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PRF planeja bases policiais flutuantes na Amazônia e precisaria contratar mais 13 mil agentes para patrulhar rios e ferrovias

No Pará, região atendida por base policial flutuante registrou queda de 91% nos roubos fluviais e casos de pirataria entre 2021 e 2025.

PRF planeja bases policiais flutuantes na Amazônia e precisaria contratar mais 13 mil agentes para patrulhar rios e ferrovias
Base Integrada Fluvial Baixo Tocantins, no Pará, inaugurada em março de 2026. A estrutura estadual exemplifica o modelo de bases policiais flutuantes que a PRF pretende adotar na Amazônia. Foto: Roni Moreira / Agência Pará. Foto: Roni Moreira / Agência Pará.

Grandes embarcações transformadas em postos policiais, capazes de abrigar equipes de segurança e mudar de posição ao longo dos rios. Esse é o modelo de bases policiais flutuantes que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) estuda adotar para ampliar sua presença na Amazônia.

A proposta prevê estruturas semelhantes aos postos policiais das rodovias, mas adaptadas ao ambiente fluvial. Elas poderão permanecer em pontos estratégicos ou ser deslocadas conforme a necessidade de fiscalização, levando agentes a regiões onde os rios funcionam como verdadeiras estradas.

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O projeto foi detalhado pelo diretor-geral da PRF, Antônio Fernando Oliveira, em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em 6 de novembro. A Amazônia é considerada prioritária, mas a corporação ainda não definiu quantas bases pretende instalar nem quanto custará a expansão.

Bases flutuantes poderão funcionar como postos avançados da PRF nos rios da Amazônia

Embarcação blindada Sentinela 01 da Força Nacional navega em alta velocidade durante patrulhamento fluvial, com agentes armados a bordo.
Embarcação blindada Sentinela 01 da Força Nacional durante operação de segurança fluvial. Foto: Divulgação/MJSP.

Diferentemente das unidades tradicionais instaladas às margens das rodovias, as futuras bases poderão funcionar sobre grandes embarcações, reunindo policiais de diferentes instituições em uma mesma estrutura.

A intenção é que Polícia Federal e Marinha do Brasil participem das operações integradas. A PRF pretende assumir o policiamento ostensivo nas hidrovias federais, enquanto a Marinha manterá suas competências sobre a segurança da navegação e a PF continuará responsável pelas atividades de polícia judiciária.

O desafio vai além das enormes distâncias. Os rios amazônicos transportam passageiros, alimentos, combustíveis e mercadorias, mas também são utilizados por organizações criminosas.

Conforme mostrou uma reportagem sobre a pirataria nos rios da Amazônia, criminosos chegam a utilizar sirenes para simular embarcações policiais. Segundo informações do setor de navegação, cinco roubos consumados em 2025 resultaram no desvio de aproximadamente 1,2 milhão de litros de combustível.

É nesse cenário que as bases flutuantes poderão ampliar o monitoramento das rotas, oferecendo apoio às operações policiais e reforçando a proteção de tripulações e comunidades ribeirinhas.

Pará já opera bases flutuantes de R$ 11,7 milhões e registra queda de 91% nos roubos em área monitorada

Vista aérea da Base Fluvial Baixo Tocantins, no Pará, com passarela de acesso, embarcações policiais e floresta amazônica ao redor.
Vista aérea da Base Integrada Fluvial Baixo Tocantins, no Pará, inaugurada em março de 2026. Foto: Roni Moreira / Agência Pará

O modelo que a PRF pretende desenvolver já possui exemplos concretos na própria Amazônia.

Em março de 2026, o governo do Pará inaugurou a Base Fluvial Integrada Baixo Tocantins, nas proximidades de Abaetetuba, com investimento superior a R$ 11,7 milhões.

A instalação possui dormitórios, cozinha, sala de monitoramento, celas e passarelas articuladas. Sua estrutura flutuante permite o acesso tanto por embarcações quanto por terra, oferecendo suporte permanente às equipes de segurança.

Segundo a Agência Pará, o estado mantém outras duas bases semelhantes: Antônio Lemos, inaugurada em 2022 por R$ 5 milhões, e Candiru, entregue em 2024 por R$ 8,2 milhões.

Os resultados ajudam a dimensionar a importância desse modelo. Na região atendida pela Base Antônio Lemos, em Breves, os registros de roubos fluviais e pirataria caíram de 44 ocorrências em 2021 para quatro em 2025, uma redução de aproximadamente 91%, segundo dados oficiais estaduais.

A queda não pode ser atribuída exclusivamente à instalação, mas demonstra a mudança registrada na região durante o período de reforço da segurança fluvial.

Essas bases pertencem ao governo do Pará, não à PRF. Entretanto, revelam o porte das estruturas e os investimentos envolvidos em instalações semelhantes às que a corporação federal pretende adotar.

A preparação dos agentes também já começou. Em abril, policiais rodoviários federais do Amapá concluíram uma capacitação para condução de embarcações conforme diretrizes da Marinha do Brasil.

O treinamento habilita servidores para operar embarcações oficiais de até seis metros, ampliando a capacidade de atuação em ambientes aquaviários.

PRF projeta 26 mil policiais, mas expansão ainda depende de recursos e novas contratações

Policiais rodoviários federais uniformizados durante cerimônia de formação em 2026, com homens e mulheres da PRF reunidos em fileiras.
Policiais rodoviários federais durante cerimônia de formação em Florianópolis (SC), em março de 2026. Foto: Divulgação/PRF.

A instalação das bases flutuantes representa apenas parte da transformação pretendida.

Para ampliar suas atividades das rodovias para hidrovias e ferrovias federais, a PRF considera que poderá precisar dobrar seu efetivo, passando de aproximadamente 13 mil para 26 mil policiais.

O desafio já existia antes das novas atribuições. Um documento oficial de planejamento da PRF, publicado em 2025, registrava uma proposta de criação de 4.902 cargos adicionais para reforçar a capacidade operacional da instituição.

Agora, a expansão ganhou uma nova dimensão com a aprovação da PEC da Segurança Pública pelo Senado, em 3 de novembro de 2026.

A proposta prevê ampliar a atuação da PRF para ferrovias e hidrovias federais, preservando as competências das demais instituições. A reforma também estabelece mudanças no financiamento da segurança pública, conforme abordado na análise sobre os impactos da PEC para as Forças Armadas.

Entretanto, as 13 mil contratações adicionais ainda não foram autorizadas. A PEC aguardava promulgação, e a implementação das novas atribuições dependerá de regulamentação e recursos.

A PRF também precisará definir a quantidade de bases, embarcações, equipamentos e profissionais especializados para atuar nos novos corredores de fiscalização.

O projeto ainda depende dessas etapas, mas revela a dimensão da transformação pretendida: levar estruturas policiais flutuantes para rios onde milhares de brasileiros dependem das embarcações para trabalhar, transportar mercadorias e se deslocar entre comunidades.

Você acredita que bases policiais flutuantes poderão reduzir a criminalidade nos rios da Amazônia? Ou o maior desafio será conseguir policiais e recursos para mantê-las funcionando? Deixe sua opinião nos comentários.

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