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Brasil recebe tecnologia chinesa para projeto de R$ 200 milhões com participação do Exército e fornecedora ligada à indústria militar

Dois computadores chineses chegaram ao Brasil; comandante do Exército impulsionou acordo e fornecedor tem vínculos com indústria militar da China.

Brasil recebe tecnologia chinesa para projeto de R$ 200 milhões com participação do Exército e fornecedora ligada à indústria militar
Pesquisadores trabalham na infraestrutura de supercomputação ligada ao projeto quântico europeu Euro-Q-Exa, na Alemanha. Imagem ilustrativa; os equipamentos chineses destinados ao Brasil são diferentes. Foto: Sebastian Widmann / União Europeia. Fotografia: Sebastian Widmann / União Europeia. Licença CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

O Brasil acaba de receber dois computadores avançados da China para um projeto estratégico de R$ 200 milhões que conta com a participação do Exército Brasileiro. Os equipamentos chegaram ao país na quinta-feira (5) e foram fornecidos por uma empresa vinculada a um conglomerado estatal que também desenvolve tecnologia para as Forças Armadas chinesas.

A operação vai além de uma aquisição científica. O próprio comandante do Exército, general Tomás Paiva, impulsionou a cooperação com o projeto, enquanto a fornecedora pertence ao universo empresarial de um grupo classificado pelo Pentágono como empresa militar chinesa.

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Os computadores desembarcaram no Porto de Suape, em Pernambuco, e têm como destino João Pessoa, na Paraíba. A iniciativa pretende desenvolver conhecimentos estratégicos e reduzir a dependência brasileira de tecnologias estrangeiras.

Brasil recebe dois computadores chineses para desenvolver tecnologia estratégica

As máquinas são computadores quânticos, de 20 e 100 qubits. Apesar do nome complicado, a explicação é simples: são equipamentos experimentais que utilizam propriedades da física para realizar determinados tipos de cálculos de maneira diferente dos computadores tradicionais.

Essa tecnologia poderá ajudar pesquisadores a desenvolver novos materiais, estudar problemas complexos de logística e buscar soluções avançadas de segurança digital.

Para a defesa nacional, o interesse está nessas aplicações futuras e na possibilidade de formar especialistas capazes de desenvolver tecnologia própria. Isso não significa que os computadores já possam decifrar comunicações militares ou executar operações de defesa.

Segundo informações divulgadas pelo Portal Correio em 6 de novembro, os equipamentos serão instalados no Centro Internacional de Computação e Tecnologias Quânticas (CIQUANTA), com participação de técnicos chineses e pesquisadores brasileiros treinados na China.

Nesta sexta-feira (6), as máquinas ainda aguardavam liberação aduaneira em Suape. A previsão é concluir a instalação e os testes para iniciar o funcionamento regular em janeiro de 2027.

O investimento anunciado de R$ 200 milhões corresponde ao projeto completo, incluindo equipamentos e infraestrutura. Além disso, a parceria prevê transferência de conhecimentos para que pesquisadores brasileiros possam desenvolver suas próprias soluções.

Comandante do Exército impulsionou acordo com projeto de R$ 200 milhões

A participação militar começou antes da chegada das máquinas.

Em 18 de março de 2026, o Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) do Exército assinou um protocolo de cooperação com o Governo da Paraíba.

De acordo com o jornal oficial A União, na edição de 19 de março, página 4, o general Tomás Paiva conheceu a iniciativa em fevereiro e determinou que as conversas fossem aprofundadas.

O general Hertz Pires do Nascimento, então chefe do DCT, explicou que o projeto está alinhado a pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro.

O Exército já estuda tecnologias destinadas a proteger comunicações estratégicas e dificultar interceptações. Em 2025, o IME realizou experimentos com sistemas de comunicação quântica.

Essas pesquisas são diferentes da computação realizada pelos equipamentos chineses. Não há confirmação de que as novas máquinas serão incorporadas diretamente a sistemas militares.

O interesse também ganha relevância diante dos problemas de pessoal e orçamento enfrentados pela defesa cibernética brasileira.

O protocolo é de cooperação científica e tecnológica. Portanto, não significa que o Exército tenha comprado os computadores ou destinado R$ 200 milhões de seu orçamento à iniciativa.

Fornecedora chinesa integra grupo da indústria militar citado pelo Pentágono

A origem dos equipamentos acrescenta uma dimensão geopolítica ao projeto.

A fornecedora é a CETC-IQC, vinculada à China Electronics Technology Group Corporation (CETC), conglomerado estatal que atua em tecnologias civis e militares.

O grupo desenvolve equipamentos eletrônicos, radares, sistemas de comunicação e outras soluções utilizadas na defesa chinesa. Em sua apresentação institucional, a própria CETC se identifica como uma das principais forças da indústria eletrônica militar do país.

Além disso, a empresa aparece em uma relação publicada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos em junho de 2026.

O documento americano classifica a CETC como empresa militar chinesa e identifica vínculos com organismos governamentais e com o Exército Popular de Libertação da China.

Isso não significa que os computadores sejam armamentos ou que exista acesso chinês a informações militares brasileiras. A ligação documentada está na estrutura empresarial da fornecedora.

O projeto já havia sido apresentado anteriormente, quando o Brasil preparava a instalação do centro tecnológico em parceria com a China.

Agora, com os equipamentos em território brasileiro e a cooperação com o Exército formalizada, a iniciativa entra em uma nova etapa.

Brasil passa a contar com tecnologia avançada fornecida por um grupo ligado à defesa chinesa, enquanto busca desenvolver conhecimento próprio em uma área estratégica para as maiores potências militares do mundo.

Na sua opinião, parcerias com empresas estrangeiras ligadas à indústria militar podem fortalecer a autonomia tecnológica das Forças Armadas brasileiras? Deixe sua opinião nos comentários.

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