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Deflagrada há quatro dias, megaoperação nacional contra o crime organizado mobilizou 20 bases em 19 estados, terminou com 137 prisões e 173 buscas e colocou mais de R$ 508 milhões em bens e ativos na mira da Justiça

Deflagrada em 16 de setembro, a Operação Força Integrada IV mobilizou 20 bases em 19 estados, resultou em 137 prisões e 173 buscas e atingiu cerca de R$ 510 milhões entre bloqueios judiciais e bens apreendidos ligados ao crime organizado

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer Atualizado em 20/09/2026 às 08:52·publicado em 20/09/2026
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Deflagrada há quatro dias, megaoperação nacional contra o crime organizado mobilizou 20 bases em 19 estados, terminou com 137 prisões e 173 buscas e colocou mais de R$ 508 milhões em bens e ativos na mira da Justiça

Deflagrada em 16 de setembro, há quatro dias, uma operação de alcance nacional contra o crime organizado mobilizou 20 bases das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado, as FICCOs, em 19 estados e terminou com um balanço de 137 prisões e 173 mandados de busca e apreensão cumpridos.

O dado mais recente detalha as prisões: foram 44 flagrantes, 17 prisões decorrentes de mandados temporários e 76 de mandados preventivos. Na frente financeira, a Polícia Federal contabilizou mais de R$ 508,3 milhões em bloqueios judiciais de bens e ativos. Já o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou posteriormente que, ao considerar também os bens móveis apreendidos, os valores financeiros e patrimoniais computáveis chegaram a cerca de R$ 510 milhões.

Batizada de Operação Força Integrada IV, a ofensiva reuniu Polícia Federal, polícias estaduais, Polícia Rodoviária Federal e outros órgãos de segurança em ações relacionadas a investigações sobre tráfico de drogas, tráfico de armas, homicídios, lavagem de dinheiro, extorsão e atuação de organizações criminosas violentas.

Balanço atualizado chegou a 137 prisões entre mandados cumpridos e flagrantes

Os primeiros números divulgados pela Polícia Federal ainda refletiam a fase inicial da operação. Na manhã de 16 de setembro, a corporação informou que seriam cumpridos 173 mandados de busca e apreensão e 106 mandados de prisão.

Com o avanço das diligências, o balanço mudou. A própria PF atualizou os resultados para 93 prisões mediante mandado e outras 44 prisões em flagrante, chegando às 137 prisões registradas durante as ações.

No dia seguinte, o Ministério da Justiça apresentou um detalhamento ainda maior: das 93 prisões decorrentes de mandados, 17 foram temporárias e 76 preventivas. Somadas aos 44 flagrantes, chegam-se às 137 prisões do balanço consolidado.

Agentes de diferentes forças de segurança reunidos diante de helicóptero durante a Operação Força Integrada IV, deflagrada em 16 de setembro de 2026 contra o crime organizado em 19 estados. Foto: Polícia Federal/Divulgação.
Agentes de diferentes forças de segurança reunidos diante de helicóptero durante a Operação Força Integrada IV, deflagrada em 16 de setembro de 2026 contra o crime organizado em 19 estados. Foto: Polícia Federal/Divulgação.

Mais de R$ 508,3 milhões foram bloqueados e impacto patrimonial chega perto de R$ 510 milhões

A tentativa de atingir financeiramente os grupos investigados foi uma das principais frentes da Operação Força Integrada IV.

Segundo o balanço da Polícia Federal, decisões judiciais determinaram mais de R$ 508,3 milhões em bloqueios de bens e ativos financeiros, com o objetivo de descapitalizar organizações criminosas investigadas.

O Ministério da Justiça ampliou a fotografia do impacto patrimonial ao incluir também os bens móveis apreendidos. Nesse cálculo, bloqueios e patrimônio computável chegaram a aproximadamente R$ 510 milhões.

A diferença entre os dois números, portanto, não significa que quase R$ 2 milhões adicionais tenham sido bloqueados posteriormente. Os R$ 508,3 milhões se referem especificamente aos bloqueios judiciais, enquanto os cerca de R$ 510 milhões consideram uma base patrimonial mais ampla.

Tocantins sozinho teve autorização para bloqueio de até R$ 412,5 milhões

Uma parcela expressiva do montante aparece no Tocantins. A Operação Rota Araguaia II mirou um núcleo logístico e financeiro que, segundo a investigação, estaria relacionado ao tráfico transnacional de drogas e à lavagem de dinheiro.

Nesse braço da ofensiva, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 412,5 milhões em bens e ativos financeiros.

O valor ajuda a explicar por que a frente patrimonial ganhou tanto peso no balanço nacional da operação.

Agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, a FICCO, durante uma das diligências da Operação Força Integrada IV, realizada em 16 de setembro de 2026 em ações simultâneas contra organizações criminosas. Foto: Polícia Federal/Divulgação.
Agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, a FICCO, durante uma das diligências da Operação Força Integrada IV, realizada em 16 de setembro de 2026 em ações simultâneas contra organizações criminosas. Foto: Polícia Federal/Divulgação.

Mato Grosso do Sul teve até R$ 75 milhões em bens bloqueados e Bahia concentrou 57 buscas

Em Mato Grosso do Sul, a ação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão e dois de prisão, além de receber autorização judicial para o sequestro de até R$ 75 milhões em bens e valores.

Na Bahia, a Operação Eirene II concentrou um dos maiores volumes de ordens judiciais. Foram 57 mandados de busca e apreensão e 45 de prisão, além de medidas patrimoniais superiores a R$ 12 milhões.

A investigação baiana envolve suspeitas relacionadas a tráfico de drogas, homicídios, extorsão, lavagem de dinheiro e posse ilegal de armas.

No Acre, outra frente da operação determinou o sequestro de 29 imóveis, dois veículos e bloqueio judicial de até R$ 8 milhões.

Operação apreendeu veículos, armas, munições, drogas e dinheiro em espécie

O patrimônio atingido pelas ações não ficou restrito aos valores bloqueados em decisões judiciais.

O balanço da Polícia Federal registra 18 veículos apreendidos, avaliados em aproximadamente R$ 1,6 milhão, além dos 29 imóveis sequestrados na ação ligada ao Acre.

Também foram apreendidas sete armas de fogo e 49 munições, enquanto as equipes retiraram de circulação aproximadamente 11 kg de cocaína e derivados e 90 kg de maconha e derivados.

Durante as diligências, foram encontrados ainda cerca de R$ 171,8 mil em dinheiro em espécie.

FICCO reúne diferentes forças de segurança sem hierarquia entre as instituições

Agentes da Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e outras forças integradas durante uma das ações da Operação Força Integrada IV, deflagrada em 16 de setembro de 2026 contra organizações criminosas em diferentes estados do país. Foto: Polícia Federal/Divulgação.
Agentes da Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e outras forças integradas durante uma das ações da Operação Força Integrada IV, deflagrada em 16 de setembro de 2026 contra organizações criminosas em diferentes estados do país. Foto: Polícia Federal/Divulgação.

As Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado funcionam sob uma lógica de força-tarefa e reúnem instituições federais, estaduais e municipais.

Participam das ações Polícias Civis, Militares e Penais, Guardas Municipais, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria Nacional de Políticas Penais e secretarias estaduais de Segurança Pública.

A coordenação das FICCOs é realizada pela Polícia Federal, mas a instituição ressalta que não existe hierarquia entre os órgãos participantes.

Segundo a PF, existem atualmente 41 unidades FICCO distribuídas pelo país, destinadas ao compartilhamento de inteligência e à realização de operações conjuntas contra organizações criminosas.

De tráfico e lavagem de dinheiro à busca por armas, operação reuniu investigações diferentes

A Operação Força Integrada IV funcionou como uma grande ação coordenada, mas os mandados não pertenciam a uma única investigação.

Na Paraíba, a Operação Trapiche mirou um grupo investigado por tráfico de drogas, homicídios e lavagem de dinheiro. No Amapá, uma das ações buscava localizar armamentos atribuídos a um grupo criminoso.

Em Sergipe, a Operação Usurero investigou suspeitas de agiotagem, extorsão e ameaças. Outras ações ocorreram em Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul e diferentes pontos do país.

O elemento comum foi a execução coordenada das diligências dentro da estrutura das FICCOs em 16 de setembro.

Quatro dias depois, balanço consolidado registra 137 prisões e cerca de R$ 510 milhões atingidos

Quatro dias depois da deflagração da Operação Força Integrada IV, o balanço oficial mais recente disponível dimensiona o tamanho da ofensiva: 173 buscas cumpridas e 137 prisões, sendo 44 flagrantes, 17 prisões temporárias e 76 preventivas.

Na frente financeira, foram mais de R$ 508,3 milhões em bloqueios judiciais. Quando são incluídos os bens móveis apreendidos no cálculo divulgado posteriormente pelo Ministério da Justiça, o impacto financeiro e patrimonial computável chega a cerca de R$ 510 milhões.

Os números representam o balanço operacional das ações e não significam condenação das pessoas investigadas. As apurações relacionadas a cada braço da operação permanecem vinculadas às respectivas investigações e processos judiciais.

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