Um navio de guerra de 24 metros, sem um único marinheiro a bordo, preparado para carregar mísseis antinavio e um canhão de 30 mm. Esse é o Vanta 24, projeto anunciado em 3 de novembro de 2026 pela empresa europeia STARK Defence. A embarcação foi concebida para patrulhar o Mar Báltico, acompanhar navios suspeitos, proteger cabos submarinos e navegar junto de forças da OTAN. A fabricante pretende levá-la à água pela primeira vez em 2027.
Os números divulgados para o projeto são expressivos: aproximadamente 24 metros de comprimento, até 50 toneladas de capacidade de carga e velocidade superior a 35 nós, equivalente a cerca de 65 km/h. Com radar para observar o mar e o espaço aéreo, a plataforma poderá executar tarefas de vigilância e escolta durante semanas, segundo a STARK. Essas são capacidades previstas para a futura embarcação, ainda sem testes operacionais públicos do modelo de 24 metros.
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A empresa alemã apresentou a novidade no momento em que países europeus ampliam a proteção de rotas marítimas e infraestrutura submersa. No Báltico, embarcações suspeitas e danos a cabos de energia e comunicação passaram a exigir patrulhamento contínuo. O Vanta 24 foi pensado para assumir parte das tarefas que hoje mobilizam fragatas com tripulações numerosas.
Mísseis antinavio, canhão de 30 mm e radar estão no projeto do Vanta 24
O Vanta 24 terá configuração adaptável às missões. A STARK prevê espaço para mísseis antinavio, canhão naval de 30 mm e radar de longo alcance, capaz de acompanhar ameaças na superfície e no ar. O equipamento poderá ser utilizado na escolta de navios militares, na defesa de infraestrutura estratégica e em missões ofensivas autorizadas pelo comando responsável.
O peso de carga anunciado, de até 50 toneladas, abre margem para diferentes conjuntos de sensores, sistemas de comunicação e armamentos. A fabricante ainda não divulgou a configuração final de uma unidade entregue a cliente, nem especificou qual modelo de míssil antinavio será integrado. Essa definição depende de testes, integração técnica e dos requisitos de eventuais compradores.
O projeto também contempla operação à frente de um grupo naval que inclua porta-aviões, utilizando o radar e os sensores para ampliar a vigilância antes da chegada dos navios maiores. Uma embarcação menor, enviada para uma área de risco, pode transmitir informações sobre contatos marítimos sem expor uma tripulação no mesmo ponto.
Sem tripulação, embarcação poderá superar 65 km/h e permanecer semanas no mar
A STARK desenhou o casco para suportar baixas temperaturas, presença de gelo e ondas curtas e íngremes, características de áreas do Mar Báltico. O plano inclui missões no Mar do Norte, Atlântico Norte e nas águas mais setentrionais da Europa. A fabricante anuncia velocidade superior a 35 nós, mas ainda precisará demonstrar esse desempenho com a embarcação de tamanho completo.
Há outra exigência além da velocidade. Um barco que vigia um cabo submarino precisa permanecer próximo ao local por longos períodos, mesmo com mudanças de vento e de maré. A empresa afirma que o Vanta 24 está sendo projetado para semanas de permanência em operação, com autonomia suficiente para acompanhar embarcações suspeitas ao longo de diferentes trechos do litoral europeu.
Os 24 metros tornam o futuro modelo quatro vezes mais comprido que o Vanta 6, embarcação menor já apresentada pela companhia. O aumento de tamanho permite imaginar uma missão diferente: o barco de seis metros concentra sensores de reconhecimento; o Vanta 24 acrescenta espaço para um armamento naval mais pesado e para operações prolongadas.
Cabos submarinos e petroleiros da chamada “frota fantasma” motivam as patrulhas
A STARK aponta como uma das missões centrais o acompanhamento de petroleiros associados à chamada “frota fantasma” russa, expressão usada para designar redes de embarcações envolvidas no transporte de petróleo sob restrições e sanções. A intenção é manter esses navios sob observação no Báltico, no Canal da Mancha e no Mar do Norte, preservando meios tripulados para outras operações.

O mesmo barco poderá patrulhar áreas onde passam cabos de internet, energia e dutos submarinos. Esses equipamentos permanecem fora da vista de quem está na superfície, mas qualquer dano pode interromper serviços em vários países. A presença de uma plataforma não tripulada com radar e sensores amplia a capacidade de observar movimentos nas proximidades das rotas críticas.
Em janeiro de 2025, após uma série de episódios envolvendo infraestrutura submarina, a OTAN lançou a atividade Baltic Sentry, reunindo fragatas, aeronaves de patrulha e drones navais para aumentar a vigilância na região. A fabricante situa o Vanta 24 dentro dessa demanda por meios que consigam permanecer no mar com menor necessidade de pessoal.
Oito países da OTAN decidiram acelerar novos sistemas após testes com 70 drones
O interesse europeu pelos barcos autônomos já passou das apresentações industriais. Em 12 de fevereiro de 2026, oito aliados — Dinamarca, Estônia, Finlândia, Alemanha, Letônia, Lituânia, Polônia e Suécia — anunciaram uma cooperação para acelerar a aquisição de tecnologias destinadas à segurança marítima no Báltico.
A aliança informou que a iniciativa Task Force X-Baltic havia permitido testar 70 drones aéreos e marítimos entre março e outubro de 2025, em conjunto com meios navais tradicionais. Os exercícios avaliaram como sensores e ferramentas de análise podem melhorar a detecção de movimentos suspeitos e a proteção de estruturas submersas.
O Vanta 24 é uma proposta de fabricante dentro desse mercado em expansão. O anúncio da STARK não equivale a uma compra do novo modelo pela OTAN ou pelas Marinhas participantes do programa. O estágio atual é de desenvolvimento, com a estreia no mar projetada para 2027.
Software Minerva permite supervisionar três embarcações da família Vanta
Retirar os marinheiros de bordo exige levar o comando para outro local. A STARK desenvolveu o software Minerva para organizar as rotas, compartilhar dados dos sensores e integrar embarcações não tripuladas aos sistemas usados por forças aliadas. A empresa afirma que um único operador poderá controlar três veículos da família Vanta em conjunto.

A automação prevista abrange navegação e execução de tarefas previamente definidas, com supervisão humana. A seleção de armamentos, regras de engajamento e autorização de disparos fazem parte de uma cadeia militar de comando que exige controles específicos; a fabricante não apresentou um registro de emprego operacional do Vanta 24 armado.
O objetivo comercial é oferecer um conjunto de barcos que se complementem: os modelos menores podem ampliar a observação de uma área; a plataforma de 24 metros acrescentaria sensores de maior porte e capacidade de combate. Uma fragata convencional manteria sua tripulação e seus armamentos, mas deixaria de ser a única opção disponível para acompanhar um contato distante por muitos dias.
A Alemanha já recebeu um Vanta menor, e estaleiro prepara produção da família
Antes do anúncio do Vanta 24, a companhia entregou à Bundeswehr, em agosto de 2026, uma embarcação de seis metros baseada na família Vanta. Batizada de Seetaube, ela foi concebida como plataforma de reconhecimento com câmeras, radar e sensores. O Exército alemão informou que o equipamento passaria por treinamento dos operadores e ensaios no mar antes de entrar em serviço.
O projeto Seetaube dá à fabricante experiência com uma embarcação realmente entregue, embora menor e de finalidade diferente. Em setembro, a STARK e o estaleiro alemão Flensburger Shipyard (FSG) assinaram uma carta de intenções para estudar a fabricação de sistemas navais não tripulados da família Vanta em Flensburg.
A parceria busca reunir software de navegação, conhecimento naval e instalações industriais. Para construir um barco de 24 metros que opere por semanas em águas frias, serão necessários testes de resistência, integração de radar, propulsão, comunicações e certificações aplicáveis ao uso militar.
Primeiro lançamento em 2027 será a prova decisiva para o navio sem marinheiros
O Vanta 24 entra agora na fase em que a apresentação precisa se transformar em embarcação real. O plano divulgado é realizar seu primeiro lançamento em 2027. A STARK não anunciou, junto com a apresentação de 3 de novembro, uma encomenda de série, preço definitivo por unidade ou resultado de disparo de míssil a partir desse novo modelo.
Os próximos passos envolverão construção, testes de mar, validação da autonomia e integração dos armamentos previstos. Só depois dessas etapas será possível conhecer o desempenho que o Vanta 24 realmente alcançará no Báltico.