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R$ 3,4 bilhões em defesa antiaérea, 30 novos caças Gripen, mais 4 fragatas e substitutos dos Leopard: Brasil prepara decisões bilionárias para modernizar as Forças Armadas

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher 05/11/2026 às 09:34
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R$ 3,4 bilhões em defesa antiaérea, 30 novos caças Gripen, mais 4 fragatas e substitutos dos Leopard: Brasil prepara decisões bilionárias para modernizar as Forças Armadas
Brasil avalia novas aquisições de sistemas antiaéreos, caças Gripen, fragatas e carros de combate para modernizar as Forças Armadas.

O Brasil tem pela frente decisões bilionárias que podem transformar parte de seu arsenal militar nas próximas décadas. Entre os projetos em negociação ou planejamento estão um sistema de defesa antiaérea estimado em até R$ 3,4 bilhões, outros 30 caças Gripen, quatro fragatas adicionais e a substituição dos antigos tanques Leopard do Exército.

As iniciativas envolvem fabricantes europeus, transferência de tecnologia e investimentos que podem comprometer os orçamentos militares por muitos anos.

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Parte dos equipamentos já foi selecionada pelas Forças Armadas, enquanto outras aquisições dependem de negociações, definições técnicas ou decisões do governo federal.

O cenário ganhou um novo componente com a legislação aprovada em 2025 e ampliada em 2026, que permite tratamento fiscal diferenciado para bilhões de reais em projetos estratégicos de Defesa.

A medida oferece maior flexibilidade orçamentária, mas não garante automaticamente a contratação dos equipamentos planejados.

Exército prepara aquisição de defesa antiaérea estimada em até R$ 3,4 bilhões

Uma das negociações mais relevantes envolve a implantação de um sistema de defesa antiaérea de média altura e médio alcance, capacidade que representa uma importante lacuna no arsenal terrestre brasileiro.

O Exército selecionou o EMADS, desenvolvido pela MBDA, para um projeto que prevê três baterias e uma possível negociação entre governos.

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, o investimento poderá alcançar R$ 3,4 bilhões, valor sujeito a alterações conforme as condições finais do acordo.

A solução utiliza mísseis CAMM-ER, com alcance divulgado de aproximadamente 40 quilômetros, lançados verticalmente e orientados por radares modernos.

O armamento foi desenvolvido para enfrentar ameaças como aeronaves militares, helicópteros, drones e mísseis de cruzeiro.

A configuração inicialmente planejada prevê três baterias, seis veículos lançadores com capacidade para até oito mísseis cada e quatro veículos equipados com radar, além de estruturas de comando, manutenção e apoio logístico.

Sistema lançador de mísseis da família CAMM, tecnologia utilizada em soluções de defesa antiaérea desenvolvidas pela MBDA. Crédito: MBDA.
Sistema lançador de mísseis da família CAMM, tecnologia utilizada em soluções de defesa antiaérea desenvolvidas pela MBDA. Crédito: MBDA.

Duas baterias seriam destinadas ao emprego de armamentos, enquanto a terceira concentraria funções de comando e controle.

Brasília e o interior de São Paulo aparecem entre as áreas consideradas para a instalação dos equipamentos.

A escolha do sistema representa um avanço no processo de obtenção, mas a aquisição ainda depende da conclusão das negociações comerciais e administrativas.

FAB mira 66 caças Gripen e negocia ampliação de 30 aeronaves com a Suécia

Na Força Aérea Brasileira, a expansão da frota de F-39 Gripen tornou-se uma das principais discussões sobre o futuro da aviação de combate.

O contrato original, assinado em 2014, prevê 36 aeronaves desenvolvidas pela sueca Saab, sendo 28 monopostos Gripen E e oito bipostos Gripen F.

Entretanto, o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, apresentou em setembro de 2026 uma meta mais ampla: elevar a frota planejada para 66 caças.

Isso significaria adquirir outras 30 aeronaves, ampliando em aproximadamente 83% a quantidade inicialmente contratada.

Segundo informações publicadas pela Infodefensa, o segundo lote pretendido seria composto integralmente por 30 unidades monoposto.

A meta é mais ampla do que a intenção de compra de 20 caças adicionais anunciada em junho pelo ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson, durante visita de José Múcio ao país europeu.

Na ocasião, Brasil e Suécia assinaram uma declaração de intenções para aprofundar a cooperação militar e industrial, mas não formalizaram a compra das aeronaves adicionais.

As negociações continuam envolvendo a Saab e o governo sueco, enquanto a FAB busca ampliar sua capacidade operacional e garantir a continuidade do programa.

A expansão também exigiria investimentos em infraestrutura, armamentos, manutenção e formação de pilotos e equipes técnicas.

Entre os locais considerados para receber parte da futura frota estão as bases aéreas de Santa Maria e Canoas, no Rio Grande do Sul.

Marinha estuda dobrar encomenda de fragatas Tamandaré com mais quatro navios

No setor naval, o Brasil também avalia ampliar um dos principais programas de construção militar em andamento no país.

A Marinha contratou originalmente quatro fragatas da classe Tamandaré, construídas no estaleiro de Itajaí, em Santa Catarina, por um consórcio formado pela alemã TKMS, Embraer Defesa e Segurança e Atech.

Em 24 de abril de 2026, durante a incorporação da primeira embarcação à Esquadra, o Ministério da Defesa e as empresas envolvidas assinaram um memorando de entendimento para avaliar a construção de outras quatro fragatas.

Caso a negociação resulte em um novo contrato, o programa poderá passar de quatro para oito navios.

As embarcações contam com mísseis antinavio, armamentos antiaéreos, torpedos e sistemas de combate destinados a enfrentar ameaças de superfície, submarinas e aéreas.

O programa também possui uma dimensão industrial importante.

Segundo a EMGEPRON, a construção das quatro unidades originais envolve aproximadamente mil empresas, com estimativa de geração de 23 mil empregos diretos, indiretos e induzidos ao longo do projeto.

A possível segunda encomenda ainda depende da definição de preços, financiamento e condições contratuais, incluindo a participação da indústria brasileira.

O memorando firmado em abril estabelece uma base para negociações, não uma autorização definitiva de construção.

Lei abre margem de até R$ 5 bilhões anuais para projetos militares

O financiamento dessas aquisições representa um dos principais desafios enfrentados pelo Ministério da Defesa.

A Lei Complementar 221, sancionada em novembro de 2025, criou uma margem de até R$ 5 bilhões anuais para que determinados investimentos estratégicos em Defesa sejam excluídos dos limites fiscais, observadas as condições orçamentárias previstas.

A legislação foi alterada em agosto de 2026 pela Lei Complementar 235, que autorizou, excepcionalmente neste exercício, um montante adicional de até R$ 2,5 bilhões para projetos estratégicos militares.

Os valores empenhados nessa condição extraordinária deverão ser descontados dos limites aplicáveis ao exercício de 2028.

A mudança amplia a flexibilidade fiscal, mas não significa que todos os recursos estejam disponíveis ou que novos contratos tenham sido automaticamente autorizados.

Para as Forças Armadas, a previsibilidade financeira será determinante, especialmente porque caças, navios e sistemas antiaéreos exigem pagamentos distribuídos por vários anos.

Exército precisa encontrar substitutos para os Leopard enquanto prolonga vida útil dos blindados

Outro desafio envolve a renovação dos carros de combate pesados do Exército Brasileiro.

Os Leopard 1A5 BR, de origem alemã, continuam equipando unidades blindadas da Força Terrestre, apesar de pertencerem a uma geração mais antiga de equipamentos militares.

O Exército iniciou em 2025 um programa de revitalização desses veículos para preservar sua capacidade operacional enquanto prepara a substituição gradual da frota.

A iniciativa é conduzida pelo Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar, localizado em Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

De acordo com informações divulgadas pelo próprio Exército, a revitalização pretende permitir a utilização dos Leopard até 2040, criando uma janela para a introdução de carros de combate mais modernos.

A escolha do sucessor permanece em estudo, sem definição pública de um novo modelo contratado.

Essa substituição é diferente da aquisição dos blindados italianos Centauro II, cujo programa prevê 98 viaturas para renovar parte da cavalaria mecanizada, substituindo os antigos Cascavel.

Enquanto o Centauro II utiliza rodas e um canhão de 120 milímetros, os futuros substitutos dos Leopard deverão atender às necessidades específicas das unidades equipadas com carros de combate sobre lagartas.

O planejamento atual prevê um processo gradual de renovação, sem a retirada imediata de todos os veículos antigos.

Segundo o Exército, cinco Leopard 1A5 BR deverão passar por revitalização em 2026, dentro de um programa que prevê recuperar 52 carros de combate ao longo de dez anos, enquanto a Força desenvolve os estudos para sua substituição.

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