Uma jovem copiloto brasileira enfrentava uma emergência a bordo de um jato executivo quando realizou suas últimas comunicações com o controle de tráfego aéreo. Após o acidente, que deixou nove mortos na Flórida, suas palavras passaram a ser questionadas nas redes sociais. A reação veio de uma das maiores autoridades da aviação americana: o chefe da NASA.
Jared Isaacman, piloto com mais de 8 mil horas de voo e experiência em aeronaves militares, saiu publicamente em defesa de Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, que morreu na queda de um Learjet 60 em 1º de novembro.
Chefe da NASA reage às críticas contra copiloto brasileira

As críticas surgiram após a divulgação das comunicações de rádio realizadas durante a emergência do Learjet. Internautas passaram a questionar a atuação da jovem, que ocupava o posto de copiloto.
Isaacman reagiu em uma publicação em sua conta pessoal no X, em 2 de novembro. Ele ressaltou que Nathalia estava cumprindo sua função como segunda em comando, mantendo contato com os controladores durante uma situação extremamente grave.
O chefe da NASA também recordou experiências envolvendo pilotos militares que perderam a vida em acidentes, mesmo acumulando milhares de horas de voo. Sua comparação destacou que nem mesmo profissionais altamente experientes estão livres de emergências fatais.
Para Isaacman, julgar as comunicações da jovem sem conhecer as condições enfrentadas pela tripulação é precipitado. Os investigadores ainda precisam esclarecer o que ocorreu dentro da cabine e quais fatores provocaram o acidente.
A intervenção também chamou atenção para a trajetória de Nathalia. Nascida na Flórida, mas com cidadania brasileira, ela havia iniciado sua formação aeronáutica ainda na adolescência.
Aos 17 anos já possuía licença de piloto e, segundo informações divulgadas pela imprensa americana, acumulava mais de 1.300 horas de voo. Apesar da pouca idade, já tinha experiência considerável na aviação.
Isaacman criou empresa que recebeu US$ 280 milhões para treinar pilotos de combate
A experiência de Isaacman inclui habilitações em aeronaves militares como o MiG-29, F-5 Tiger e A-4 Skyhawk, conforme sua biografia oficial na NASA.
Em 2011, ele cofundou a Draken International, empresa especializada em simular forças aéreas inimigas durante exercícios de treinamento de pilotos de combate das Forças Armadas americanas.

A companhia recebeu, em 2018, um contrato de US$ 280 milhões com a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) para prestar serviços de treinamento na Base Aérea de Nellis, em Nevada.
Isaacman vendeu sua participação na empresa em 2019. Embora não haja confirmação de que tenha atuado pessoalmente como instrutor militar, sua trajetória reúne experiência prática com aeronaves de combate e participação na criação de uma companhia dedicada à preparação de pilotos militares.
Investigação aponta que jato pode ter se partido antes de atingir o solo
A queda do Learjet já havia sido abordada em reportagem sobre o acidente nas proximidades da região protegida por sistemas antiaéreos em Mar-a-Lago. Não há evidência de envolvimento desses armamentos na tragédia.
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Agora, novos indícios divulgados pelos investigadores americanos levantam questões sobre os momentos finais da aeronave.
O Learjet 60 havia partido de Austin, no Texas, com destino às Bahamas. Durante o trajeto, a tripulação relatou formação de gelo e condições meteorológicas adversas antes de declarar emergência.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, o jato apresentou uma taxa de descida de aproximadamente 10 mil pés por minuto, que chegou a 22 mil pés por minuto nos instantes anteriores à queda.
Além do descenso extremo, a Junta Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) identificou indícios de que partes da aeronave podem ter se desprendido ainda durante o voo.
O jato caiu nas proximidades de uma área residencial do condado de Palm Beach. Todas as nove pessoas a bordo morreram.
Os investigadores analisam os destroços, os registros de manutenção, as condições meteorológicas e a possibilidade de recuperar o gravador de voz da cabine.
A causa do acidente ainda não foi determinada. A hipótese de ruptura da aeronave em pleno voo permanece sob investigação, sem conclusões definitivas sobre eventuais falhas ou responsabilidades da tripulação.
A descoberta reforça a importância de esclarecer o que aconteceu antes do impacto, justamente quando as comunicações da jovem copiloto passaram a ser alvo de críticas públicas.