À frente da Marinha do Brasil desde janeiro de 2023, o almirante Marcos Sampaio Olsen aproxima-se do encerramento de sua gestão com a aquisição do NDM Oiapoque entre as realizações, mas ainda enfrenta duas definições importantes para a renovação da Esquadra e da aviação naval.
O almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen está chegando à reta final de seu comando na Marinha do Brasil diante de duas decisões estratégicas que podem influenciar a capacidade operacional da Força Naval pelas próximas décadas. Embora sua gestão tenha registrado avanços importantes, incluindo a aquisição de um navio de guerra britânico, projetos relacionados à renovação da Esquadra e ao futuro da aviação de caça ainda exigem definições.
A avaliação foi apresentada pelo jornalista especializado em defesa Nelson During, editor-chefe da DefesaNet, em artigo publicado em 21 de outubro de 2026 sobre o legado do comandante.
As duas prioridades apontadas são a contratação de novas fragatas da Classe Tamandaré e o início do processo de substituição dos caças AF-1 Skyhawk, aeronaves que integram a aviação de caça da Marinha.
O desafio não é necessariamente entregar todos esses equipamentos antes da mudança de comando. A questão é deixar decisões encaminhadas, com planejamento, requisitos e condições para que os programas avancem na próxima gestão.
NDM Oiapoque: a aquisição de um navio britânico marcou a gestão Olsen
Entre as realizações da administração Olsen está a aquisição do Navio Doca Multipropósito (NDM) Oiapoque, anteriormente conhecido como HMS Bulwark, pertencente à Marinha Real Britânica.

O contrato foi assinado em 10 de setembro de 2025, durante a feira internacional de defesa DSEI, no Reino Unido, em cerimônia que contou com a presença do comandante da Marinha do Brasil.
Com aproximadamente 176 metros de comprimento e deslocamento de 18.500 toneladas, a embarcação foi adquirida para reforçar a capacidade brasileira de realizar operações anfíbias, transporte de tropas, emprego de helicópteros e missões humanitárias.
A aquisição representa uma contribuição concreta da gestão Olsen à renovação dos meios navais.
Entretanto, o reforço da capacidade anfíbia não resolve outras necessidades da Marinha. Navios de desembarque, fragatas de escolta e aeronaves de caça desempenham funções diferentes e exigem programas específicos de modernização.
É justamente nessa diferença que aparecem as duas decisões estratégicas destacadas pela DefesaNet.
Fragatas Classe Tamandaré: a Marinha precisa decidir se ampliará a encomenda
A primeira decisão envolve a continuidade do Programa Fragatas Classe Tamandaré, uma das principais iniciativas de modernização da Esquadra brasileira.
O programa contempla inicialmente quatro embarcações equipadas com modernos sistemas de sensores, armamentos e gerenciamento de combate, projetadas para ampliar a capacidade da Marinha de atuar em missões de escolta, vigilância e proteção marítima.
O problema apontado pela DefesaNet está no que acontecerá depois das primeiras entregas.
Receba nossas notícias independentemente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora
A extensão do litoral brasileiro, as rotas comerciais e as instalações de exploração de petróleo e gás exigem meios navais capazes de manter presença e responder a situações de risco em diferentes regiões.
Segundo Nelson During, a contratação inicial das fragatas não encerra a necessidade de renovação da Esquadra. Para o jornalista, seria necessário planejar novas encomendas, com quantidade de embarcações e financiamento compatíveis com as responsabilidades da Marinha.
Há também uma dimensão industrial.
A interrupção prolongada das encomendas pode comprometer a continuidade da produção naval, dificultar a preservação de profissionais especializados e aumentar os custos de futuras contratações.
A decisão sobre novas fragatas, portanto, não envolve apenas ampliar a quantidade de navios de guerra. Ela também pode determinar a continuidade de uma estrutura industrial criada para construí-los no Brasil.
Na avaliação publicada pela DefesaNet, Olsen poderia deixar encaminhado um planejamento para a ampliação da Classe Tamandaré, com cronograma e condições financeiras definidos.
Isso não significa que uma nova encomenda já tenha sido autorizada. Trata-se de uma prioridade defendida pelo autor para o encerramento da gestão.
Caças AF-1 Skyhawk: o futuro da aviação de caça da Marinha depende de outra decisão
A segunda decisão considerada estratégica envolve o futuro dos caças AF-1 Skyhawk, operados pelo 1º Esquadrão de Aviões de Interceptação e Ataque (VF-1).
Essas aeronaves desempenham papel importante na preservação da capacidade de aviação de caça da Marinha, especialmente na formação de pilotos, treinamento e manutenção de conhecimentos relacionados às operações aéreas militares.
Entretanto, o envelhecimento da frota impõe limitações e torna necessária uma definição sobre a continuidade dessa capacidade.
A substituição dos Skyhawk não depende apenas da aquisição de aeronaves mais modernas.
Também exige preparar pilotos, preservar instrutores qualificados, adaptar a infraestrutura e assegurar recursos para manutenção e treinamento.
Segundo a DefesaNet, a escolha de um substituto deveria considerar desempenho, sensores, sistemas de missão, emprego de armamentos e integração com os meios navais.
O custo de operação também precisaria ser avaliado, especialmente diante das restrições orçamentárias enfrentadas pela Força.
A questão ganha importância porque a retirada das aeronaves, sem uma substituição planejada, pode provocar a perda gradual de conhecimentos e estruturas especializadas.
Uma capacidade militar pode levar décadas para ser construída, mas sua continuidade fica comprometida quando equipamentos envelhecem sem que exista uma solução de substituição definida.
Nelson During defende que as primeiras aeronaves substitutas sejam recebidas até 2030, antes da retirada dos AF-1, permitindo uma transição entre as plataformas.
Esse prazo é uma proposta apresentada no artigo da DefesaNet, não um cronograma oficial de aquisição confirmado pela Marinha.
O que o almirante Olsen poderá deixar para o próximo comandante?
O balanço da gestão Olsen reúne decisões já concretizadas e projetos que ainda precisam avançar.
A aquisição do NDM Oiapoque demonstra que a Marinha conseguiu concluir uma negociação internacional importante e incorporar ao seu planejamento uma embarcação destinada a ampliar a capacidade de operações anfíbias.
Por outro lado, a continuidade da Classe Tamandaré e a substituição dos caças AF-1 Skyhawk envolvem compromissos financeiros, técnicos e operacionais que ultrapassam um único período de comando.
No entendimento apresentado pela DefesaNet, a contribuição do almirante Olsen poderia ser deixar essas duas iniciativas em condições mais avançadas de execução.
Isso significaria estabelecer prioridades, definir requisitos, encaminhar negociações e preparar instrumentos administrativos que permitam dar continuidade aos programas.
As restrições orçamentárias permanecem como um obstáculo relevante. Tanto a encomenda de novas fragatas quanto a substituição de aeronaves de combate exigiriam investimentos que disputam recursos com outras necessidades da Marinha.
O resultado dessas escolhas poderá afetar a capacidade de escolta naval, a formação de pilotos e a preservação de competências operacionais nas próximas décadas.
O legado do almirante Olsen, portanto, não será formado apenas pelos navios adquiridos durante sua gestão, mas também pelas decisões que conseguir deixar encaminhadas antes da passagem de comando.
A continuidade das fragatas Tamandaré e o futuro dos Skyhawk permanecem entre os temas apontados pela DefesaNet como prioridades para esse encerramento de ciclo.
Na sua opinião, quais decisões estratégicas faltaram ao almirante Olsen durante seu comando da Marinha do Brasil e o que ele poderia ter feito pelos militares ao longo de sua gestão?