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Galão é de oficial e divisa é de praça, estrela no ombro só general usa, e o distintivo no peito não diz posto nenhum: o guia para ler qualquer uniforme das três Forças sem perguntar a ninguém

Galão é de oficial e divisa é de praça, estrela no ombro só general usa, e o distintivo no peito não diz posto nenhum: o guia para ler qualquer uniforme das três Forças sem perguntar a ninguém
Militares em cerimônia do Comando Militar do Planalto, em Brasília. Foto: Agência Brasília, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).
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As três Forças têm equivalência exata entre os graus, ainda que com nomes diferentes: coronel no Exército e na Aeronáutica é capitão de mar e guerra na Marinha, e capitão vira capitão-tenente. Soldado no Exército e na FAB é marinheiro na Marinha.

Todo mundo já ficou olhando o ombro de um militar tentando adivinhar se aquilo era muito ou pouco.

A boa notícia é que o sistema é lógico e cabe numa leitura.

A má é que cada Força usa nomes diferentes para a mesma coisa, e é aí que a confusão começa.

Duas classes, e só duas

Os militares brasileiros se dividem em duas classes.

Os oficiais são classificados por postos.

As praças são classificadas por graduações.

A cada grau hierárquico corresponde uma insígnia própria, e é ela que aparece no uniforme.

Toda a leitura visual parte dessa divisão: primeiro se identifica a classe, depois o grau dentro dela.

Praça especial, a categoria que confunde

Entre as duas classes existe uma faixa intermediária que quase ninguém conhece.

São as praças especiais: o cadete da Academia Militar, o aspirante a oficial, o aluno da escola naval e o guarda-marinha.

Eles ainda não são oficiais, mas já não estão no mesmo patamar das demais praças, e têm precedência definida em norma.

É a categoria de quem está atravessando a ponte entre uma classe e outra, e ela dura só o tempo da formação.

Quem entra por essa porta faz o percurso completo do serviço militar inicial de forma diferente de quem é incorporado como soldado.

Galão, divisa e a diferença entre eles

Os dois termos não são sinônimos, ainda que muita gente use como se fossem.

Galão é a tira que identifica oficial.

Divisa é a marca que identifica sargento e praça.

Na gíria de caserna, os galões de oficial-general ganharam nome próprio: são chamados de estrelas.

Como regra prática, quanto mais elaborado o conjunto, com estrelas, barras ou folhas, mais alto o grau.

Onde procurar em cada Força

O lugar da insígnia muda conforme o uniforme e a Força.

Na Marinha e na Aeronáutica, as ombreiras carregam posto e especialidade.

No Exército, mangas e punhos costumam indicar a especialidade.

Em uniforme de campanha o desenho é discreto e em cores apagadas, porque brilho no ombro é alvo.

Em uniforme de cerimônia acontece o oposto, e é ali que a hierarquia fica mais legível para quem é de fora.

O grau define o dinheiro

Existe um efeito prático imediato que a insígnia comunica sem dizer.

O soldo é definido por posto e graduação, e a partir dele se calculam praticamente todos os direitos pecuniários.

A ajuda de custo de mudança sai em múltiplos do soldo, e a pensão deixada à família também se refere ao grau.

Por isso a diferença entre subir um degrau e ficar onde está vale muito mais do que a mudança no ombro sugere.

Ler um uniforme é, em última instância, ler uma faixa salarial.

Os quatro generais e os quatro almirantes

No topo estão os oficiais-generais, e as três Forças usam nomes completamente diferentes.

O general de brigada do Exército equivale ao contra-almirante da Marinha e ao brigadeiro da Aeronáutica.

O general de divisão equivale ao vice-almirante e ao major-brigadeiro.

O general de exército equivale ao almirante de esquadra e ao tenente-brigadeiro.

Acima de todos vem o posto de marechal, almirante e marechal do ar, reservado a situações excepcionais.

Onde a Marinha muda tudo

É na faixa dos oficiais superiores e subalternos que quem é de fora se perde.

Coronel do Exército e da Aeronáutica é capitão de mar e guerra na Marinha.

Tenente-coronel é capitão de fragata, e major é capitão de corveta.

O capitão do Exército, que é oficial subalterno, equivale ao capitão-tenente da Marinha.

Ou seja: existe capitão que é oficial superior e capitão que não é, dependendo da Força, e a palavra sozinha não diz nada.

Entre as praças a nomenclatura é mais uniforme, com uma exceção no alto e outra na base.

Entre as praças a nomenclatura é mais parecida, com uma exceção no alto e outra embaixo.

O grau mais elevado é o subtenente no Exército e o suboficial na Marinha e na Aeronáutica.

Abaixo vêm primeiro-sargento, segundo-sargento e terceiro-sargento, com os mesmos nomes nas três Forças.

Depois vem o cabo, também igual nas três.

E na base fica o soldado no Exército e na Aeronáutica, que na Marinha se chama marinheiro.

Insígnia não é distintivo

Este é o erro mais comum de civil, de jornalista e de concurseiro.

A insígnia indica o grau hierárquico, e é o que responde à pergunta sobre quem manda em quem.

O distintivo indica outra coisa: função exercida, especialidade, curso concluído ou unidade a que o militar pertence.

Um brevê de paraquedista, um distintivo de curso de selva ou um emblema de batalhão não elevam ninguém na hierarquia.

Eles contam a biografia profissional, e não a posição na cadeia de comando.

Por que a leitura importa na prática

Saber ler uniforme não é curiosidade de museu.

A hierarquia decide quem comanda, quem responde, quem assina e quem sobe, e a promoção depende do quadro de acesso.

Para a família militar, o grau define soldo, ajuda de custo, moradia e até o cálculo de pensão.

Para quem vai prestar concurso, entender a diferença entre a carreira de oficial e a de praça é a primeira decisão a tomar, antes mesmo de estudar.

E para o jovem que se apresenta pelo serviço militar inicial, é o primeiro alfabeto a decorar.

O que a insígnia não conta

Vale terminar com o limite da leitura.

A insígnia mostra o grau, mas não mostra a antiguidade dentro dele, que é o que realmente decide precedência entre dois militares do mesmo posto.

Também não mostra se o militar é de carreira ou temporário com contrato anual, distinção que muda direitos inteiros.

E não mostra situação funcional, ou seja, se a pessoa está na ativa, na reserva ou reformada.

O uniforme responde a uma pergunta e apenas uma: qual o lugar daquela pessoa na cadeia de comando naquele momento.

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Jefferson Silva

Jefferson Silva

Atuo na Sociedade Militar trazendo análises e conteúdos relacionados a Geopolítica, Tecnologia militar, Industria de Defesa e Inteligência Artificial.