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Quatro novas fragatas da classe Tamandaré podem consumir até metade do dinheiro necessário para manter a frota da Marinha em atividade, segundo alerta do TCU sobre os custos dos navios

Dados oficiais mostram R$ 21,4 milhões previstos para manutenção das fragatas Tamandaré em 2026, com R$ 1,11 milhão pago até agosto. TCU já alertou sobre custos futuros que podem pressionar outros navios da Marinha.

Marcos
Por Marcos 02/11/2026 às 19:36
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Quatro novas fragatas da classe Tamandaré podem consumir até metade do dinheiro necessário para manter a frota da Marinha em atividade, segundo alerta do TCU sobre os custos dos navios
Fragata Tamandaré (F200), primeira das quatro embarcações da Classe Tamandaré da Marinha do Brasil. Auditoria do TCU alertou que os custos futuros para manter os novos navios em operação podem comprometer parte significativa dos recursos destinados à Esquadra. Fonte: Marinha do Brasil.

A Marinha do Brasil tem R$ 21,43 milhões previstos em 2026 para a manutenção da capacidade operativa das fragatas Classe Tamandaré, mas havia pago apenas R$ 1,11 milhão até agosto nessa ação orçamentária. O valor representa aproximadamente 5,2% da dotação atualizada, segundo uma planilha oficial do Ministério da Defesa publicada em 14 de setembro.

Ao mesmo tempo, outra rubrica ligada ao programa das fragatas registra R$ 235 milhões pagos no mesmo período. A diferença entre os dois registros expõe como os recursos para colocar novos navios à disposição da Marinha e aqueles destinados à sua manutenção aparecem em contas distintas, justamente quando o Tribunal de Contas da União (TCU) já alertou para os riscos do custo de operação da futura frota.

Manutenção das fragatas tem R$ 21,43 milhões previstos, mas R$ 1,11 milhão foi pago até agosto

O levantamento público identifica a ação 21EA, denominada “Manutenção da Capacidade Operativa das Fragatas Classe Tamandaré”, sob responsabilidade do Fundo Naval. A dotação atualizada de 2026 é de R$ 21.436.530.

Até agosto, as despesas empenhadas nessa ação somavam R$ 5.726.852,27. Desse valor, R$ 1.339.468,23 apareciam como despesas liquidadas e R$ 1.111.201,45 como despesas efetivamente pagas.

Fragata Tamandaré F200 da Marinha do Brasil vista do alto no Rio de Janeiro em março de 2026
Vista aérea da fragata Tamandaré (F200) no Rio de Janeiro, em 16 de março de 2026, antes da incorporação à Esquadra. Foto: Marinha do Brasil.

Os estágios têm significados diferentes. O empenho registra o compromisso de gasto; a liquidação reconhece a entrega ou obrigação cumprida; o pagamento identifica o dinheiro desembolsado. Os R$ 21,43 milhões representam a autorização orçamentária atualizada, e não uma quantia integralmente transferida a fornecedores.

Em 2025, a mesma ação teve dotação atualizada de R$ 8,63 milhões e registrou R$ 3,70 milhões pagos ao longo do ano. A comparação exige atenção: os números de 2026 abrangem somente os oito primeiros meses. Os dados constam da base de execução orçamentária do Ministério da Defesa.

Outra conta da Marinha registra R$ 235 milhões pagos para disponibilizar os navios

Na mesma planilha aparece a ação 21IO, “Disponibilização de Embarcações Integrantes do Programa Fragatas Classe Tamandaré”, vinculada ao Comando da Marinha. Ela tinha dotação atualizada de R$ 261 milhões para 2026.

Até agosto, essa rubrica contabilizava R$ 260 milhões empenhados e R$ 235 milhões liquidados e pagos. É um registro ligado à disponibilização das embarcações, separado da verba específica de manutenção do Fundo Naval.

Os dois números mostram fases diferentes do programa. O desembolso de R$ 235 milhões não corresponde ao custeio de manutenção dos navios, assim como os R$ 1,11 milhão da ação 21EA não representam todas as despesas de funcionamento, aquisição, apoio logístico ou construção da Classe Tamandaré.

Fragata Tamandaré F200 fotografada de lado no Rio de Janeiro em março de 2026
Fragata Tamandaré (F200) no Rio de Janeiro em março de 2026, antes da entrada em serviço. Foto: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons. Licença CC BY-SA 4.0.

TCU projetou que quatro fragatas poderiam consumir metade de recursos operacionais da Marinha

O contraste orçamentário de 2026 ganha peso diante de uma auditoria concluída em novembro de 2024. No Acórdão 2461/2024, o Tribunal de Contas da União apontou deficiências importantes na estimativa dos custos do ciclo de vida das fragatas, incluindo problemas de precisão, documentação e confiabilidade dos cálculos.

Um dos trechos mais contundentes apresentou uma projeção segundo a qual os quatro navios poderiam consumir cerca de 50% do orçamento de operação e apoio dos meios da Marinha entre 2029 e 2032, chegando a pelo menos 30% em outros anos de operação simultânea, nas condições do modelo examinado pelo tribunal.

Esses percentuais se referem a uma projeção de custeio futuro elaborada com premissas anteriores. O cálculo não equivale à parcela do orçamento total da Marinha já gasta em 2026. Na avaliação de 2024, o próprio TCU destacou que as quatro fragatas representavam apenas quatro entre 102 meios de superfície considerados pela auditoria.

Segundo o comunicado oficial do TCU, as falhas de precificação comprometiam a análise de viabilidade do investimento e introduziam riscos ao financiamento de seu ciclo de vida e ao custeio de outros meios operacionais da Força.

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Auditoria encontrou dúvidas sobre combustível, reparos e anos de serviço

A fiscalização examinou o estudo econômico usado para projetar quanto custaria manter os navios ao longo de décadas. Os auditores questionaram a falta de detalhamento de premissas para estimar consumo de combustíveis, lubrificantes, seguros e períodos de manutenção, além da documentação que permitiria reproduzir os cálculos.

Houve ainda uma divergência na vida útil utilizada nas estimativas: documentos de 2017 trabalhavam com 30 anos, enquanto o estudo analisado pelo tribunal adotou 25 anos. Uma mudança desse tipo altera os cálculos de depreciação e o valor projetado para sustentar cada embarcação.

A advertência surgiu antes da incorporação da primeira fragata. Com os navios começando a entrar na Esquadra, os dados anuais de execução passam a permitir uma avaliação mais concreta dos compromissos financeiros assumidos pela Marinha.

Primeira fragata entrou na Esquadra em abril e outros três navios estão no programa

A Fragata Tamandaré (F200) foi incorporada à Esquadra em 24 de abril de 2026, durante cerimônia na Base Naval do Rio de Janeiro. O navio foi construído em Itajaí, Santa Catarina, como parte do programa que também inclui as fragatas Jerônimo de Albuquerque (F201), Cunha Moreira (F202) e Mariz e Barros (F203).

A F201 havia sido lançada ao mar em agosto de 2025. A F202 foi lançada em 26 de junho de 2026, também em Itajaí. A F203 integra a etapa seguinte de construção. As embarcações foram concebidas para missões de escolta, defesa marítima e proteção de áreas estratégicas brasileiras.

Lançamento da fragata Tamandaré F200 no estaleiro em Itajaí Santa Catarina em agosto de 2024
Cerimônia de lançamento da fragata Tamandaré (F200) em Itajaí (SC), em 9 de agosto de 2024. Foto: Érico Alves / Ministério da Defesa. Licença CC BY 2.0.

Com aproximadamente 107 metros de comprimento e deslocamento de até 3.465 toneladas, a classe reúne radares, sensores, armamentos e instalações para helicópteros. A renovação da Esquadra avança enquanto cresce a importância de reservar recursos para manter equipamentos, tripulações e sistemas disponíveis após a entrega dos navios.

Fechamento do orçamento de 2026 mostrará quanto foi efetivamente desembolsado

O demonstrativo oficial disponível até agosto retrata um período parcial do ano. Novos empenhos, liquidações e pagamentos poderão alterar o resultado da ação 21EA nos meses seguintes. A fiscalização do ciclo de vida também depende de informações sobre despesas cobertas por contratos, outras rubricas de apoio e compromissos futuros.

O próximo balanço anual permitirá acompanhar se os R$ 21,43 milhões previstos para manutenção se converteram em despesas efetivamente pagas e qual foi a evolução dos valores vinculados à disponibilização das fragatas. Ao mesmo tempo, permanecem como referência as advertências do TCU sobre o custo de manter quatro novos navios sem comprometer o restante da frota.

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