Mais de 150 policiais mobilizados em oito estados, helicóptero, drones, cães farejadores e 14 alvos na Justiça. A Operação Serra do Cafezal começou na madrugada de sexta-feira, 6 de novembro de 2026, para atingir uma quadrilha investigada por roubos de cargas na Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), em São Paulo. A ofensiva reuniu a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Ministério Público paulista e a Polícia Civil. Até o primeiro balanço oficial, seis pessoas haviam sido presas.
O grupo suspeito agia num corredor usado diariamente por caminhões que transportam mercadorias entre estados. De acordo com a investigação, motoristas eram obrigados a parar perto de uma comunidade, onde as cargas acabavam retiradas dos veículos. Os agentes também apuraram saques de caminhões imobilizados por acidentes e problemas mecânicos em trechos da rodovia.
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Os mandados foram expedidos pela Justiça depois que informações levantadas pela PRF chegaram ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Ao lado dos investigadores, equipes de diferentes regiões do país passaram a cumprir as ordens judiciais. Cinco prisões decorreram de mandados; uma sexta ocorreu em flagrante durante uma busca.
Cinco presos por mandado e um em flagrante: espingarda, munições e rádios aparecem durante as buscas
O primeiro resultado divulgado pela PRF e pelo Ministério da Justiça somou cinco mandados de prisão cumpridos. Na execução de uma ordem de busca e apreensão, os policiais encontraram uma espingarda, munições e rádios comunicadores, situação que levou a outra prisão, em flagrante.
Os 14 alvos da operação representam o conjunto de medidas e investigados que a força-tarefa pretendia alcançar. O número não corresponde a 14 pessoas presas. As autoridades apresentaram o total de seis detenções como balanço preliminar da sexta-feira, sujeito a atualização conforme o cumprimento das demais diligências.
Na Grande São Paulo, a Polícia Civil informou que cinco investigados foram presos em Juquitiba por mandados de prisão temporária. A investigação abrange fatos atribuídos ao grupo em Juquitiba, São Lourenço da Serra, Itapecerica da Serra e Miracatu, localidades atravessadas ou conectadas ao corredor da BR-116.

Policiais de oito estados entraram na operação com helicóptero, drones, cães e motociclistas
A mobilização reuniu mais de 150 agentes provenientes de oito estados das regiões Nordeste, Sudeste e Sul. O esquema recebeu apoio de helicóptero, drones, equipes com cães farejadores e policiais em motocicletas, recursos úteis ao patrulhamento e às diligências em regiões com estradas, áreas rurais e acessos mais estreitos.
O Ministério Público de São Paulo participou com oito promotores de Justiça e servidores do Gaeco. A Polícia Civil empregou três equipes com mais de 20 policiais no cumprimento de três ordens judiciais. A PRF atuou com seus agentes e com as informações de inteligência que embasaram o pedido de mandados.
A força-tarefa foi anunciada com o nome Serra do Cafezal pela PRF. O Governo de São Paulo também divulgou a investigação policial sob o nome Operação Aóratos. Os comunicados descrevem o mesmo enfrentamento a roubos de carga na Régis Bittencourt, mas apresentam recortes diferentes das atividades e dos resultados.
Investigação de seis meses identificou roubos e saques de caminhões parados na BR-116
A etapa investigativa conduzida pelo Gaeco em conjunto com o Setor de Investigações Gerais (SIG), vinculado à Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Taboão da Serra, levou cerca de seis meses, conforme a divulgação da Agência SP.
Além de abordagens nas proximidades de uma comunidade, os investigadores suspeitam de ações contra caminhões que permaneciam parados após quebras mecânicas ou acidentes. Os veículos imobilizados e as cargas expostas representariam oportunidades para integrantes do grupo. As suspeitas envolvem mercadorias de diferentes tipos, sem uma lista pública detalhada das cargas.
Os cinco presos temporariamente em Juquitiba são investigados, segundo a Polícia Civil, por roubo majorado com emprego de arma de fogo, concurso de pessoas e restrição da liberdade das vítimas, além de furto qualificado, receptação e associação criminosa. A apuração prossegue para identificar outros possíveis participantes e esclarecer a responsabilidade individual pelos crimes.
PRF compartilhou informações com o Gaeco, e Redecarga apoiou a ação contra o roubo de cargas
A Operação Serra do Cafezal foi montada a partir do trabalho de inteligência da PRF. Os levantamentos chegaram ao Gaeco, que solicitou à Justiça os mandados para que as equipes policiais realizassem as buscas e as prisões previstas na investigação.
O Ministério da Justiça informou que a operação integra ações apoiadas pela Rede Nacional de Enfrentamento ao Roubo e Furto de Cargas (Redecarga). A rede busca conectar informações e iniciativas de diferentes órgãos, permitindo que investigações locais avancem com apoio de unidades policiais de outras regiões.
A participação de oito estados na força-tarefa mostra o alcance da mobilização, embora os comunicados iniciais não detalhem todas as localidades das diligências. O foco anunciado foi atacar um grupo suspeito de agir na Régis Bittencourt e em áreas próximas de rodovias federais.
Roubos e furtos de carga caíram 68,2% em cinco cidades da região antes da operação
Os registros de roubo e furto de cargas em Itapecerica da Serra, Cajati, Miracatu, Barra do Turvo e Juquitiba passaram de 132 ocorrências entre janeiro e setembro de 2025 para 42 no mesmo período de 2026. A queda foi de 68,2%, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo divulgados pela PRF.
A estatística considera todas as vias desses municípios, e não apenas os quilômetros da Régis Bittencourt. Também cobre os nove meses anteriores à operação de 6 de novembro. Portanto, a redução já havia ocorrido antes do cumprimento dos mandados e não é um resultado provocado pelas prisões daquela sexta-feira.

Na comparação estadual, os registros de roubo e furto de cargas recuaram 29,8% no mesmo intervalo, segundo a PRF. A Agência SP acrescentou outro recorte: na Grande São Paulo, os roubos de carga caíram de 887 para 604 casos entre janeiro e setembro, uma redução de 31,9%. Cada indicador corresponde a uma abrangência territorial e a uma classificação diferentes.
Operação continua sob investigação: próximos passos envolvem análise das apreensões e busca de outros suspeitos
Com seis detenções registradas no balanço inicial, as equipes encerraram a primeira etapa pública de uma operação construída ao longo de meses. Os materiais encontrados nas buscas poderão subsidiar as próximas diligências, enquanto a investigação verifica a participação de outros suspeitos nos roubos e na destinação das mercadorias.
Para motoristas que dependem da BR-116, o resultado esperado é maior segurança no transporte de carga ao longo da serra e nas conexões rodoviárias. O desdobramento da operação dependerá do andamento das investigações, das análises dos materiais apreendidos e das decisões judiciais sobre os investigados.