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EUA destinam US$ 694 milhões à produção de míssil hipersônico acima de Mach 5, enquanto o Brasil enfrenta falta de recursos para concluir a integração de míssil nacional de 70 km ao ASTROS

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher 02/11/2026 às 10:02
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EUA destinam US$ 694 milhões à produção de míssil hipersônico acima de Mach 5, enquanto o Brasil enfrenta falta de recursos para concluir a integração de míssil nacional de 70 km ao ASTROS
À esquerda, militares americanos preparam o míssil hipersônico AGM-183A para testes em um bombardeiro B-52; à direita, lançamento experimental do míssil brasileiro MANSUP a partir de uma viatura ASTROS. Fotos: Giancarlo Casem/U.S. Air Force e SIATT/ Aprimorada via I.A

Enquanto os Estados Unidos destinam US$ 694 milhões à produção de um míssil hipersônico capaz de superar Mach 5, a Marinha do Brasil enfrenta dificuldades financeiras para concluir a integração do MANSUP, armamento nacional com alcance de 70 quilômetros, ao sistema ASTROS. Os dois projetos avançam em ritmos diferentes e evidenciam os desafios de transformar tecnologias militares em capacidades operacionais.

Em 27 de outubro, a Lockheed Martin anunciou um contrato de US$ 694 milhões com a Força Aérea dos Estados Unidos para produzir o AGM-183A Air-Launched Rapid Response Weapon (ARRW), míssil hipersônico desenvolvido para atingir alvos estratégicos protegidos por sistemas modernos de defesa.

O acordo foi formalizado em 29 de setembro e representa a passagem do programa americano da fase de testes para a produção.

No Brasil, a situação é diferente. O Míssil Antinavio Nacional de Superfície (MANSUP) já foi lançado experimentalmente de uma viatura ASTROS, mas sua integração completa à plataforma terrestre continua dependendo de recursos.

A dificuldade foi detalhada pelo portal Zona Militar em 23 de outubro, com base em informações obtidas junto a fontes ligadas ao projeto brasileiro.

EUA liberam US$ 694 milhões para produzir míssil hipersônico lançado por bombardeiros B-52

O AGM-183A foi desenvolvido para ampliar a capacidade americana de atacar alvos estratégicos a grandes distâncias, utilizando velocidades superiores a cinco vezes a velocidade do som.

O armamento será transportado inicialmente por bombardeiros B-52 Stratofortress, aeronaves de longo alcance que já participaram dos testes do programa.

Seu funcionamento combina um propulsor de combustível sólido, responsável pela aceleração inicial, e um veículo planador hipersônico que se separa durante o voo e segue em direção ao alvo.

A velocidade superior a Mach 5, associada à capacidade de manobra, busca reduzir o tempo de reação das defesas inimigas.

O contrato também representa uma recuperação importante para o programa.

Em 2023, depois de uma sequência de testes problemáticos, a própria Força Aérea americana havia decidido interromper os planos de aquisição do ARRW e concentrar recursos em outras armas hipersônicas.

A situação mudou em 2025, quando a instituição voltou a defender a compra do equipamento e incluiu recursos para o programa no orçamento de 2026.

Agora, a Lockheed Martin prepara a ampliação de sua fábrica em Troy, no Alabama, onde serão produzidos os novos armamentos.

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A empresa anunciou investimentos próprios de US$ 67 milhões em instalações e equipamentos, além da expansão de aproximadamente 4.370 metros quadrados que deverá triplicar o espaço de produção destinado ao ARRW.

O Pentágono ainda não divulgou quantos mísseis serão adquiridos nem quando ocorrerão as primeiras entregas.

Brasil lançou míssil de 70 km pelo ASTROS em 2024, mas integração continua incompleta

A situação brasileira envolve um projeto com características e objetivos diferentes.

O MANSUP foi desenvolvido para atingir embarcações inimigas e possui alcance aproximado de 70 quilômetros, utilizando navegação inercial e radar ativo na fase final do voo.

Em 17 de dezembro de 2024, a Marinha realizou um lançamento experimental do armamento a partir de uma viatura ASTROS do Corpo de Fuzileiros Navais.

O teste ocorreu na Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, com participação da empresa brasileira SIATT e apoio do Centro de Avaliações do Exército.

A demonstração comprovou a possibilidade de utilizar uma lançadora originalmente projetada para foguetes de artilharia como plataforma terrestre de mísseis antinavio.

Para a Marinha, a adaptação permitiria posicionar baterias móveis no litoral e atingir embarcações hostis a partir de posições em terra.

O projeto teve outro avanço em outubro de 2025, quando a SIATT recebeu a primeira viatura ASTROS destinada à modernização para operar o MANSUP e sua versão de alcance estendido.

Entretanto, informações divulgadas pelo Zona Militar mostram que a configuração utilizada na demonstração inicial ainda não representava um sistema completamente integrado.

Na ocasião, o console responsável pelo lançamento permaneceu fora da cabine, sem conexão com os sistemas internos da viatura.

A conclusão da integração exige modificações eletrônicas, adaptação dos controles e novos ensaios para validar o funcionamento conjunto dos equipamentos.

Falta de recursos mantém projeto dos Fuzileiros Navais sem previsão de conclusão

Segundo o jornalista Angelo Nicolaci, correspondente do Zona Militar no Brasil, a continuidade dos trabalhos depende da obtenção de recursos pelo Corpo de Fuzileiros Navais.

O obstáculo financeiro afeta especificamente a integração do MANSUP à plataforma ASTROS, e não significa que todo o desenvolvimento do míssil brasileiro esteja paralisado.

O programa nacional já alcançou avanços importantes.

Em julho de 2025, a Marinha contratou um lote inicial de 16 mísseis MANSUP junto à SIATT, destinados ao emprego naval, incluindo as novas fragatas da classe Tamandaré.

A indústria brasileira também desenvolve o MANSUP-ER, versão de alcance estendido projetada para atingir alvos a distâncias superiores a 200 quilômetros.

No caso das lançadoras terrestres, porém, ainda são necessários investimentos para transformar o conceito demonstrado em um sistema operacional dos Fuzileiros Navais.

A iniciativa busca aproveitar equipamentos já utilizados pela corporação, ampliando as possibilidades de defesa da costa brasileira sem depender exclusivamente de navios de guerra.

Os trabalhos envolvem uma solução nacional, com participação de empresas brasileiras e aproveitamento da experiência acumulada no desenvolvimento do ASTROS e dos mísseis antinavio.

Enquanto americanos ampliam produção, programa brasileiro ainda precisa concluir testes

A diferença entre os dois projetos aparece principalmente nas etapas de execução.

Nos Estados Unidos, o AGM-183A recebeu um contrato de produção após anos de desenvolvimento, testes e mudanças nas prioridades de financiamento.

No Brasil, o MANSUP já demonstrou capacidade de lançamento a partir do ASTROS, mas ainda precisa concluir a integração eletrônica e operacional necessária ao emprego regular da plataforma terrestre.

O financiamento desses trabalhos permanece como uma questão central para o projeto dos Fuzileiros Navais.

Os programas também envolvem escalas distintas de investimento e aplicações militares diferentes. O ARRW é destinado a ataques hipersônicos de longo alcance, enquanto o MANSUP foi concebido para combater alvos navais.

A Lockheed Martin informou que a expansão de sua unidade no Alabama será acompanhada por novas contratações ao longo dos próximos quatro anos.

Já a integração do MANSUP ao ASTROS, segundo as informações publicadas em outubro, continua sem cronograma confirmado para conclusão dos trabalhos ou entrada em serviço.

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1 Comentário
Jozimar
Jozimar
02/11/2026 11:57

A diferença nesse caso é que os governos americanos sugam o mundo, enquanto aqui os governos sugam o povo brasileiro, não sobrando nada pra nada.