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Exército Brasileiro construiu ponte militar flutuante de 283 metros sobre um rio no Sul do país, capaz de receber blindados, e bateu recorde na América Latina após 13 dias de preparação e montagem

Em 2015, o Exército montou uma ponte militar flutuante de 283 metros no Rio Jacuí, com 56 flutuadores e capacidade para veículos de classe 50. A marca histórica foi superada em 2016, no mesmo local.

Marcos
Por Marcos 08/11/2026 às 12:18
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Exército Brasileiro construiu ponte militar flutuante de 283 metros sobre um rio no Sul do país, capaz de receber blindados, e bateu recorde na América Latina após 13 dias de preparação e montagem
Ponte militar flutuante M4T6 de 283 metros construída pelo Exército Brasileiro sobre o Rio Jacuí, em Cachoeira do Sul (RS), durante a Operação Jacuí II, em 2015. Fonte: Exército Brasileiro.

O Exército Brasileiro construiu uma ponte militar flutuante de 283 metros sobre o Rio Jacuí, em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, e estabeleceu uma marca para o sistema M4T6 na América Latina. A estrutura tinha largura suficiente para a passagem de viaturas pesadas e foi concluída em 13 de novembro de 2015, após 13 dias de trabalhos de preparação e montagem.

O resultado da Operação Jacuí II foi registrado pelo Departamento de Engenharia e Construção do Exército no Informativo Especial nº 214/2015. Segundo o documento, a ponte era a maior estrutura militar flutuante já lançada no Brasil naquele momento e a maior do tipo M4T6 montada na América Latina.

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Para cruzar o rio, os militares combinaram 56 flutuadores, peças adaptadas de outra equipagem de pontes e um tabuleiro com 4,20 metros de largura. A passagem foi dimensionada para viaturas de até classe 50, incluindo veículos blindados compatíveis com esse limite.

Militares do Exército Brasileiro trabalham na preparação e montagem dos módulos flutuantes do sistema M4T6, utilizados na construção da ponte militar de 283 metros sobre o Rio Jacuí, em Cachoeira do Sul (RS). Fonte: Exército Brasileiro.

56 flutuadores formaram uma estrada de 283 metros sobre a água

A construção ligou a região da Rua Moron à Praia Nova, em Cachoeira do Sul. Em vez de pilares fixos enterrados no leito do rio, a travessia utilizava módulos sustentados por flutuadores, unidos para formar uma via contínua de uma margem à outra.

Entre os 56 elementos flutuantes, cinco eram bifloats da equipagem Bailey adaptados para funcionar em conjunto com o sistema M4T6. A solução foi desenvolvida pelo segundo-sargento Sandro Roberto Tatsch, do 3º Batalhão de Engenharia de Combate, unidade sediada no município.

A adaptação foi uma parte decisiva da montagem. Com equipamentos de tipos diferentes operando no mesmo conjunto, a engenharia conseguiu completar a extensão necessária para atravessar o Jacuí sem depender da construção de uma ponte permanente.

Vista aérea da ponte militar flutuante de 283 metros construída pelo Exército Brasileiro sobre o Rio Jacuí, em Cachoeira do Sul (RS), durante a Operação Jacuí II, realizada em novembro de 2015. Fonte: Exército Brasileiro.

Cinco cidades gaúchas enviaram tropas de engenharia para a operação

O trabalho reuniu organizações militares especializadas em pontes, travessias e apoio à movimentação terrestre. A coordenação ficou sob responsabilidade do núcleo do 4º Grupamento de Engenharia, enquanto o 3º Batalhão de Engenharia de Combate liderou a execução.

Também participaram o 6º Batalhão de Engenharia de Combate, de São Gabriel, e o 12º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado, de Alegrete. Companhias de engenharia de São Borja e Dom Pedrito reforçaram a operação, além de militares em formação vinculados ao 5º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado, de Porto União, em Santa Catarina.

As equipes precisaram preparar os acessos nas margens, posicionar os módulos, montar o tabuleiro e garantir a continuidade da passagem. Os 13 dias informados na cobertura da época abrangem todo esse período de trabalho, e não apenas o encaixe final dos flutuadores.

Travessia foi aberta ao meio-dia para demonstrar a capacidade militar

Em 13 de novembro de 2015, ao meio-dia, a ponte foi oficialmente aberta durante uma operação de transposição de curso d’água acompanhada por autoridades civis e militares. A travessia demonstrou como as unidades de engenharia podiam criar uma rota temporária para a movimentação de tropas e equipamentos.

Viatura blindada de combate do Exército Brasileiro realiza travessia sobre a ponte flutuante M4T6 durante a Operação Jacuí II, demonstrando a capacidade da estrutura de suportar veículos militares pesados. Fonte: Exército Brasileiro.

Para uma força terrestre, atravessar um rio largo pode exigir mais do que transportar soldados em embarcações. Caminhões de suprimentos, veículos de apoio e blindados precisam chegar à outra margem para manter a movimentação das unidades. A estrutura M4T6 permitia concentrar esse tráfego em uma única passagem montada pelos próprios militares.

A classificação de carga 50 definia o limite operacional divulgado para aquela configuração da ponte. Não era uma autorização para qualquer blindado atravessá-la: o peso e as condições de operação de cada viatura precisavam respeitar a capacidade da estrutura.

Exército começou a preparar a operação meses antes da montagem da ponte

A construção da ponte de 283 metros começou a ser preparada muito antes dos 13 dias de trabalho às margens do Rio Jacuí. Em agosto de 2015, o 3º Batalhão de Engenharia de Combate recebeu 78 tubos pneumáticos e seus acessórios, fornecidos pela empresa Zodiac, que permitiriam montar 26 meio flutuadores do sistema M4T6.

O material foi destinado à recuperação da capacidade operacional de construção de pontes da unidade, justamente para a operação prevista para o fim daquele ano. Com os equipamentos disponíveis, os militares puderam ampliar a estrutura utilizando também componentes adaptados de outros sistemas.

Em novembro, o resultado apareceu sobre as águas do Jacuí. A engenharia militar brasileira conseguiu estabelecer uma travessia temporária de quase três campos de futebol de extensão, demonstrando a capacidade do Exército de mobilizar equipamentos e construir passagens para veículos pesados em locais sem pontes permanentes.

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