O general de Aviação Máximo Venegas Raggio, de 59 anos, assumiu em 4 de novembro a chefia do Estado-Maior Conjunto do Chile (EMCO), estrutura responsável pelo planejamento e pela coordenação de operações que envolvem Exército, Marinha e Força Aérea. A posse ocorreu em uma cerimônia militar no Centro Conjunto para Operações de Paz do Chile (CECOPAC), com a presença dos comandantes das três Forças Armadas.
O oficial tem uma ligação direta com o Brasil: estudou na Força Aérea Brasileira (FAB) e concluiu um mestrado na Universidade Federal Fluminense (UFF), no estado do Rio de Janeiro. Sua nomeação havia sido anunciada em 28 de outubro, mas a transferência efetiva do comando ocorreu com a leitura do decreto e a mudança da insígnia militar.
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Venegas substituiu o general Leonardo Romanini Gutiérrez, que deixou o organismo conjunto para assumir a chefia da Força Aérea chilena. A transmissão de comando foi acompanhada pelo ministro da Defesa, Fernando Barros, e pelo subsecretário para as Forças Armadas, Christian Bolívar.

Decreto foi lido diante dos três comandantes militares no CECOPAC
A cerimônia aconteceu no pátio de formatura do CECOPAC, no Campo Militar La Reina, em Santiago. Segundo a Força Aérea do Chile, o evento começou com honras militares ao ministro e um pronunciamento do chefe que deixava o cargo.
Na sequência, Christian Bolívar leu o decreto supremo que nomeava Venegas para a nova função. O general prestou as honras protocolares ao ministro da Defesa e assumiu oficialmente o posto. Em seguida, ocorreu a troca da insígnia de comando no mastro de honra, uma das etapas centrais da solenidade.
Romanini recebeu das mãos de Barros a insígnia que o acompanhara durante sua passagem pelo EMCO. O ministro agradeceu o trabalho do antecessor e desejou sucesso ao novo chefe, diante de oficiais das três instituições militares chilenas.
Romanini deixa planejamento conjunto e passa a chefiar a Força Aérea
A mudança também alterou a direção da aviação militar chilena. Romanini, que comandava o Estado-Maior Conjunto, foi escolhido para suceder Hugo Rodríguez González à frente da Força Aérea, com mandato previsto até 2030.
A formalização administrativa da nova chefia da FACh ocorreu em 5 de novembro, em Cerrillos. Conforme o Ministério da Defesa chileno, a cerimônia incluiu a leitura do decreto e a assinatura das atas de transferência, com a participação do vice-presidente Claudio Alvarado e do ministro Fernando Barros.
Os dois oficiais, portanto, passaram a exercer funções diferentes na cúpula militar: Romanini dirige a Força Aérea, enquanto Venegas chefia o órgão encarregado de integrar o planejamento e o emprego de capacidades terrestres, marítimas e aéreas.
General fez formação de Estado-Maior na FAB e mestrado na UFF
O currículo de Venegas inclui uma formação pouco comum para quem chegou ao topo da estrutura militar de outro país. O novo chefe do EMCO é oficial de Estado-Maior formado tanto pela academia de guerra aérea chilena quanto pela Força Aérea Brasileira.

Ele também obteve o título de mestre em Gestão de Processos pela Universidade Federal Fluminense, instituição pública de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A formação acadêmica aparece na biografia divulgada pela Defesa chilena.
Além dos estudos no Brasil, Venegas atuou como adido aéreo e de defesa na missão permanente do Chile junto às Nações Unidas, em 2014. A experiência internacional antecedeu sua passagem por postos de planejamento, direção de operações e comando.
Ex-piloto de caça F-5 passou por dois grandes comandos da aviação
Venegas ingressou na Escola de Aviação Capitão Manuel Ávalos Prado em 1985 e tornou-se alferes em janeiro de 1989. No mesmo ano, recebeu a especialidade de piloto de guerra e desenvolveu parte da carreira no setor de combate, incluindo aeronaves F-5.
Alcançou o posto de general de Brigada Aérea em 2019 e foi promovido a general de Aviação em 2022. Naquele ano, assumiu o Comando Logístico, responsável por áreas de apoio à atividade aérea. Em 2024, passou a comandar o Comando de Combate da FACh.
Agora, deixa uma estrutura centrada na aviação para participar diretamente das decisões que exigem atuação coordenada das três Forças Armadas do Chile.
Fronteiras e resposta a emergências entram na nova rotina de comando
Subordinado ao Ministério da Defesa, o EMCO assessora a preparação e o emprego conjunto das Forças Armadas. A legislação chilena também prevê o comando militar dos meios designados para operações conjuntas, respeitadas as competências de cada instituição.
Durante a transmissão, Romanini citou a proteção das fronteiras, a resposta a emergências e os compromissos internacionais do país entre as atividades desenvolvidas sob a coordenação do órgão. Barros mencionou o emprego de militares nas regiões norte e sul e em ocorrências como incêndios e temporais.
A indicação presidencial estabeleceu dois anos de mandato para Venegas. Com o decreto lido e a insígnia de comando transferida, o general que passou por instituições militares e acadêmicas brasileiras começou a exercer a chefia de um dos principais organismos de planejamento da Defesa chilena.