Enquanto as relações diplomáticas entre os 2 países chegaram a pior crise nos últimos 41 anos, a Marinha da Argentina aproveitou a presença do submarino Humaitá (S41) na Base Naval de Mar del Plata para elogiar o poder naval brasileiro e, indiretamente, cobrar mais investimentos na defesa.
No dia 14 de agosto, ao anunciar que o submarino de propulsão diesel-elétrico chegou à Base para o Fraterno, treinamento conjunto feito ininterruptamente desde 1978 para aprimorar interoperabilidade e fortalecer cooperação, a Marinha da Argentina afirmou que o Humaitá “representa um dos vetores convencionais mais modernos da América do Sul” antes de mandar um recado ao poder político.
“A chegada do moderno submarino brasileiro da classe Riachuelo marca um marco operacional na região e reafirma a necessidade estratégica de recuperar a capacidade submarina da Marinha Argentina, incorporando submarinos com padrões atuais, a fim de aprimorar a vigilância, o controle e a dissuasão, garantindo uma presença contínua e eficaz no domínio marítimo”.
75% da frota da América Latina perde poder naval, enquanto Marinha do Brasil amplia liderança
Enquanto o Brasil foi apontado pelo IISS, um dos centros de estudos estratégicos em defesa mais respeitados do mundo, como o único da América Latina a superar a dependência das versões antigas do projeto alemão Tipo-209, a Argentina foi usada como exemplo negativo na análise.
A força submarina do país se encontra praticamente inoperante e corre o risco de se tornar obsoleta. Em caso de falta de providências, o mesmo destino espera Colômbia, Equador e Venezuela.
Por outro lado, a Marinha do Brasil ampliou ainda mais a liderança em submarinos na América Latina, lançando 4.400 toneladas de produção submarina entre 2021 e 2025. É pouco diante de gigantes como China e EUA, mas muito quando comparado a países do Atlântico Sul.
“Adquiridos nas décadas de 1970 e 1980, esses submarinos estão defasados em relação aos requisitos operacionais modernos. No geral, esta é a região cujo status e nível de ambição em relação aos submarinos são provavelmente os mais questionáveis”, diz o IISS sobre a América do Sul.
França pode vender submarinos produzidos no Brasil para a Argentina
Após viajar à Argentina em julho, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, voltou com a promessa de que os 3 submarinos da classe Scorpène que a Casa Rosa pretende adquirir da França serão construídos no Complexo de Itaguaí, no Rio de Janeiro.
As informações foram divulgadas primeiramente pelo colunista de Política do Estadão, Marcelo Godoy.
No fim de 2024, a Argentina assinou uma carta de intenções com a Naval Group, a mesma empresa contratada pela Marinha do Brasil para desenvolver os 7 submarinos convencionais de propulsão diesel-elétrico da classe Riachuelo, derivada da Scorpène, e o primeiro Submarino Nuclear Convencionalmente Armado Álvaro Alberto, com previsão de lançamento para 2038.
Acompanhado na oportunidade por empresas brasileiras, como a Embraer, Múcio relatou a Godoy que a conversa foi extremamente positiva. Além dos submarinos, o ministro da Defesa também quer vender aos vizinhos os cargueiros KC-390 Millennium.
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