Enquanto a FAB (Força Aérea Brasileira) desembolsa R$ 11,32 milhões para garantir assistência médica a militares e civis que estão nos EUA, sua rede de atendimento no Brasil sofre uma redução na mesma semana.
Em Brasília, 3 hospitais deixaram de integrar a rede credenciada do FUNSA (Fundo de Saúde da Aeronáutica) e, consequentemente, a rede de atendimento do Hospital da Força Aérea, incluindo duas unidades do Hospital Brasília e uma maternidade.
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São situações distintas e sem relação entre si, mas que colocam em evidência dois movimentos simultâneos da assistência à saúde dos integrantes da Força Aérea.
FAB contrata seguro de R$ 11,3 milhões nos Estados Unidos
A Comissão Aeronáutica Brasileira em Washington (CABW) fechou um contrato de US$ 2,18 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 11,32 milhões, para garantir cobertura de seguro de saúde corporativo para militares e civis em missão ou lotados nos Estados Unidos.
O contrato foi firmado com a Aetna Life Insurance Company, uma das grandes empresas norte-americanas do setor de seguros de saúde. O acordo começa a valer nesta quinta-feira, 1º de outubro, e terá vigência até 1º de outubro de 2027.
Segundo a FAB, o plano terá cobertura abrangente e funcionará no regime de compartilhamento de custos, algo como coparticipação.
Além dos militares e civis em missão ou lotados nos EUA, também serão beneficiados os assistentes locais da Comissão Aeronáutica Brasileira em Washington e do Escritório do Adido de Defesa e Aeronáutica nos Estados Unidos, incluindo seus respectivos dependentes elegíveis.
A FAB e o governo brasileiro não divulgam publicamente quantos militares estão em atividade nos EUA. O organograma da Comissão Aeronáutica Brasileira em Washington, entretanto, conta com ao menos 25 funcionários, distribuídos por setores como logística, finanças, licitações, contratos e administrativo.
Por que a FAB precisa contratar um seguro nos EUA?
A dimensão do contrato firmado pela FAB pode ser entendida pelo próprio funcionamento do sistema de saúde americano e pela estrutura de assistência oferecida aos militares no Brasil, que inclui o Hospital da Força Aérea e sua rede conveniada.
Diferentemente do Brasil, os EUA não têm um sistema universal de saúde pública nos moldes do SUS, para onde alguns militares já foram enviados por falta de atendimento na rede própria. Por isso, a cobertura por meio de seguros de saúde tem papel central no acesso da população americana à assistência médica.
De acordo com estatísticas de 2024 do United States Census Bureau, órgão oficial de estatísticas dos EUA equivalente ao IBGE brasileiro, mais de 92% dos norte-americanos tinham seguro de saúde durante parte ou todo o ano.
No período, a cobertura por seguro privado alcançava 66,1% da população, enquanto a cobertura pública chegava a 35,5%. Os percentuais podem se sobrepor porque uma mesma pessoa pode ter diferentes tipos de cobertura ao longo do ano.
O seguro de saúde oferecido pelo empregador era a modalidade mais comum, alcançando 53,8% da população norte-americana.
Militares da Aeronáutica em Brasília perdem acesso a 3 hospitais
Na capital federal, os militares da FAB contam com atendimento do Hospital da Força Aérea de Brasília (HFAB) ou da rede conveniada ao FUNSA.
No entanto, nesta terça-feira, 29 de setembro, essa rede de convênios ficou menor.
De acordo com a FAB, a Rede Américas, resultado da fusão entre Dasa e Amil, decidiu descredenciar unilateralmente do FUNSA três unidades de saúde:
- Hospital Brasília Lago Sul
- Hospital Brasília Águas Claras
- Maternidade Brasília
Em comunicado, o Hospital de Força Aérea de Brasília informou:
“Essas unidades não integram mais a rede credenciada para atendimento aos beneficiários, observadas as orientações e os procedimentos assistenciais vigentes.”

O portal Revista Sociedade Militar entrou em contato com a assessoria de comunicação da Rede Américas para entender a motivação do descredenciamento. Este texto será atualizado quando houver resposta.
Ao menos por enquanto, no site dos hospitais, o FUNSA ainda consta na extensa relação de operadoras aceitas, ao menos na madrugada desta quarta-feira.
Na mesma relação também aparecem o FUSMA (Fundo de Saúde da Marinha) e o FUSEX (Fundo de Saúde do Exército).
