O Brasil deu mais um passo rumo à estratégia de exercer a vigilância, o controle e a defesa das águas brasileiras e também de garantir a segurança marítima do Atlântico Sul, que conta com aproximadamente 40,3 milhões de km². Na última terça-feira, 3 de novembro, a Marinha do Brasil ativou o chamado Centro Internacional de Fusão de Informações do Atlântico Sul (IFC, em inglês).
Inspirada em modelos como o de Singapura, a estrutura contempla uma sala operacional equipada com estações de trabalho, sistemas de integração e visualizações de dados, salas de reunião, áreas de apoio e fica nas dependências do Comando de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul (Compaaz), no Rio de Janeiro (RJ).
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O IFC Atlântico Sul integra dados de diferentes fontes diferentes, a fim de identificar situações e comportamentos atípicos e aumentar a capacidade de resposta a ilícitos como pesca ilegal, extração de recursos sem autorização e ataques a infraestruturas críticas, como cabos submarinos e plataformas de petróleo e gás.
Poderão fazer parte do IFC Atlântico Sul não só órgãos brasileiros, mas também organismos internacionais e órgãos de outros países da região, como Uruguai, Argentina, Namíbia, Senegal, Camarões, Congo, Nigéria, Angola, entre outros da costa ocidental africana.
Mesmo antes da ativação oficial, a Receita Federal já atuava no IFC Atlântico Sul, assim como a Polícia Federal e a European Union Critical Maritime Routes (Eucrimario), iniciativa da União Europeia voltada ao fortalecimento da cooperação e da troca de informações no domínio marítimo.
Segundo o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, o IFC Atlântico Sul é importante não só para o Brasil, mas para toda a região.
“É um passo importantíssimo e corajoso (…) O IFC serve para a segurança, serve para a academia. Eu como cidadão fico muito orgulhoso. É orgulho de ser brasileiro, é orgulho de ter uma Marinha presente e orgulho de sentir que as nossas costas podem ser mais protegidas do que já foram até hoje”.
Por que o Brasil tem tanto interesse no Atlântico Sul?
O Brasil tem 7,5 mil km de litoral, segundo a Marinha do Brasil, mas toda a área de águas jurisdicionais brasileiras representa 5,7 milhões de km², o equivalente à toda a Amazônia Brasileira.
Além disso, 90% do volume do comércio internacional do país passa pelo Atlântico Sul, o que o torna um espaço vital.
A declaração de que o Atlântico Sul faz parte do entorno estratégico brasileiro consta na Política Nacional de Defesa (PND) e na Estratégia Nacional de Defesa (END) do país e exige preocupação constante do setor de defesa.
“O Estado deve dispor de meios capazes para exercer a vigilância, o controle e a defesa das águas sob jurisdição brasileira, do seu território e do seu espaço aéreo, incluídas as áreas continental e marítima. Deve, ainda, manter a segurança das linhas de comunicação marítimas e dos Serviços de Navegação Aérea, especialmente no Atlântico Sul, e buscar mantê-lo como permanente zona de paz e cooperação”, declara o documento reiterado em 2025.
Tanto a PND quanto a END também destacam que o Atlântico Sul tem importante reserva e fonte de recursos vivos, minerais e energéticos, que formam uma economia da qual dependem milhões de brasileiros.
“Essa importância tende a aumentar à medida que o desenvolvimento tecnológico permitir novas descobertas e o uso sustentável desses recursos, principalmente energéticos, existentes nas Águas Jurisdicionais Brasileiras – AJB e na Plataforma Continental”.
Além das diversas descobertas de petróleo em áreas como a Foz do Amazonas, no dia 22 de outubro o Serviço Geológico do Brasil anunciou o potencial de 3 novas áreas possuírem minerais críticos, como prata e cobre.
A descoberta foi feita numa expedição com pesquisadores de 9 universidades brasileiras a bordo do navio hidroceanográfico da Marinha, Vital de Oliveira, e ajuda a explicar por que o país tem pressa em contar com uma frota naval moderna e eficaz, formada por fragatas, navios-patrulha, submarinos convencionais e nucleares, mesmo a despeito dos constantes problemas orçamentários.
Em busca da paz, Brasil vai compartilhar informações
As informações geradas pelo IFC Atlântico Sul não se restringirão ao Brasil. Além de atuar em colaborar com Marinhas e Guardas Costeiras de outros países, os dados ficarão disponíveis para a comunidade marítima e outros centros internacionais de fusão.
É fomentando o intercâmbio de conhecimentos que o Brasil busca fortalecer a paz, a estabilidade e a segurança marítima.
“O Centro de Fusão de Informações do Atlântico Sul representa um importante avanço para a segurança marítima de nossos países, pois permitirá ampliar o conhecimento situacional sobre as embarcações que operam em nossas águas e acompanhar, de maneira mais eficiente, as atividades em nossas áreas de responsabilidade”, comentou o Comandante da Marinha da Namíbia, Contra-Almirante Sacheus Randy Gonteb.