A Venezuela confirmou que mantém militares das Forças Armadas e agentes policiais mobilizados na fronteira com a Colômbia, depois que blindados e soldados colombianos passaram a ocupar pontos estratégicos de Cúcuta. A declaração de Diosdado Cabello, em 2 de novembro, acrescentou um novo elemento à crise de segurança que envolve dois países vizinhos do Brasil.
Do lado colombiano, a operação ganhou outra dimensão na madrugada de 4 de novembro. O governo anunciou 109 prisões, 49 buscas e 32 expulsões em uma ofensiva que alcançou oito comunas de Cúcuta, cidade separada da Venezuela por passagens internacionais movimentadas.
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Venezuela confirma militares e policiais na fronteira e anuncia medidas preventivas
Em coletiva do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Cabello afirmou que a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), as polícias e os governadores das regiões fronteiriças já atuavam para proteger a população. As declarações divulgadas pelo PSUV foram apresentadas como resposta preventiva aos episódios violentos registrados na Colômbia.

Segundo o ministro venezuelano do Interior, o governo pretende impedir que um conflito prolongado em território colombiano atinja moradores do outro lado da divisa. Cabello também sustentou que Caracas deseja evitar envolvimento em disputas internas do país vizinho.
O ministro não divulgou número de militares, modelos de veículos, bases mobilizadas ou início de uma nova operação. Sua fala confirma a presença de forças de segurança, mas deixa em aberto o tamanho e a distribuição do dispositivo venezuelano.
Colômbia havia colocado blindados nas ruas após ataques em Cúcuta
A sequência começou antes da declaração venezuelana. Em 29 de outubro, o presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, ordenou a militarização temporária de Cúcuta, capital de Norte de Santander, na fronteira com o estado venezuelano de Táchira.
A medida veio após o assassinato de um político local e uma explosão em 27 de outubro nas proximidades da ponte internacional Francisco de Paula Santander, que deixou feridos. Blindados e tropas de operações especiais foram posicionados em acessos à cidade, com apoio policial e reforço dos controles viários.

O governo colombiano anunciou ainda a campanha militar e policial Esparta e o Bloco Operacional de Segurança Urbana, chamado BOSUR. O objetivo declarado é recuperar áreas sob pressão de organizações armadas e ampliar a atuação conjunta do Exército e da Polícia.
Operação Némesis avança de madrugada e registra 109 prisões
Na noite de 3 para 4 de novembro, a ofensiva colombiana entrou em oito comunas de Cúcuta. O presidente De la Espriella acompanhou a Operação Némesis, executada por militares e policiais contra organizações acusadas de atuar em diferentes áreas da cidade.
Segundo o balanço oficial preliminar, divulgado às 4h45 do dia 4, foram realizadas 49 diligências de busca, 109 prisões e 32 expulsões. As autoridades também relataram a apreensão de 12 armas de fogo e mais de 10 quilos de entorpecentes.
A ofensiva integra a nova fase de segurança apresentada pelo governo colombiano. A campanha Esparta conta com cerca de 1.200 militares e policiais, segundo informações divulgadas no lançamento, e prevê vigilância de rios e reforço de capacidades antidrones. Esses resultados são ações colombianas em seu próprio território.
Pontes internacionais ligam a área militarizada ao estado venezuelano de Táchira
A região reúne passagens terrestres utilizadas por trabalhadores, comerciantes e moradores que circulam entre os dois países. A ponte Atanasio Girardot e a ponte Simón Bolívar conectam Cúcuta e municípios próximos a localidades venezuelanas como San Antonio del Táchira e Ureña.
Nas declarações de 2 de novembro, Cabello não anunciou fechamento dessas passagens nem apresentou mudanças nas regras de travessia. A atenção venezuelana está concentrada em impedir que a violência colombiana provoque consequências para suas comunidades fronteiriças.
Crise atinge dois vizinhos do Brasil, mas operações se concentram no norte da região
O Brasil compartilha fronteiras com a Colômbia, no Amazonas, e com a Venezuela, em Roraima e no Amazonas. Entretanto, os acontecimentos mais recentes estão concentrados na região de Cúcuta e Táchira, distante dos principais postos fronteiriços brasileiros.
As próximas atualizações deverão revelar se Caracas ampliará o dispositivo militar ou manterá o esquema já anunciado. Em Cúcuta, as autoridades colombianas continuarão a divulgar os resultados da campanha Esparta. A mobilização dos dois lados permanece orientada, segundo os respectivos governos, ao controle da violência e à proteção da população.