas e espaços públicos se aproximam diretamente da linha internacional. A própria Agência Estadual de Notícias do Paraná identifica esse conjunto como a única fronteira seca entre Brasil e Argentina.

Na resolução, o governo argentino relata dificuldades para fiscalizar integralmente o movimento de pessoas e mercadorias e aponta rotas clandestinas, diferenças de preços entre os países e atuação de redes criminosas transnacionais. A avaliação oficial levou Buenos Aires a ampliar o monitoramento terrestre e a coordenação entre órgãos públicos.

Comando especial foi criado para fechar brechas na divisa brasileira

Em 26 de maio de 2025, a Argentina oficializou o Plano Guaçurarí, voltado para a região de Bernardo de Irigoyen. A medida estabeleceu um comando unificado com participação de Gendarmería, Polícia Federal, Prefectura Naval, Polícia de Segurança Aeroportuária e Serviço Penitenciário Federal, além de articulação com autoridades provinciais.

Soldados da Brigada de Monte XII do Exército Argentino durante apresentação da Força de Vigilância Andresito em Misiones
Militares da Brigada de Monte XII durante apresentação da Força de Vigilância Andresito, em Misiones, em 5 de novembro de 2025. Foto: Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Argentina / argentina.gob.ar.

A estratégia previa patrulhas, controle de veículos e pedestres, ações em rotas secundárias e uso de equipamentos de observação. O objetivo declarado era dificultar a atuação de organizações que utilizam a divisa para contrabando e outros delitos transnacionais. O governo argentino situou o comando justamente na fronteira com Santa Catarina e Paraná.

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Em setembro de 2026, uma nova resolução argentina voltou a mencionar o Plano Andrés Guaçurarí entre as medidas coordenadas de segurança aplicadas a regiões fronteiriças. Esse registro atualiza o quadro institucional da estratégia, enquanto os anúncios específicos do radar e da brigada permanecem datados de 2025.

Presença de militares provocou contestação sobre regras de atuação

A Operação Roca também abriu uma discussão sobre os limites da presença militar na segurança interna argentina. Em 30 de abril de 2025, o Centro de Estudios Legales y Sociales (CELS) criticou a atribuição de tarefas de vigilância a soldados e questionou o caráter reservado das regras que orientavam sua atuação.

O Comitê Nacional para a Prevenção da Tortura também manifestou preocupação, em maio de 2025, com a separação entre funções militares e policiais. Os órgãos argumentaram que operações de segurança cidadã exigem parâmetros públicos de controle e de emprego da força.

O Ministério da Defesa argentino enquadrou a Operação Roca como missão de vigilância em zonas de segurança de fronteira, em apoio às autoridades responsáveis pela segurança. A Resolução 727/2025 determinou a execução em áreas que excluíam centros urbanos e passagens internacionais habilitadas, com coordenação entre os ministérios da Defesa e da Segurança.

Argentina recebeu em 2026 outros dois radares capazes de rastrear mil alvos

A modernização da vigilância aérea argentina avançou em 15 de abril de 2026, quando o Exército anunciou a entrada em serviço de dois radares móveis RPA-200M, fabricados pela empresa nacional INVAP. Segundo o governo, cada sistema pode detectar e acompanhar simultaneamente mais de mil alvos.

Essas unidades são radares móveis destinados ao Exército, diferentes da instalação fixa de San Pedro, apresentada em 2025. O comunicado de abril descreveu equipamentos transportáveis, capazes de trabalhar com equipes reduzidas e de transmitir dados para centros de comando. A incorporação amplia a modernização nacional da vigilância, sem estabelecer uma nova instalação dessas duas unidades em Misiones.

Para o Brasil, a nova vigilância se concentra numa fronteira que pode ser cruzada a pé

Do lado brasileiro, o trecho mais próximo das ações de controle em Bernardo de Irigoyen envolve Dionísio Cerqueira (SC) e Barracão (PR), municípios ligados à localidade argentina pelo cotidiano de moradores, comércio e circulação de veículos. Qualquer mudança relevante na fiscalização do lado argentino afeta diretamente o ambiente de travessias e a necessidade de comunicação entre autoridades dos dois países.

A vigilância aérea e o policiamento terrestre têm funções diferentes. O radar busca identificar movimentos no céu argentino; as forças de segurança procuram controlar corredores terrestres e passagens de fronteira. A resposta brasileira a problemas transfronteiriços também inclui cooperação com países vizinhos, como prevê sua própria política de proteção de fronteiras.

Brasil e Argentina seguem mantendo cooperação militar: em outubro de 2026, seus Exércitos participaram de atividades conjuntas no Rio Grande do Sul, com blindados e outras unidades argentinas. Na fronteira de Misiones, permanece o desafio descrito pelas autoridades argentinas: vigiar uma divisa que atravessa bairros, estradas e trechos de mata sem interromper o trânsito legal entre as comunidades.

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