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FAB troca helicópteros russos de ataque por Black Hawks americanos: unidade que está sem aeronaves desde 2022 voltará a voar quatro anos depois, mas com uma missão completamente diferente

Após quatro anos sem aeronaves desde a retirada dos AH-2 Sabre, uma unidade da FAB em Porto Velho será reativada com H-60 Black Hawk modernizados, agora voltados para busca, salvamento em combate e escolta.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 20/09/2026 às 08:05
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FAB troca helicópteros russos de ataque por Black Hawks americanos: unidade que está sem aeronaves desde 2022 voltará a voar quatro anos depois, mas com uma missão completamente diferente

O Esquadrão Poti, 2º/8º Grupo de Aviação da Força Aérea Brasileira, está sendo preparado para voltar a operar depois de permanecer sem aeronaves desde a retirada dos helicópteros de ataque AH-2 Sabre, em 2022. A retomada será feita com o H-60 Black Hawk, mas em um perfil de missão diferente daquele executado pelos antigos Mi-35M russos.

Sediada na Base Aérea de Porto Velho, em Rondônia, a unidade não foi formalmente desativada durante esses quatro anos. Segundo informação do Estado-Maior da Aeronáutica divulgada pela Tecnologia & Defesa, o Poti está em processo de preparação para receber os H-60 e deverá atuar em Busca e Salvamento, Busca e Salvamento em Combate e Escolta.

A mudança fecha uma lacuna que começou quando os 12 AH-2 Sabre deixaram de voar e, ao mesmo tempo, redefine a função de um esquadrão historicamente associado ao emprego ofensivo de helicópteros.

Poti ficou sem aeronaves desde 2022, mas a FAB manteve o esquadrão formalmente ativo

A retirada dos AH-2 Sabre interrompeu as operações aéreas do Poti, mas a estrutura da unidade permaneceu existente. A confirmação mais recente indica que a solução escolhida pela FAB não será a aquisição imediata de outro helicóptero de ataque dedicado, e sim o emprego do Black Hawk em missões de resgate, apoio e escolta.

Esse detalhe separa o novo ciclo do anterior. O Mi-35M era uma aeronave fortemente armada e blindada, concebida para ataque e transporte de tropas em ambiente de combate. O H-60 é uma plataforma utilitária multimissão, utilizada pela FAB em operações de transporte, apoio tático, evacuação e busca e salvamento.

Helicóptero de ataque AH-2 Sabre, versão brasileira do Mi-35M russo, durante operação da Força Aérea Brasileira. A aeronave integrou a frota do Esquadrão Poti até sua retirada de serviço em 2022.
Helicóptero de ataque AH-2 Sabre, versão brasileira do Mi-35M russo, durante operação da Força Aérea Brasileira. A aeronave integrou a frota do Esquadrão Poti até sua retirada de serviço em 2022.

FAB comprou mais 11 UH-60L e terá uma frota de 24 Black Hawks dentro do programa de modernização

A retomada do Poti ocorre enquanto a FAB amplia e atualiza sua frota. Em 2025, foram adquiridos 11 UH-60L usados provenientes dos estoques do Exército dos Estados Unidos. Eles se somarão aos 13 Black Hawks atualmente em operação, levando a 24 o número de aeronaves abrangidas pelo programa de revisão e modernização.

A ACE Aeronautics, nos Estados Unidos, ficará responsável pela modernização. A FAB já enviou para o país a aeronave de matrícula FAB 8909, que servirá como protótipo para o programa.

Primeiro Black Hawk modernizado deve voltar ao Brasil em 2027

Um dos principais elementos da atualização será a instalação da suíte de aviônicos Garmin G5000H. O sistema substituirá instrumentos analógicos por quatro telas de 12 polegadas e deverá ampliar a consciência situacional das tripulações.

A FAB informou que o primeiro H-60 modernizado deve ser entregue em 2027, enquanto as outras aeronaves serão atualizadas gradualmente durante a execução do contrato. A distribuição definitiva dos helicópteros entre os esquadrões ainda seguirá critérios técnicos e não foi detalhada publicamente.

Atualmente, Black Hawks da Força Aérea operam com os esquadrões Pantera, em Santa Maria; Harpia, em Manaus; e Pelicano, em Campo Grande.

Novo H-60 não será equipado como substituto direto do helicóptero de ataque AH-2

Helicóptero H-60 Black Hawk em solo durante preparação para missão. O modelo será usado pela FAB na retomada da unidade de Porto Velho, com foco em busca e salvamento, CSAR e escolta.
Helicóptero H-60 Black Hawk em solo durante preparação para missão. O modelo será usado pela FAB na retomada da unidade de Porto Velho, com foco em busca e salvamento, CSAR e escolta.

Apesar da volta do Poti, a FAB confirmou que não existe previsão de instalar armamento externo adicional nos H-60 modernizados. Isso afasta, por enquanto, configurações comparáveis ao AH-60L Arpía colombiano ou ao MH-60M DAP empregado por forças especiais norte-americanas.

Os Black Hawks brasileiros podem utilizar metralhadoras M134 Minigun instaladas nas laterais, mas não receberão, dentro do programa anunciado, conjuntos externos para mísseis e foguetes.

Assim, a volta do esquadrão não representa a recuperação integral da mesma capacidade ofensiva que existia com o Mi-35M.

SAR e CSAR colocam o Poti em missões nas quais alcance, resgate e sobrevivência da tripulação são decisivos

A missão SAR é voltada à localização e ao resgate de pessoas em situações de emergência. Já o CSAR leva esse conceito para um ambiente de combate, onde a aeronave pode precisar entrar em uma área ameaçada para recuperar tripulantes ou militares isolados.

O Black Hawk já é empregado pela FAB em operações desse tipo. Em maio de 2026, por exemplo, um H-60L do Esquadrão Pantera participou da evacuação de um tripulante de um navio mercante localizado aproximadamente 260 quilômetros da costa do Rio Grande do Sul.

A combinação de autonomia, capacidade de transporte, robustez e operação em diferentes ambientes ajuda a explicar sua adoção pelo Poti.

Mudança marca novo capítulo para unidade que ajudou a desenvolver emprego ofensivo de helicópteros na FAB

Antes dos AH-2 Sabre, o Poti já havia operado helicópteros UH-50 Esquilo e participado do desenvolvimento de doutrinas de emprego armado de asas rotativas. Com os Mi-35M, passou a contar com uma plataforma especificamente concebida para combate.

O retorno com Black Hawks mantém o esquadrão no universo das asas rotativas, mas altera profundamente sua função. A unidade deverá combinar a experiência acumulada em operações com helicópteros com um modelo multimissão empregado em diversas unidades da FAB.

O próximo marco concreto será a entrega dos primeiros H-60 modernizados, prevista para 2027. Até lá, a Força ainda terá de definir quais aeronaves serão destinadas a Porto Velho e o cronograma efetivo para que o Poti volte a voar.

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