O Exército brasileiro mantém projetos voltados à preservação e à difusão de seu patrimônio histórico, tema abordado pela Revista Sociedade Militar em matéria sobre incentivo cultural.
O Museu Histórico do Exército e o Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, reúnem blindados, canhões e objetos ligados à trajetória militar brasileira.
Entre as peças mais incomuns do acervo está uma mecha de cabelo atribuída a Napoleão Bonaparte, guardada num estojo que pertenceu ao marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.
Integrante do Sistema Cultural do Exército, o museu funciona num dos pontos históricos mais conhecidos da cidade e integra uma rede de espaços voltados à preservação da memória militar do país.
Museu do Exército preserva patrimônio histórico e memória militar
Segundo o ICOM (Conselho Internacional de Museus), o museu é uma instituição a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, que trabalha com testemunhos materiais e imateriais dos povos e seu ambiente.
No Brasil, o tema museu é regulado por uma legislação; trata-se do Estatuto de Museus (Lei nº 11.904/2009).
Essa lei reforça a definição, caracterizando o museu como instituição aberta ao público, vinculada ou não a personalidade jurídica própria, com missão de preservar o passado e comunicar o patrimônio cultural ao futuro.
Simplificando, é um lugar onde se guardam e exibem coleções de objetos de interesse artístico, cultural, científico, histórico, técnico, etc., geridos por instituições que procuram difundir os conhecimentos humanos.
A invenção da tradição no Exército brasileiro
A data de 19 de abril de 1648 marca a Primeira Batalha dos Guararapes, durante a expulsão dos holandeses do Nordeste brasileiro (Restauração Pernambucana).
Guararapes é, segundo tradição dos militares brasileiros, o batismo de fogo do maior exército da América Latina. Por isso, o Comando do Exército instituiu em 1994 essa data como o Dia do Exército.
Esse foi o nascimento simbólico do Exército. Todavia, sua institucionalização ocorreu em 1º de dezembro de 1824, com a Constituição do Império, que estabeleceu a organização formal das Forças Armadas brasileiras.
Segundo historiadores, o “Exército verdadeiramente nacional só teve organização institucional em 1824, dois anos após a Independência”.
A instituição assumiu, pelo menos para efeitos de administração de acervo cultural, que conta com “mais de três séculos de existência”.
Sistema Cultural do Exército reúne história, tradição e acervo militar
A princípio, pelo menos bicentenário, o Exército brasileiro tem certamente suas muitas memórias e relíquias. Portanto, não é de surpreender que haja em sua estrutura o Sistema Cultural do Exército (SisCEx).
O SisCEx atua em parceria com o Sistema de Comunicação Social e com o Sistema de Ensino da Força terrestre. Essa atuação busca desenvolver valores éticos e morais, aprimorar a vocação militar, cultuar os valores, tradições e de acentuar o compromisso do Exército com a Nação brasileira.
Por conseguinte, o Exército tem seus museus naturalmente gerenciados pelo seu Sistema Cultural.
Hoje, a Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército (DPHCEx) leva adiante a missão de administrar as atividades que visem à preservação e à divulgação do patrimônio histórico e cultural de interesse do Exército Brasileiro. Incluindo seus vários museus.
Quais são os principais museus militares do Exército Brasileiro?
O Exército Brasileiro (EB) mantém uma rede de museus militares e espaços culturais dedicados à preservação e divulgação da história militar do Brasil.
Segundo o Ministério da Defesa, o EB possui quatro museus militares principais, além de outros espaços museológicos e centros culturais vinculados.
Boa parte desse acervo encontra-se sob a guarda dos mais de 147 Espaços Culturais militares, organizações vinculadas tecnicamente à Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército (DPHCEx)
| Museu | Localização | Observações |
|---|---|---|
| Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana (MHEx/FC) | Rio de Janeiro (RJ) | Complexo museológico em Copacabana |
| Museu Militar Conde de Linhares (MMCL) | Rio de Janeiro (RJ) | São Cristóvão, vinculado ao MHEx |
| Museu Militar do Forte do Brum (MMFB) | Recife (PE) | Bairro do Recife, foco no soldado nordestino |
| Museu Militar do Comando Militar do Sul | Porto Alegre (RS) | Centro Histórico, gratuito |
Museu do Expedicionário preserva a história da FEB na Segunda Guerra
O Museu do Expedicionário (MEXP), por exemplo, ocupa um prédio localizado no centro da cidade de Curitiba/PR e foi inaugurado no dia 19 de dezembro de 1980.
Seu acervo é constituído por peças que retratam a participação da Força Expedicionária Brasileira na 2ª Guerra Mundial.
Medalha Tributo à Força Expedicionária Brasileira – FEB

Museu Militar do Comando Militar do Sul reúne blindados e canhões
O Museu Militar do Comando Militar do Sul tem coleções compostas por blindados, viaturas militares, obuseiros, canhões, armamentos, equipamentos militares, materiais do serviço de saúde, miniaturas, indumentárias divididas entre réplicas e originais, medalhas, bustos, bandeiras e flâmulas.

O Museu Histórico do Exército que guarda mecha de cabelo de Napoleão
Finalmente o Museu Histórico do Exército é um dos principais museus militares do país. Sua origem remonta ao século XIX.
Desde então, passou por alguns endereços do Rio de Janeiro, sendo extinto e recriado até 1987, ano em que fixou residência em um sítio famoso e histórico, o Forte de Copacabana.
É neste museu que o Exército tem uma de suas mais notáveis e inusitadas peças históricas.
Catalogada no acervo como “amostra humana” há um estojo com uma mecha de cabelo atribuída ao imperador francês Napoleão Bonaparte.
Segundo observação na amostra, o estojo que a contém pertenceu ao Marechal Castelo Branco e foi doado ao acervo pelo General de Divisão Carlos P. Freitas Pereira.

Receba nossas notícias diretamente, clique abaixo e entre no nosso grupo