O futuro NDM Oiapoque (G350) deu mais um passo concreto para integrar a Marinha do Brasil. O Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou oficialmente nesta sexta-feira (28) a transferência do ex-HMS Bulwark para o Brasil, navio de assalto anfíbio de 176 metros e cerca de 18.000 toneladas que será o segundo maior navio de guerra da Esquadra brasileira.
Reino Unido confirma transferência do Oiapoque
A confirmação britânica é o fato novo de um processo que o Brasil já vinha conduzindo. A aquisição do HMS Bulwark foi acertada anteriormente, e o navio passa por preparação para iniciar uma nova etapa de sua vida operacional como NDM Oiapoque (G350).
Em comunicado oficial publicado pelo governo britânico, o Ministério da Defesa afirma que o HMS Bulwark será vendido à Marinha do Brasil após mais de duas décadas de serviço na Royal Navy.
O ministro de Estado da Defesa britânico, Lord Coaker, afirmou que o navio continuará sua história “em serviço brasileiro”. Incorporado à Royal Navy em 2005, o Bulwark chegou a atuar como navio-capitânia da frota britânica entre 2011 e 2015 e participou de operações anfíbias e humanitárias.
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A confirmação não significa, porém, que o Oiapoque já tenha sido entregue fisicamente à Marinha. O navio permanece no Reino Unido durante os trabalhos que antecedem sua transferência definitiva para a Esquadra brasileira. Registros de agosto mostram o G350 em Plymouth durante essa preparação.
A própria RSM acompanha esse processo há meses e mostrou em abril como o Oiapoque entrou na fase decisiva para se tornar o segundo maior navio de guerra brasileiro.
18.000 toneladas e até 1.000 militares

Os números mostram a dimensão do novo navio da Marinha.
O Oiapoque possui 176 metros de comprimento e deslocamento próximo de 18.000 toneladas. Sua tripulação poderá chegar a aproximadamente 290 militares, enquanto cerca de 700 combatentes poderão ser acomodados, dependendo da missão.
Na configuração de maior ocupação, portanto, o G350 poderá reunir cerca de 1.000 militares a bordo, somando tripulação e força transportada. Isso não significa capacidade para transportar mil combatentes: aproximadamente 290 correspondem à própria tripulação necessária para operar o navio.
O porte permite ainda levar carros de combate, viaturas, ambulâncias, alimentos, medicamentos e hospitais de campanha. O convés de voo foi projetado para operar até duas aeronaves de grande porte.
Doca transforma navio em plataforma de desembarque
O Oiapoque pertence à classe Albion e foi concebido para operações anfíbias. Uma de suas características centrais é a doca alagável, que permite lançar e recolher embarcações de desembarque diretamente a partir do navio.
Na prática, tropas, veículos, equipamentos e suprimentos podem ser deslocados do G350 para regiões costeiras sem depender exclusivamente de infraestrutura portuária disponível.
Essa arquitetura explica também seu caráter multipropósito. A mesma plataforma destinada ao transporte e desembarque de forças militares pode apoiar evacuações, operações logísticas e respostas a calamidades.
A RSM já detalhou como a estrutura do NDM Oiapoque amplia as capacidades de resposta a desastres, evacuação e dissuasão naval da Marinha, incluindo o emprego de helicópteros, embarcações de desembarque, tropas e equipamentos pesados.
Segundo maior navio da Esquadra brasileira
Quando incorporado, o Oiapoque será o segundo maior navio de guerra da Esquadra brasileira, atrás apenas do NAM Atlântico (A140).
A comparação não significa que os dois navios tenham funções idênticas. No G350, a combinação de doca alagável, convés de voo e grandes espaços para pessoal, veículos e equipamentos coloca o transporte anfíbio, o desembarque e o apoio logístico entre suas capacidades centrais.
Durante uma visita ao navio no Reino Unido em fevereiro, o então ministro da Defesa José Mucio acompanhou sua preparação e o treinamento da tripulação. Na ocasião, foram destacadas justamente as possibilidades de transportar carros de combate, viaturas, ambulâncias e estruturas de campanha.
Para a Marinha, portanto, o ganho não está apenas nas 18.000 toneladas. Está na possibilidade de concentrar tropas, aeronaves, veículos, embarcações e grande volume de material em uma única plataforma naval.
Oiapoque se soma à renovação da Esquadra
A futura incorporação acontece enquanto outros navios de nova geração da Marinha começam a ampliar sua atividade operacional fora do Brasil.
Em agosto, a Fragata Tamandaré (F200) e o Submarino Humaitá (S41) realizaram na Argentina suas primeiras operações internacionais durante o Exercício Combinado Fraterno XXXIX.
A RSM acompanhou presencialmente o encerramento da missão em Mar del Plata e publicou imagens e vídeos exclusivos dos dois navios deixando a base naval argentina.
Tamandaré, Humaitá e Oiapoque representam capacidades distintas. A primeira integra a renovação das escoltas de superfície; o submarino foi construído no âmbito do PROSUB; e o G350 acrescentará uma grande plataforma anfíbia e logística à Esquadra.
No caso do Oiapoque, a transformação já aparece no próprio casco: o antigo HMS Bulwark, que serviu por mais de duas décadas sob a identificação britânica L15, já ostenta o G350 destinado à Marinha do Brasil. Com a confirmação oficial publicada agora pelo Reino Unido, também está definido o próximo capítulo de sua vida operacional: a Esquadra brasileira.