A Operação Jaguaretê-Oeste, coordenada pelo Comando Militar do Oeste, fechou o balanço de 2 de agosto com 6,5 toneladas de maconha e prejuízo estimado de R$ 41,2 milhões às redes criminosas na faixa de fronteira de quatro estados.
A conta da maior operação de fronteira do ano saiu em dinheiro. A Operação Jaguaretê-Oeste, coordenada pelo Comando Militar do Oeste, causou prejuízo estimado de R$ 41,2 milhões às redes criminosas até 2 de agosto, com mais de 600 militares e agentes públicos empregados por dia, segundo o Correio do Estado. É a maior mobilização recente do Exército Brasileiro na faixa de fronteira.
O que foi apreendido
O item mais pesado do balanço é a maconha, com 6,5 toneladas retiradas de circulação. Vêm depois 194 quilos de outras substâncias ilícitas, 94 quilos de skunk, 34 quilos de cocaína, 12 quilos de pasta base e 11,9 quilos de drogas sintéticas, conforme os números divulgados pelo Comando Militar do Oeste e reproduzidos pelo Correio do Estado.
| Item | Quantidade apreendida |
|---|---|
| Maconha | 6,5 toneladas |
| Outras substâncias ilícitas | 194 kg |
| Skunk | 94 kg |
| Cocaína | 34 kg |
| Pasta base | 12 kg |
| Drogas sintéticas | 11,9 kg |
O contrabando entra na conta por outro caminho. Foram mais de 79,9 mil pacotes de cigarro e 21 veículos apreendidos, além de armas de fogo e munição, itens que somados à droga formam o valor de R$ 41,2 milhões atribuído ao prejuízo do crime, de acordo com o mesmo balanço.
Onde a tropa está
A operação cobre a faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina, o trecho que encosta em Bolívia, Paraguai e Argentina. O comando fica com o Comando Militar do Oeste, sediado em Campo Grande, que integra a ação com órgãos federais e estaduais de segurança e de fiscalização.
O método é de presença permanente, não de incursão isolada. A tropa faz patrulhas em rotas terrestres e fluviais, monta postos de bloqueio e controle de estrada e fiscaliza veículos, pessoas e embarcações, com troca contínua de inteligência entre as instituições que participam, segundo a descrição da operação divulgada pelo comando.
De onde veio a Jaguaretê
A operação não nasceu agora. Em 20 de julho, o Exército anunciou a megaoperação para cercar as facções em toda a faixa de fronteira com Argentina, Paraguai e Bolívia, reunindo tropas distribuídas de Santa Catarina a Rondônia.
A Jaguaretê-Oeste é o recorte oeste desse esforço. O nome vem do tupi-guarani e designa a onça-pintada, o maior felino das Américas, animal associado à região de fronteira onde a operação atua.
A mesma fronteira do avião interceptado
O trecho onde a operação se concentra é o mesmo por onde entrou o avião que a Força Aérea Brasileira forçou a pousar em 31 de julho. A aeronave veio da Bolívia, cruzou Mato Grosso do Sul sem plano de voo, sem contato com o controle de tráfego aéreo e com matrícula não identificada.
Depois de dois caças A-29 Super Tucano dispararem tiros de advertência, o avião desceu numa pista improvisada a cerca de 200 quilômetros de Campo Grande e a tripulação sumiu antes da chegada da polícia. A investigação apura se a aeronave foi usada para tirar da Bolívia o grupo suspeito de matar um policial em San Matías, do outro lado da linha.
Uma operação sem data para acabar
O balanço de R$ 41,2 milhões é parcial. O Comando Militar do Oeste informou que a Jaguaretê-Oeste segue sem data definida para terminar, o que significa que os números tendem a ser revisados a cada novo levantamento.
Enquanto isso, a rotina no ar continua a cargo da Força Aérea. A FAB registrou queda de 82% nas interceptações aéreas depois que passou a trabalhar com inteligência prévia sobre as rotas do tráfego, um dado que mede o mesmo problema pelo lado do espaço aéreo. O próximo balanço da operação caberá de novo ao Comando Militar do Oeste.