O coronel Douglas Caus deixou o comando-geral da Polícia Militar do Espírito Santo em abril de 2026 para disputar uma vaga de deputado estadual, mas continuou utilizando escolta policial e veículo oficial. Em julho, a proteção virou motivo de confronto na Assembleia Legislativa, com deputados questionando a presença de agentes públicos durante deslocamentos do então pré-candidato.
O governo estadual reconheceu a existência da escolta e defendeu sua legalidade. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), uma análise de Inteligência classificou como alto o risco à vida do ex-comandante, que havia passado quase seis anos à frente da corporação.
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O episódio foi revelado em reportagens de A Gazeta e Século Diário, publicadas em 7 de julho. A discussão ocorreu antes das eleições de outubro, nas quais Caus acabou como suplente.
Deputado mostrou vídeo de carro oficial e escolta no plenário
Na sessão de 6 de julho, o deputado Coronel Weliton apresentou imagens de Caus entrando em um veículo na região de Alegre, onde funciona o 3º Batalhão da PM. Segundo o parlamentar, o carro e os policiais que acompanhavam o ex-comandante estariam sendo utilizados em visitas de caráter partidário.

Weliton alegou que policiais retirados de unidades para compor a escolta faziam falta ao serviço cotidiano. Questionou ainda por que outros militares candidatos não recebiam proteção semelhante. Essas declarações foram apresentadas como denúncias parlamentares, sem comprovação independente de desvio de finalidade.
Placa reservada provocou novas acusações entre deputados
O deputado Danilo Bahiense, então presidente da Comissão de Segurança, informou que havia recebido questionamentos sobre outro veículo. Disse que a placa apresentada não aparecia nas consultas feitas aos sistemas disponíveis e cobrou esclarecimentos sobre os gastos com combustível, viaturas e efetivo.
Camila Valadão manifestou disposição de assinar um requerimento de informações. Outros parlamentares também criticaram a medida. A discussão misturou duas questões: a legitimidade da proteção pessoal concedida ao coronel e a suspeita, levantada na Assembleia, de que agentes pudessem participar de atividades eleitorais.
Secretaria afirma que Inteligência reconheceu ameaça à vida
A Sesp informou que recebeu o pedido de Caus em abril, após a saída do comando. O requerimento foi analisado pela área de Inteligência, que identificou risco elevado em razão das funções exercidas pelo oficial.
A secretaria declarou que “a quantidade de policiais e viaturas designados à escolta atende a critérios técnicos”. Também explicou que veículos empregados em proteção de autoridades utilizam placas reservadas, cuja consulta pública pode ser restringida por razões de segurança.
Na resposta à imprensa, o governo citou a Lei Estadual nº 10.794/2017 e a Lei Federal nº 12.694/2012 como fundamentos para a concessão. A nota não divulgou o número de agentes, a escala de serviço nem o custo detalhado do esquema.
Caus nega uso eleitoral e relaciona proteção a ameaças
Procurado por A Gazeta, Caus afirmou que enfrentou ameaças durante seus 36 anos de carreira e que a atuação contra facções criminosas teria aumentado seu risco pessoal. A escolta já existia enquanto comandava a PM e seria encerrada quando ele deixasse o posto; por isso, solicitou sua continuidade.
O coronel negou que os policiais participassem de sua pré-campanha. Afirmou que a equipe estava encarregada exclusivamente de preservar sua integridade e criticou a divulgação de imagens e informações capazes de expor os deslocamentos protegidos.
Ex-comandante deixou a PM em abril e terminou eleição como suplente
A PMES confirmou a passagem de comando em 2 de abril, quando Caus entregou a função ao coronel Ríodo Lopes Rubim, após quase seis anos no cargo.
Em 4 de outubro, Caus concorreu pelo Podemos e recebeu 16.720 votos para deputado estadual, mas não conquistou uma das vagas. O resultado eleitoral o registra como suplente.
Nas fontes públicas consultadas até novembro, não foi localizada decisão definitiva que declarasse irregular a escolta, nem confirmação atualizada sobre sua continuidade após a eleição. O pedido de esclarecimentos sobre os recursos utilizados permanece como questão distinta da avaliação de risco que fundamentou a proteção.