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Brigadeiro Damasceno chega à reta final do comando da FAB com quatro decisões estratégicas pendentes que podem definir o futuro da defesa aérea brasileira

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva 23/10/2026 às 13:42
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Brigadeiro Damasceno chega à reta final do comando da FAB com quatro decisões estratégicas pendentes que podem definir o futuro da defesa aérea brasileira
Brigadeiro Damasceno chega à reta final do comando da FAB com quatro prioridades estratégicas relacionadas à modernização das capacidades aéreas brasileiras.

Com a aproximação do fim de sua gestão, o comandante da Força Aérea Brasileira enfrenta o desafio de encaminhar projetos que envolvem novos caças, inteligência e vigilância, renovação das aeronaves de patrulha e modernização da frota de helicópteros.

O tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno chega à reta final de seu comando na Força Aérea Brasileira (FAB) com quatro decisões estratégicas que podem influenciar a capacidade operacional da instituição nas próximas décadas. Embora sua gestão tenha registrado avanços em programas de modernização, ainda existem necessidades relacionadas à ampliação da frota de combate, à vigilância do território nacional e à renovação de aeronaves utilizadas em missões essenciais.

A avaliação foi apresentada pelo jornalista especializado em defesa Nelson During, editor-chefe da DefesaNet, em artigo sobre o legado dos atuais comandantes das Forças Armadas.

As quatro prioridades apontadas envolvem a ampliação da frota de caças, o fortalecimento dos sistemas de inteligência, vigilância e reconhecimento, a substituição de aeronaves de patrulha e a diversificação da frota de helicópteros.

O desafio não é necessariamente concluir todas essas aquisições antes da mudança de comando. A questão é deixar programas estruturados, requisitos definidos e condições para que os próximos comandantes avancem na modernização da FAB.

Caças Gripen: o Brasil precisa de mais aeronaves para proteger seu espaço aéreo

Caça Gripen F-39E, da FAB, faz seu primeiro voo no Brasil  | Transportes

A primeira decisão envolve o futuro da aviação de caça brasileira, especialmente a possibilidade de ampliar a quantidade de aeronaves F-39 Gripen destinadas à defesa do espaço aéreo nacional.

O programa Gripen representa um avanço tecnológico importante para a FAB, com a introdução de novos sistemas de combate, sensores, armamentos e capacidades operacionais.

Entretanto, a incorporação de caças modernos não resolve, isoladamente, a necessidade de manter aeronaves disponíveis para atender às dimensões do território brasileiro.

O país possui uma extensa área continental e responsabilidades de vigilância e defesa que exigem capacidade de atuação em diferentes regiões.

Segundo a análise da DefesaNet, a FAB precisa avaliar permanentemente a dimensão de sua frota, considerando não apenas o número de aeronaves adquiridas, mas também a disponibilidade operacional, a formação de pilotos e a estrutura necessária para sustentar as missões.

A ampliação da frota também dependeria de planejamento financeiro e de um cronograma de aquisições compatível com as possibilidades orçamentárias.

Ter um caça tecnologicamente avançado é diferente de possuir uma frota suficientemente numerosa para manter operações simultâneas em diferentes partes do país.

Na avaliação de Nelson During, Damasceno poderia deixar encaminhados os estudos para novas encomendas, permitindo que a próxima gestão tenha condições de avançar nas decisões.

A proposta de ampliação apresentada no artigo não deve ser confundida com a confirmação de um novo contrato.

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Inteligência e vigilância: a FAB precisa ampliar sua capacidade de identificar ameaças

A segunda prioridade envolve o fortalecimento dos sistemas de inteligência, vigilância e reconhecimento, conhecidos internacionalmente pela sigla ISR.

Essa capacidade permite identificar possíveis ameaças, acompanhar movimentações e fornecer informações para orientar decisões militares.

O emprego de aeronaves de combate depende diretamente da qualidade das informações disponíveis. Detectar uma movimentação suspeita, por exemplo, não significa apenas localizá-la, mas também conseguir acompanhá-la e compartilhar os dados com as unidades responsáveis pela resposta.

No caso brasileiro, essas capacidades são particularmente importantes para a vigilância das fronteiras, das áreas marítimas e de regiões de difícil acesso.

Conforme a DefesaNet, o fortalecimento dessa estrutura exigiria aeronaves equipadas com sensores modernos, plataformas não tripuladas, radares e sistemas capazes de integrar informações obtidas de diferentes fontes.

A proposta também envolve ampliar a comunicação entre plataformas aéreas, sensores terrestres e recursos espaciais.

Os benefícios ultrapassam as operações de combate.

Uma estrutura mais eficiente de inteligência e vigilância pode contribuir para operações de busca e salvamento, fiscalização de fronteiras e apoio às ações de defesa civil.

O desafio apontado é transformar essas necessidades em um programa estruturado, com requisitos técnicos, arquitetura de sistemas e planejamento de longo prazo.

Aviação de patrulha: aeronaves antigas exigem planejamento para substituição

A terceira decisão envolve a renovação da aviação de patrulha, responsável por missões de vigilância marítima e acompanhamento de atividades em áreas de interesse estratégico do Brasil.

A extensão do litoral brasileiro e a importância econômica do Atlântico Sul tornam essas operações especialmente relevantes.

A aviação de patrulha contribui para o monitoramento de embarcações, a proteção de áreas marítimas e o apoio às atividades de busca e salvamento.

Entretanto, o envelhecimento de parte das aeronaves utilizadas nessas missões exige que a FAB estabeleça um planejamento de substituição antes que a disponibilidade operacional seja comprometida.

Segundo a análise da DefesaNet, a escolha de futuros equipamentos deverá considerar autonomia, tempo de permanência em voo, sensores, sistemas de comunicação e integração com os meios da Marinha do Brasil.

A experiência acumulada pelas tripulações e unidades especializadas também deverá orientar os requisitos das futuras aeronaves.

A substituição de aviões de patrulha não envolve apenas adquirir novas plataformas. É necessário preservar a capacidade de acompanhar atividades marítimas e manter profissionais preparados para executar essas missões.

A proposta defendida é estruturar um programa de renovação com prazos realistas, evitando que a necessidade de substituir aeronaves antigas se transforme em uma situação emergencial.

Helicópteros Black Hawk: contrato assinado representa avanço, mas existem novas necessidades

Primeiro helicóptero para o Exército chega no último trimestre de 2026 – ECO

A quarta prioridade envolve a modernização e a diversificação da frota de helicópteros da FAB.

Diferentemente de outras necessidades ainda em fase de planejamento, a gestão Damasceno já conta com uma iniciativa concreta nessa área.

A modernização dos helicópteros UH-60L Black Hawk e a aquisição de células adicionais provenientes dos estoques dos Estados Unidos possuem contrato assinado, conforme destaca a DefesaNet.

A iniciativa busca ampliar a disponibilidade de aeronaves para diferentes missões.

Os Black Hawk são empregados em atividades que exigem transporte de pessoal, apoio operacional e capacidade de atuação em diferentes ambientes.

Entretanto, a avaliação apresentada por Nelson During considera que uma única família de helicópteros não necessariamente atende a todas as necessidades da Força Aérea.

Missões de busca e salvamento, operações especiais, transporte, apoio logístico e atuação em regiões de difícil acesso podem exigir características distintas.

Por isso, o artigo defende que a FAB avalie a incorporação de outros modelos, considerando as particularidades de cada operação.

A decisão precisaria levar em conta os custos de aquisição, manutenção, disponibilidade de peças, treinamento de tripulações e estrutura logística.

O objetivo seria distribuir melhor os equipamentos entre as diferentes missões, sem concentrar todas as necessidades em uma mesma plataforma.

A diversificação, entretanto, também exigiria cuidado com os custos e a complexidade de manter diferentes modelos em operação.

O legado de Damasceno dependerá das decisões que conseguir deixar encaminhadas

A gestão do brigadeiro Damasceno ocorre em um período de transformação tecnológica da aviação militar, marcado pela introdução de novas aeronaves, sensores, sistemas não tripulados e formas de integração das informações operacionais.

A FAB precisa acompanhar essas mudanças enquanto mantém responsabilidades que ultrapassam as operações de combate.

A instituição atua no controle do espaço aéreo, em missões de transporte, busca e salvamento, apoio humanitário e resposta a situações de emergência.

Essa diversidade de atribuições exige planejamento e recursos para diferentes capacidades operacionais.

No entendimento apresentado pela DefesaNet, o principal desafio de Damasceno nos últimos meses de comando seria deixar encaminhados quatro projetos: ampliar a frota de caça, fortalecer a inteligência e a vigilância, preparar a substituição dos meios de patrulha e definir os próximos passos para a aviação de helicópteros.

O artigo não apresenta essas quatro iniciativas como contratos já firmados ou decisões oficialmente concluídas. São prioridades defendidas pelo autor para o futuro da Força Aérea.

A modernização dos Black Hawk representa um avanço concreto nessa agenda, enquanto a possível ampliação da frota Gripen e os demais programas ainda exigem definições e disponibilidade financeira.

O comandante não precisa necessariamente entregar todas essas capacidades antes de deixar o cargo. Poderá, entretanto, contribuir para que seu sucessor encontre projetos com requisitos e planejamento mais avançados.

O legado do brigadeiro Damasceno será formado tanto pelas realizações de sua gestão quanto pelas condições deixadas para a continuidade da modernização da Força Aérea Brasileira.

Na sua opinião, quais decisões estratégicas faltaram ao brigadeiro Damasceno durante seu comando da FAB e o que ele poderia ter feito pelos militares ao longo de sua gestão?

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