Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

“Eu sabia que vocês viriam”: resgate do FAB 2068 salvou cinco militares na Amazônia e mobilizou equipes da FAB e do Exército

Thaís Souza
Por Thaís Souza 14/10/2026 às 16:52
Compartilhar
“Eu sabia que vocês viriam”: resgate do FAB 2068 salvou cinco militares na Amazônia e mobilizou equipes da FAB e do Exército
Frase atribuída ao tenente Luiz Velly tornou-se símbolo do resgate do FAB 2068.

Localizado em 26 de junho de 1967, o FAB 2068 estava encoberto pela floresta. O salvamento exigiu descida por cordas, atendimento aos feridos e trabalho conjunto para abrir uma clareira na mata.

“Eu sabia que vocês viriam!” A frase atribuída ao tenente Luiz Velly tornou-se símbolo do resgate do FAB 2068, avião C-47 que caiu na Amazônia em junho de 1967. Ele estava entre os cinco militares retirados com vida da floresta após dias de buscas.

Os destroços foram localizados em 26 de junho de 1967, mas chegar aos feridos e transportá-los exigiu outras etapas. A vegetação fechada, as condições meteorológicas e as limitações dos equipamentos dificultavam o acesso ao local.

Uma parte menos conhecida dessa missão aparece na Revista do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB), publicação dedicada à história militar. O relato de Manoel Cândido de Andrade Netto, participante dos trabalhos, registra a atuação de militares do Exército ao lado das equipes da Aeronáutica.

A floresta escondia os destroços do FAB 2068

O C-47 transportava 25 pessoas e seguia para Cachimbo, com passagem por Jacareacanga. A perda dos recursos de navegação e o esgotamento do combustível antecederam a tentativa de pouso de emergência na mata.

Localizar a aeronave exigia procurar sinais sob a cobertura das árvores. A floresta encobria os destroços, dificultando sua identificação pelas tripulações que sobrevoavam a região.

Em 26 de junho, o Albatroz FAB 6539 avistou o local do acidente. A descoberta permitiu concentrar o esforço de salvamento em uma posição definida, mas os sobreviventes continuavam em um ponto onde o helicóptero encontrava dificuldades para operar.

O encontro com Velly entrou para a memória da busca e salvamento

A expressão associada ao tenente Velly atravessou as décadas como uma demonstração de confiança na chegada do socorro. O oficial aguardava ajuda com outros militares que haviam sobrevivido ao acidente.

O desfecho também carregava a dimensão da perda: 20 ocupantes morreram. Para os sobreviventes, a localização representava o começo de uma nova fase, que dependia de atendimento e de uma forma segura de retirada.

O dia do avistamento passou a ser celebrado como o Dia da Aviação de Busca e Salvamento. A memória do FAB 2068 ficou ligada à missão de procurar pessoas e prestar socorro em regiões de difícil acesso.

Militares do Exército dividiram o trabalho com o PARA-SAR

Segundo o relato publicado pela Revista do IGHMB, uma equipe de dez militares do Exército foi preparada para participar da operação. Seus integrantes seguiram para Manaus e trabalharam com o PARA-SAR, especializado em busca e salvamento.

Andrade Netto descreve a descida por cordas e a distribuição das tarefas no solo. Enquanto profissionais de saúde atendiam os sobreviventes, outros militares trabalhavam na abertura da vegetação e no recolhimento dos restos mortais.

O depoimento registra ainda que os resgatadores repartiram suas rações com os feridos. O atendimento dependia tanto do acesso aéreo quanto do esforço de quem permanecia junto aos sobreviventes.

A retirada exigiu abrir espaço entre as árvores

Encontrar os feridos e alcançar o solo eram etapas diferentes de conseguir transportá-los. A mata precisava ser aberta para permitir a retirada por helicóptero, e o trabalho avançou com os recursos disponíveis.

Receba nossas notícias independente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora

Entrar no grupo agora

O relato descreve o emprego de ferramentas para derrubar árvores e preparar a área. Posteriormente, um guincho permitiu içar os sobreviventes, com prioridade para os ferimentos mais graves.

A Marinha também prestou apoio, por meio do navio hidrográfico Sirius, que recebeu integrantes das equipes após os trabalhos na floresta. A operação envolveu, assim, contribuições das três Forças.

O salvamento dos cinco militares permaneceu como referência da aviação brasileira. A frase de Velly preservou a lembrança do encontro entre quem esperava na mata e quem conseguiu chegar.

O testemunho de Andrade Netto acrescenta a essa memória o trabalho compartilhado entre aviadores, profissionais de saúde e militares que abriram caminho para a retirada dos feridos.

Como preservar melhor a participação de todas as equipes em missões como o resgate do FAB 2068? Conte nos comentários quais histórias de salvamento militar também merecem ser lembradas.

guest
0 Comentários