O Exército do Equador mantém viaturas militares Agrale Marruá fabricadas no Brasil em patrulhas na fronteira com a Colômbia, uma região marcada por operações contra grupos armados e pela vigilância de caminhos clandestinos. O emprego atual dos veículos 4×4 de reconhecimento foi detalhado em reportagem de outubro de 2026, quase 17 anos depois de o país receber suas primeiras unidades brasileiras.
A história ganhou um novo capítulo em 2026. Uma resolução oficial do Exército equatoriano incorporou ao plano anual de contratações US$ 299.999,92 para manutenção e proteção balística nível III de viaturas Marruá AM10-REC da 5ª Brigada de Infantaria “Guayas”. O valor é orçamento previsto para licitação, não comprovação de gasto ou de blindagem concluída.
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Paralelamente, militares do país acompanharam o desenvolvimento do Mammoth Mach-V, protótipo blindado construído sobre o chassi da mesma família Marruá. Os projetos mostram dois empregos do veículo de origem brasileira: patrulhamento com mobilidade em terreno difícil e possível transformação em plataforma protegida para operações de segurança.
Marruá brasileiro percorre áreas de difícil acesso na fronteira com a Colômbia
Segundo reportagem da Infodefensa publicada em 6 de outubro, o Exército equatoriano emprega o Marruá AM10 REC Euro II 4×4 em missões de reconhecimento, vigilância e patrulhamento na fronteira norte. A plataforma permite transportar pequenas equipes por estradas de terra e trechos onde viaturas convencionais encontram dificuldade.
As atividades incluem fiscalização de passagens informais, reconhecimento de rotas e apoio ao deslocamento de militares em operações contra estruturas armadas. O veículo também pode servir como posto móvel de observação, com equipamentos e pessoal perto dos pontos de controle.
A documentação pública não informa quantos Marruá continuam em condições de operação nem quais unidades estão destacadas em cada setor da fronteira. A reportagem confirma o emprego do modelo, mas não fornece um balanço atualizado da frota ou um novo contrato de compra.
Compra começou com 18 viaturas AM10 e foi seguida por lote de 12 AM20
Os primeiros Marruá chegaram ao Equador em 2009, quando o país recebeu 18 unidades AM10 REC da Agrale, fabricante instalada em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Os veículos foram adquiridos para apoiar as tropas encarregadas da fiscalização da fronteira com a Colômbia.
No mesmo ano, o governo equatoriano comprou um segundo lote de 12 viaturas do modelo AM20, destinado a tarefas diferentes de transporte e apoio. Os dois pedidos somavam 30 veículos, mas os números históricos não representam a quantidade de Marruá disponível ou mobilizada em 2026.

O Marruá nasceu para atender às necessidades das Forças Armadas brasileiras e ganhou operadores internacionais. A própria Agrale apresenta sua família 4×4 em configurações de reconhecimento, ambulância, transporte de tropas, comando e controle, adequadas a missões em terrenos de acesso limitado.
Modelo AM10 tem motor de 132 cv, autonomia de 700 km e suporte para metralhadora
A versão AM10 REC vendida ao Equador utiliza motor diesel Euro II de 132 cavalos, velocidade máxima informada de 128 km/h e autonomia aproximada de 700 quilômetros. O veículo tem tração nas quatro rodas e capacidade para até cinco ocupantes.
O peso bruto total anunciado é de 3.500 quilos, com carga útil de 750 quilos e possibilidade de rebocar outros 750. Outra característica é a velocidade mínima controlada de 4 km/h, útil em terrenos acidentados e deslocamentos de observação.
O projeto admite instalação de reparo giratório de 360 graus para metralhadoras de 7,62 mm ou calibre .50, conforme a configuração adquirida. A existência desse suporte não comprova que cada unidade empregada na fronteira esteja armada com o mesmo equipamento.
Documento assinado em maio prevê quase US$ 300 mil para manter e proteger Marruá
A resolução FT-JEM-2026-014-PAC, assinada em 26 de maio de 2026, incluiu no plano anual do Exército do Equador uma contratação de US$ 299.999,92 para manutenção preventiva, reparos e blindagem de proteção balística nível III de Marruá AM10-REC pertencentes à 5ª Brigada de Infantaria “Guayas”.
O documento registra disponibilidade de cerca de US$ 300 mil na rubrica orçamentária correspondente e prevê seleção do fornecedor por leilão eletrônico reverso, modalidade local de contratação pública. O planejamento envolve veículos da brigada citada, sem identificar esse lote como o mesmo utilizado nas patrulhas da fronteira colombiana.
A licitação recebeu identificação própria em agosto de 2026, segundo o registro público do procedimento. Os documentos examinados não trazem confirmação de contrato concluído, número final de viaturas beneficiadas ou certificação de que a proteção já tenha sido instalada.
Protótipo Mammoth Mach-V transforma chassi Marruá em veículo blindado
Outra frente de modernização foi apresentada no Forte Militar Huancavilca, em Guayaquil. Em abril, oficiais acompanharam os avanços do Mammoth Mach-V, protótipo que aproveita o chassi do Marruá AM10 REC para receber carroceria protegida e transportar militares com maior segurança.
Conforme relato da visita militar publicado pela Infodefensa, o programa prevê a modernização de aproximadamente 40 plataformas Agrale. O Mammoth foi projetado com proteção balística nível III, montagem para metralhadora e capacidade de transportar até sete militares, em missões de reconhecimento, logística e segurança interna.
A estimativa de 40 unidades pertence ao programa de modernização apresentado em 2026 e não deve ser confundida com os lotes documentados de 18 AM10 e 12 AM20 comprados em 2009. A reportagem de abril descreve o estágio de protótipo e o plano de adaptação; não informa que 40 veículos já tenham sido entregues com blindagem.

Confrontos na fronteira mostram por que patrulhas precisam de mobilidade e proteção
A pressão sobre as forças equatorianas continua. Em 18 de outubro de 2026, uma patrulha militar foi alvo de disparos em Sucumbíos, perto da Colômbia, quando retornava de uma fiscalização fronteiriça. Segundo informações divulgadas pelo Exército e reproduzidas pela imprensa local, o veículo utilizado recebeu impactos de bala, sem militares feridos.
O comunicado não identificou o modelo do veículo atingido, e o episódio não comprova a participação de um Marruá nesse confronto. A ocorrência registra os riscos enfrentados por militares em estradas e caminhos da região, onde as tropas realizam patrulhas e reconhecimento de posições.
O futuro da frota de origem brasileira dependerá do andamento das contratações de manutenção e das provas de modernização do Mammoth Mach-V. Enquanto as unidades AM10 continuam associadas à vigilância de fronteira, a proteção balística aparece nos documentos oficiais como uma nova etapa planejada para parte dos veículos.