O TAURUS KEPD 350 no Gripen passou de uma etapa de testes para um marco anunciado pela própria indústria: a TAURUS Systems informou que concluiu a integração do míssil de cruzeiro ao caça sueco. O anúncio veio pouco mais de um mês depois de a Força Aérea Sueca realizar o primeiro lançamento do armamento a partir de um Gripen C, no campo de provas de Vidsel.
O número mais fácil de visualizar está no próprio míssil. O TAURUS pesa cerca de 1.400 kg, mede aproximadamente cinco metros e tem alcance operacional superior a 500 km, segundo a Saab. A arma foi criada para atacar alvos terrestres de alto valor, incluindo bunkers, estruturas enterradas, pistas, pontes e instalações protegidas.
Para o Brasil, a novidade toca diretamente a família de caça escolhida pela FAB, mas com um limite importante: o disparo sueco de agosto foi feito por um Gripen C. O programa brasileiro opera o F-39 Gripen E/F, e as fontes oficiais consultadas não registram aquisição brasileira do TAURUS nem certificação da arma nos F-39 da FAB.
Primeiro disparo ocorreu em 21 de agosto com um Gripen C no norte da Suécia

A etapa que antecedeu o anúncio de integração aconteceu em 21 de agosto de 2026. A Força Aérea Sueca lançou pela primeira vez um TAURUS KEPD 350 a partir de um JAS 39 Gripen no campo de provas de Vidsel, em Norrbotten.
O avião utilizado foi um Gripen C, versão anterior ao Gripen E que equipa o Brasil. O lançamento mostrou que o caça podia transportar e liberar o armamento em voo dentro da campanha sueca de introdução de uma nova capacidade de ataque em profundidade.
TAURUS Systems anunciou integração concluída pouco mais de um mês depois
Em 23 de setembro, a MBDA Deutschland divulgou a atualização da TAURUS Systems: o míssil havia sido integrado com sucesso ao Gripen em um trabalho que a empresa classificou como realizado em “tempo recorde”.
A TAURUS Systems é uma joint venture formada pela MBDA Deutschland e pela Saab Dynamics. O grupo atua como responsável pelo sistema KEPD 350 e reúne as duas empresas que também aparecem diretamente na integração com a família Gripen.

Míssil de 1,4 tonelada leva ogiva de 481 kg e pode passar dos 500 km
O KEPD 350 foi projetado para ser lançado a distância do alvo, reduzindo a necessidade de o caça entrar diretamente na zona mais protegida pela defesa antiaérea. A Saab informa alcance superior a 500 km, massa de 1.400 kg e velocidade entre Mach 0,6 e 0,95.
A ogiva tandem pesa 481 kg. O sistema combina uma carga inicial destinada a abrir caminho no alvo e uma etapa penetradora para estruturas endurecidas ou enterradas. A espoleta programável permite definir o ponto de detonação dentro da estrutura atingida.
O míssil também utiliza navegação inercial combinada com referências do terreno, imagens e GPS. O perfil de voo em baixa altitude acompanha o relevo para reduzir a exposição durante a aproximação.
Arma foi desenhada para bunkers, pistas, pontes e alvos protegidos
O fabricante coloca o TAURUS na categoria de ataque de precisão em profundidade. Entre os alvos previstos estão bunkers, instalações militares reforçadas, centros de comando, pistas de aeródromo, pontes e outros pontos considerados de alto valor.
Esse tipo de armamento permite que o avião lançador permaneça centenas de quilômetros distante do objetivo, dependendo da rota e do perfil da missão. O míssil segue de forma autônoma a trajetória programada depois da separação da aeronave.

Brasil tem contrato para 36 Gripen E/F e produz parte dos caças em São Paulo
A conexão brasileira existe porque a FAB escolheu justamente a geração mais nova da família Gripen. O contrato assinado em 2014 prevê 36 aeronaves: 28 Gripen E monopostos e oito Gripen F bipostos.
Em março de 2026, Saab, Embraer e FAB apresentaram o primeiro Gripen E produzido no Brasil, em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. O programa inclui participação industrial brasileira e transferência de tecnologia, enquanto o Gripen F foi desenvolvido com envolvimento direto de engenheiros e pilotos brasileiros.
Integração anunciada na Suécia ainda não coloca o TAURUS nos F-39 da FAB
O fato novo de setembro mostra que a família Gripen recebeu uma integração real com um míssil de ataque de longo alcance. A campanha conhecida publicamente, porém, teve o Gripen C como aeronave de teste no primeiro disparo divulgado.
No Brasil, as fontes oficiais consultadas para esta reportagem mantêm o F-X2 concentrado no desenvolvimento, produção e operação dos Gripen E/F. Até agora, não há anúncio oficial de compra do TAURUS pela FAB.
Uma eventual adoção brasileira exigiria uma decisão de aquisição, integração específica à configuração do F-39, ensaios, certificação, treinamento e estrutura logística para a arma. Esses passos dependem de um programa próprio e não aparecem como concluídos nas informações públicas do programa brasileiro.
Gripen ganha uma nova opção de ataque a longa distância enquanto o Brasil avança com sua própria frota
A conclusão anunciada pela TAURUS Systems amplia o catálogo de armamentos que podem ser associados ao Gripen e coloca um míssil de mais de 500 km dentro da evolução da plataforma sueca. Para a Suécia, o primeiro disparo de agosto abriu uma capacidade que o país vinha buscando para ataque em profundidade.
Para a FAB, a novidade serve como referência do que a arquitetura da família Gripen pode receber, enquanto o programa brasileiro segue desenvolvendo sua própria configuração de sensores, armas e sistemas de missão.