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Brasil chega à quarta fragata Tamandaré e enfrenta decisão sobre mais quatro navios para evitar que capacidade naval recém-recuperada volte a ser interrompida

Segundo lote da Classe Tamandaré pode elevar a força para oito fragatas e definir se investimentos em estaleiro, fornecedores, tecnologia e mão de obra especializada terão continuidade no Brasil

Brasil chega à quarta fragata Tamandaré e enfrenta decisão sobre mais quatro navios para evitar que capacidade naval recém-recuperada volte a ser interrompida
Construção da Classe Tamandaré coloca em discussão a continuidade da capacidade naval militar brasileira.
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O Brasil chega à quarta fragata Tamandaré em um momento que coloca a Marinha diante de uma decisão maior do que simplesmente encomendar mais navios. Com a construção da última unidade do primeiro lote em andamento, o país precisa definir se dará continuidade à linha de produção com outras quatro embarcações ou se permitirá uma interrupção justamente quando a capacidade nacional de construir escoltas modernas começa a se consolidar.

Em 13 de agosto, a Marinha do Brasil e o Consórcio Águas Azuis realizaram, em Itajaí (SC), o lançamento da quilha da fragata Mariz e Barros (F203), quarta e última unidade prevista no lote inicial do Programa Fragatas Classe Tamandaré.

O marco ocorreu em uma fase particularmente importante do cronograma. Enquanto a F203 entra na etapa estrutural de construção, a Jerônimo de Albuquerque (F201) iniciou seus testes no mar e a Cunha Moreira (F202) avança pelas etapas seguintes do programa. A Tamandaré (F200), primeira da classe, já havia sido incorporada à Marinha.

Não são apenas quatro cascos em diferentes estágios. A sequência indica que o país conseguiu estabelecer uma linha capaz de trabalhar simultaneamente com diferentes fases da construção de navios de guerra de aproximadamente 3.500 toneladas.

Segundo lote pode levar a Classe Tamandaré a oito navios

O próximo passo já possui uma base política e industrial.

Em abril, durante a incorporação da Tamandaré (F200), o Ministério da Defesa e o Consórcio Águas Azuis assinaram um Memorando de Entendimento que estabelece bases para a possível construção de mais quatro fragatas.

Caso essa intenção seja convertida em contrato, a Classe Tamandaré poderá chegar a oito unidades.

É aí que a discussão muda de dimensão. O problema deixa de ser apenas quantas fragatas a Marinha deseja operar e passa a envolver o que acontecerá com uma estrutura industrial montada durante anos para atender ao programa.

O primeiro lote exigiu infraestrutura, transferência de tecnologia, treinamento de profissionais e desenvolvimento de uma cadeia de fornecedores. A experiência acumulada tende a tornar um lote subsequente diferente do primeiro: boa parte da estrutura física, do conhecimento e dos processos industriais já existe.

Uma paralisação prolongada entre os dois lotes pode produzir o efeito contrário. Profissionais especializados podem migrar para outros setores, fornecedores podem abandonar linhas específicas e parte do conhecimento acumulado precisaria ser reconstruída em uma eventual retomada.

Esse é um velho problema dos grandes programas de defesa: construir capacidade industrial leva anos; deixá-la desaparecer pode acontecer muito mais rápido.

Quatro fragatas modernas não encerram o problema dos escoltas

Há também uma questão operacional.

As quatro primeiras Tamandaré representam uma renovação tecnológica importante para a Marinha, mas não eliminam, sozinhas, a necessidade de recomposição da força de escoltas brasileira.

Uma frota de oito unidades ampliaria a margem para distribuir navios entre diferentes missões e áreas de responsabilidade sem pressupor que todas as embarcações estarão disponíveis simultaneamente. Navios militares passam por manutenção programada, reparos, treinamento de tripulações e períodos de preparação.

Com uma quantidade maior de escoltas, a Marinha ganha flexibilidade para manter presença no mar enquanto outras unidades permanecem indisponíveis.

Isso pesa especialmente no caso brasileiro. As águas jurisdicionais do país concentram rotas fundamentais para o comércio exterior, instalações ligadas à produção energética e extensas áreas marítimas com recursos naturais estratégicos.

O número de navios, portanto, precisa ser observado junto com a capacidade de mantê-los disponíveis ao longo dos anos.

A indústria naval entra no centro da decisão

A continuidade do Programa Fragatas Classe Tamandaré também coloca em discussão algo que nem sempre aparece quando um novo navio é entregue: o que fica no país depois da aquisição.

Comprar uma embarcação pronta no exterior e estabelecer uma capacidade doméstica de construção naval militar são decisões de natureza diferente.

No segundo caso, o investimento não termina no navio. Ele envolve instalações, engenheiros, soldadores, técnicos, integração de sistemas, gestão de projetos e empresas fornecedoras capazes de atender padrões militares.

O Brasil passou anos tentando reconstruir justamente essa engrenagem.

Por isso, o segundo lote não pode ser analisado apenas como uma eventual compra de outras quatro fragatas. Sua contratação definiria se a estrutura criada para o primeiro lote terá continuidade suficiente para se transformar em uma capacidade industrial duradoura.

Se houver uma interrupção significativa, uma futura expansão poderá exigir novos ciclos de contratação, treinamento e reorganização de fornecedores. Parte da eficiência obtida com a experiência das primeiras unidades também corre o risco de ser perdida.

Mariz e Barros fecha uma etapa e abre outra

O avanço da Mariz e Barros (F203) mostra que o Programa Tamandaré entrou em uma fase na qual várias unidades estão avançando dentro da mesma estrutura industrial.

Agora começa outra discussão.

O Memorando de Entendimento firmado em abril estabelece o caminho para quatro navios adicionais, mas ainda será necessário transformar essa intenção em uma contratação efetiva, com recursos e previsibilidade suficientes para evitar uma ruptura entre os lotes.

Se isso ocorrer, a Marinha poderá chegar a oito fragatas da classe enquanto o país mantém ativa a infraestrutura e a mão de obra formadas durante o programa.

A decisão sobre o segundo lote, por isso, será acompanhada não apenas pelo número de navios que poderão entrar na esquadra. O ponto decisivo será quanto tempo haverá entre o encerramento do primeiro lote e uma eventual nova encomenda — intervalo que pode determinar se a capacidade industrial recém-consolidada continuará produzindo ou terá de ser reconstruída no futuro.

Com informações da Zona Militar.

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Felipe Alves da Silva

Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com