Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

Exército registra quase 3,8 mil generais inativos e 8,8 mil beneficiários de pensões ligados a oficiais-generais, enquanto Brasil tem 322 postos autorizados na ativa em 2026

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher 29/10/2026 às 05:30
Compartilhar
Exército registra quase 3,8 mil generais inativos e 8,8 mil beneficiários de pensões ligados a oficiais-generais, enquanto Brasil tem 322 postos autorizados na ativa em 2026

O Exército Brasileiro contabilizava 3.768 generais na reserva ou reformados em abril de 2026, além de 8.882 beneficiários de pensões vinculadas a esses postos. Os números constam de um levantamento oficial de pessoal e chamam atenção quando comparados aos 322 postos de oficiais-generais distribuídos entre Exército, Marinha e Aeronáutica para o efetivo da ativa neste ano.

A quantidade de generais que permanece vinculada ao sistema de proteção social militar depois de deixar os quartéis ajuda a mostrar uma parte da estrutura das Forças Armadas que costuma receber menos atenção do que as promoções e nomeações para o Alto Comando.

Os dados foram divulgados pelo próprio Exército em seu levantamento de pessoal referente a abril de 2026, elaborado a partir do Banco de Dados Corporativo da Força (EBCORP).

Além dos militares em atividade, o cadastro apresenta os integrantes da reserva e reformados, assim como os instituidores e beneficiários de pensões militares.

Os 322 postos destinados à ativa, por sua vez, foram estabelecidos por decretos federais para o exercício de 2026. Não se trata de uma contagem de todos os oficiais que já alcançaram o generalato, mas da distribuição anual de postos nas três Forças.

Mais de 3 mil generais de brigada estão na reserva ou reformados

A maior parte dos generais inativos do Exército pertence ao primeiro nível do generalato.

Em abril, eram 3.051 generais de brigada na reserva ou reformados, segundo os registros oficiais. O número representa aproximadamente 81% dos 3.768 oficiais-generais inativos contabilizados pela Força.

Nos postos superiores, a quantidade é consideravelmente menor.

O levantamento aponta 546 generais de divisão e 171 generais de Exército, que ocupam o nível mais elevado da hierarquia regular da Força Terrestre.

Essa diferença acompanha a própria organização da carreira militar. À medida que os oficiais avançam na hierarquia, diminui a quantidade de postos disponíveis, e muitos encerram a trajetória profissional sem alcançar as patentes superiores.

A passagem para a reserva também segue regras de idade, tempo de serviço e permanência nos postos, além dos critérios estabelecidos pela legislação militar.

Há outro detalhe importante na leitura desses números: os 3.768 generais não deixaram o serviço ativo todos no mesmo período.

O total reúne militares que passaram à inatividade em diferentes momentos, alguns deles há muitos anos. Por isso, o cadastro inclui gerações distintas de oficiais, que construíram suas carreiras sob condições e regras que também mudaram ao longo do tempo.

Receba nossas notícias independentemente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora

Entrar no grupo agora

Exército contabiliza 8.882 beneficiários de pensões ligados a oficiais-generais

Quando a análise passa dos militares inativos para as pensões, os números são ainda maiores.

O Exército registrou 8.882 beneficiários de pensões vinculadas a postos de oficiais-generais em abril de 2026.

A maior quantidade aparece entre os benefícios associados a generais de brigada, com 4.214 pessoas.

Outros 2.236 beneficiários estão vinculados ao posto de general de divisão, enquanto 2.432 aparecem na categoria correspondente aos generais de Exército.

Essas pessoas não são, necessariamente, militares que chegaram ao generalato. Na maior parte das situações, a pensão decorre do vínculo familiar com um militar falecido, respeitadas as condições previstas na legislação.

Entre os possíveis beneficiários estão cônjuges, companheiros e outros dependentes legalmente habilitados.

O cadastro militar também permite distinguir quem deu origem ao benefício de quem efetivamente o recebe.

No caso dos três postos de oficiais-generais, o levantamento aponta 6.101 instituidores de pensão, número inferior ao total de beneficiários.

Essa diferença ocorre porque uma mesma pensão militar pode ter mais de um beneficiário, conforme a composição familiar e as regras aplicáveis.

Assim, os 8.882 registros não significam que o Exército possua essa quantidade de generais falecidos. Tampouco devem ser somados aos 3.768 inativos como se representassem a mesma categoria de pessoal.

Brasil tem 322 postos de oficiais-generais distribuídos entre Exército, Marinha e FAB

A estrutura do generalato na ativa segue uma lógica diferente. Todos os anos, o governo federal estabelece como os postos de oficiais-generais serão distribuídos entre as três Forças Armadas.

Em 2026, essa distribuição chegou a 322 postos, dos quais 149 pertencem ao Exército.

Na Força Terrestre, são 15 postos de general de Exército, 48 de general de divisão e 86 de general de brigada.

A Marinha aparece em seguida, com 86 postos. Desse total, oito são destinados a almirantes de esquadra, 26 a vice-almirantes e 52 a contra-almirantes.

Já a Aeronáutica conta com 87 postos, distribuídos entre nove tenentes-brigadeiros, 27 majores-brigadeiros e 51 brigadeiros.

Somadas as três Forças, apenas 32 postos correspondem ao nível máximo de quatro estrelas, reservado aos oficiais que alcançam o topo da hierarquia militar regular.

O número de 322 também precisa ser diferenciado do limite previsto na legislação.

Segundo o Ministério da Defesa, a legislação admite um quantitativo máximo de 356 oficiais-generais. Os decretos publicados para 2026, entretanto, distribuíram 322 postos.

Existe ainda uma particularidade nos registros consultados.

Enquanto o decreto anual distribui 149 postos de oficiais-generais ao Exército, o levantamento de pessoal de abril apresenta 181 registros classificados como ativos nessa categoria.

A documentação disponível não esclarece integralmente a diferença entre esses dois números. Por isso, não é possível tratá-los como se representassem exatamente o mesmo universo nem concluir, apenas com essa comparação, que houve ocupação irregular de postos.

Generais de quatro estrelas têm soldo de R$ 14.711 em 2026

A estrutura do generalato também envolve diferenças de remuneração entre os três níveis da carreira.

Desde janeiro de 2026, o soldo-base de um general de Exército é de R$ 14.711 mensais. O mesmo valor é previsto para um almirante de esquadra, na Marinha, e para um tenente-brigadeiro, na Aeronáutica.

Os generais de divisão possuem soldo de R$ 14.100, enquanto os generais de brigada recebem R$ 13.639 como parcela básica.

Esses valores constam da tabela atualizada pela Lei nº 15.167/2025, que estabeleceu o reajuste dos militares aplicado em duas etapas, com a última parcela em janeiro de 2026.

Na prática, porém, o soldo não corresponde necessariamente ao valor total recebido por um oficial-general.

A remuneração pode incluir adicionais de habilitação, disponibilidade militar e outras parcelas previstas em lei, dependendo da situação de cada militar.

Para aqueles que passaram à reserva ou foram reformados, os pagamentos seguem as condições estabelecidas para a inatividade, incluindo as regras aplicáveis ao momento de passagem para essa condição.

As pensões também possuem critérios próprios de cálculo.

Por isso, embora os documentos permitam saber quantos generais estão inativos e quantas pessoas recebem pensões associadas a esses postos, não é possível calcular a despesa total apenas multiplicando os registros pelos soldos atualmente previstos para a ativa.

Seria necessário conhecer as informações individuais de remuneração e os valores efetivamente pagos aos beneficiários.

Reserva, reforma e pensões: como funciona a inatividade dos generais brasileiros

No Exército, um oficial que deixa o serviço ativo pode passar para a reserva remunerada ou para a reforma, duas situações previstas no Estatuto dos Militares.

Na reserva, o militar deixa de exercer suas funções regulares, mas continua sujeito às possibilidades de convocação estabelecidas na legislação.

A reforma corresponde à inatividade definitiva, com regras distintas daquelas aplicadas aos integrantes da reserva remunerada.

Os pagamentos a esses militares, assim como as pensões destinadas aos dependentes habilitados, fazem parte do Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas.

Esse sistema passou por mudanças importantes em 2019, quando a Lei nº 13.954 alterou regras de carreira, passagem para a reserva e contribuições destinadas ao financiamento das pensões.

Uma das modificações elevou a contribuição ordinária para pensões militares de 7,5% para 10,5%, além de ampliar o grupo de contribuintes.

A legislação também passou a exigir, como regra geral, 35 anos de serviço para a transferência à reserva remunerada a pedido, em substituição aos 30 anos anteriores, com disposições específicas para quem já integrava as Forças Armadas.

Essas mudanças convivem com direitos e situações constituídas sob regras anteriores, o que ajuda a explicar a diversidade de condições encontrada entre os militares inativos e seus dependentes.

O levantamento de abril de 2026 permite dimensionar essa estrutura no Exército.

Considerando todas as patentes e graduações, a Força registrava 116.031 beneficiários de pensões militares.

Desse universo, 8.882 estavam vinculados aos postos de general de brigada, general de divisão e general de Exército, o equivalente a aproximadamente 7,7% de todos os beneficiários de pensões registrados pela Força Terrestre.

guest
0 Comentários