Contrato cobre a fase de desenvolvimento e a construção de aeronaves de teste do F/A-XX, enquanto a produção operacional ficará para etapas posteriores. O projeto prioriza maior alcance, baixa observabilidade e integração com sistemas não tripulados para as futuras alas aéreas embarcadas.
A Boeing foi escolhida pela Marinha dos Estados Unidos para desenvolver o F/A-XX, futuro caça embarcado de sexta geração que deverá substituir gradualmente os F/A-18E/F Super Hornet. O contrato inicial supera US$ 20 bilhões e inclui aeronaves destinadas às etapas de desenvolvimento e testes.
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A escolha encerrou a disputa final com a Northrop Grumman. A Reuters informou na terça-feira (29) que o acordo cobre o desenvolvimento do novo caça e a fabricação de exemplares de teste, antes de uma eventual produção para unidades operacionais.
Os US$ 20 bilhões, portanto, não representam o custo final de toda a futura frota. O valor está ligado à fase atual do programa, enquanto decisões sobre produção em série, manutenção, suporte e operação durante décadas poderão ampliar consideravelmente o montante necessário.
A substituição dos Super Hornet também não ocorrerá de forma imediata. Os F/A-18E/F continuarão formando parte relevante da aviação de combate embarcada durante a transição, enquanto o F/A-XX passa por desenvolvimento, testes e pelas etapas necessárias antes de entrar em serviço operacional.
Maior alcance para a aviação embarcada
O aumento do alcance está entre os requisitos centrais associados ao novo caça. A capacidade permitirá que aeronaves embarcadas operem a distâncias maiores dos porta-aviões, característica importante em cenários nos quais navios e bases precisam permanecer mais afastados das áreas onde as missões serão executadas.
A Reuters relacionou essa exigência especialmente às necessidades norte-americanas no Pacífico, região marcada por grandes distâncias. O projeto também prevê características de baixa observabilidade e integração com sistemas não tripulados, ampliando as possibilidades de emprego conjunto entre diferentes plataformas.
Essa arquitetura significa que o F/A-XX não está sendo desenvolvido apenas como substituto direto do Super Hornet. A aeronave deverá funcionar dentro de uma estrutura de combate que combine diferentes sensores, plataformas tripuladas e meios não tripulados empregados de forma coordenada.
A mudança, porém, será gradual. A existência do contrato de desenvolvimento não significa que os atuais F/A-18E/F tenham recebido uma data imediata de retirada, e a própria natureza do programa exige anos de ensaios antes que uma nova plataforma possa assumir missões hoje executadas pelos caças embarcados em serviço.
Especificações completas continuam sob sigilo
Grande parte das características técnicas do F/A-XX permanece classificada. Em comunicado sobre a seleção para o programa, a Boeing informou que detalhes técnicos e programáticos da aeronave estão sujeitos às restrições norte-americanas relacionadas à segurança nacional e ao controle de exportações.
Por esse motivo, estimativas públicas sobre velocidade máxima, sensores específicos, capacidade de armamento ou configuração definitiva não podem ser tratadas como especificações confirmadas. O que está estabelecido é a responsabilidade da Boeing pelo desenvolvimento e pela construção das aeronaves previstas para a etapa inicial.
A escolha da fabricante transforma uma concorrência entre empresas em um programa de desenvolvimento sob responsabilidade de um contratante principal. Até a decisão anunciada, Boeing e Northrop Grumman disputavam a seleção da Marinha para conduzir o projeto do próximo caça embarcado norte-americano.
O novo contrato também diferencia duas etapas que frequentemente aparecem misturadas quando grandes programas militares são anunciados. Uma delas é o desenvolvimento da aeronave e de exemplares usados em avaliações; outra é a futura aquisição de unidades operacionais em quantidade suficiente para equipar a aviação naval.
Essa distinção explica por que o valor de US$ 20 bilhões não pode ser apresentado como preço definitivo do F/A-XX. Caso o programa avance para produção em série, os custos de aquisição, manutenção, modernização, treinamento e apoio logístico serão definidos em contratos e decisões posteriores.
Super Hornet continuará durante a transição
O F/A-18E/F Super Hornet continuará em serviço enquanto o sucessor avança pelas etapas de desenvolvimento e ensaios. A substituição dependerá do desempenho do F/A-XX nos testes, das decisões de aquisição da Marinha e do ritmo em que aeronaves operacionais puderem ser incorporadas às alas aéreas dos porta-aviões.
Para a Boeing, a seleção significa assumir a responsabilidade por transformar os requisitos definidos pela Marinha em aeronaves capazes de passar pelas avaliações previstas. A fabricante terá de demonstrar, nas fases seguintes, que o projeto atende às exigências estabelecidas para operações embarcadas e integração aos sistemas futuros.
A entrada em serviço é projetada para a década de 2030, sem retirada simultânea dos Super Hornet. Até lá, o programa deverá avançar com aeronaves de teste usadas em avaliações de solo, voo, integração de sistemas e demais etapas exigidas antes de uma decisão de produção operacional em maior escala.