Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

Exército reúne 365 militares na Operação Bormann em Santa Catarina e prepara comandantes para planejar ofensiva, coordenar brigadas, logística e apoio de fogo

A Operação Bormann 2026 reuniu 365 militares da 5ª Divisão em Três Barras (SC). Comandos planejaram uma ofensiva simulada e coordenaram brigadas, logística e artilharia no preparo do Exército para 2040.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 18/10/2026 às 15:21
Compartilhar
Exército reúne 365 militares na Operação Bormann em Santa Catarina e prepara comandantes para planejar ofensiva, coordenar brigadas, logística e apoio de fogo
Carros de combate da 5ª Brigada de Cavalaria Blindada em Ponta Grossa, no Paraná. Registro de arquivo de 2021. Foto: AEN/Governo do Paraná.

Um contingente de 365 militares do Exército Brasileiro se reuniu em Santa Catarina para uma operação que colocou os comandos de diferentes brigadas diante de um desafio: planejar uma ofensiva, coordenar o deslocamento das unidades e manter a logística e o apoio de fogo funcionando no mesmo ritmo. A Operação Bormann 2026 foi realizada pela 5ª Divisão de Exército.

A mobilização ocorreu de 29 de setembro a 1º de outubro, no Campo de Instrução Marechal Hermes, em Três Barras. O cenário previa o isolamento de localidades e o avanço planejado sobre posições inimigas, em uma situação de combate simulada, enquanto os estados-maiores precisavam organizar as decisões que permitiriam executar a manobra.

As informações foram divulgadas pelo Exército em 15 de outubro, duas semanas depois do encerramento da atividade, segundo o relato publicado pelo Defesa em Foco. O treinamento também integra os esforços de preparação da chamada Força 40, plano de transformação do Exército para o horizonte de 2040.

Comandos receberam a missão de preparar uma ofensiva e isolar localidades

As diretrizes da situação militar foram definidas pelo Comando de Operações Terrestres (COTER). Coube à 5ª Divisão organizar a operação e reunir os estados-maiores das grandes unidades e da Artilharia Divisionária, responsáveis por planejar o emprego coordenado de diferentes forças.

O problema apresentado aos participantes exigia mais do que definir a direção de um avanço. Era necessário estabelecer a sequência das ações, prever deslocamentos, manter as comunicações entre escalões e organizar o suporte para que os elementos envolvidos cumprissem suas missões.

Uma ordem emitida pela divisão precisava chegar às brigadas e ser convertida em decisões sobre pessoal, materiais e tempo. A atividade foi direcionada a esses centros de planejamento e comando, com os militares trabalhando em conjunto sobre situações simuladas.

Os estados-maiores são equipes de oficiais responsáveis por transformar orientações gerais em instruções detalhadas. No Bormann, o comando da divisão precisou atuar em conjunto com os das brigadas, evitando que logística, comunicações e apoio de fogo fossem tratados como problemas separados. A sincronização dos planos ganhou importância porque o cenário exigia ações sobre localidades diferentes no mesmo contexto ofensivo.

Blindados, tropas mecanizadas e infantaria exigem planos diferentes de logística

A 5ª Divisão de Exército tem sede em Curitiba e atua no Paraná e em Santa Catarina, sob o Comando Militar do Sul. Sua estrutura reúne organizações com funções distintas: cavalaria blindada, infantaria mecanizada, infantaria motorizada e artilharia.

Entre as grandes unidades subordinadas estão a 5ª Brigada de Cavalaria Blindada, em Ponta Grossa; a 14ª Brigada de Infantaria Motorizada, em Florianópolis; e a 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada, em Cascavel. A articulação dessas organizações depende de planejamento comum, apesar das diferenças entre seus equipamentos e formas de deslocamento.

Militar do Exército Brasileiro consulta mapas e telas de planejamento de operações em posto de comando montado em Três Barras, Santa Catarina.
Militar acompanha mapas, ordens de operação e quadros táticos no posto de comando da Operação Bormann 2026, em Santa Catarina. Foto: Exército Brasileiro/Divulgação.

Segundo o relato da atividade, o grande comando reúne cerca de 35 organizações militares subordinadas. A escala exige que cada unidade compreenda sua função antes da movimentação, desde os militares que ocupam o terreno até o pessoal encarregado da sustentação das tropas. Os estados-maiores precisam compatibilizar essas necessidades com as diretrizes gerais da missão.

Veículos blindados, viaturas de transporte e unidades de apoio apresentam necessidades próprias de abastecimento, manutenção e mobilidade. Cabe aos estados-maiores combinar essas exigências com o ritmo previsto da operação, evitando que um setor avance sem o suporte necessário.

Artilharia precisou integrar o apoio de fogo às decisões dos estados-maiores

O treinamento também trabalhou a coordenação entre as unidades de manobra e a Artilharia Divisionária da 5ª DE. Os comandos precisavam relacionar posições, comunicações, prioridades e os momentos previstos para o apoio de fogo ao movimento das tropas.

A programação terminou com a execução de fogos planejados durante uma jornada de tiro realizada no campo de instrução. Essa etapa relacionou o planejamento dos estados-maiores à execução de uma atividade prática controlada.

Receba nossas notícias independentemente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora

Entrar no grupo agora

No campo de instrução, a jornada de tiro ligou o trabalho feito nos postos de comando ao emprego dos fogos. Antes da execução, os responsáveis pelo planejamento precisaram organizar prioridades e compartilhar informações com as unidades encarregadas do apoio. A etapa encerrou a sequência de atividades que começara no planejamento da ofensiva e exigira coordenação entre as grandes unidades.

Segundo a reportagem do Defesa em Foco, o chefe do Estado-Maior da divisão, coronel Guilherme Santana Ebre, avaliou que os participantes conseguiram trabalhar além de suas especialidades individuais e integrar os comandos nos níveis de divisão e brigada. Ele considerou cumpridos os objetivos da atividade.

Divisão Marechal Bormann coordena tropas distribuídas por dois estados

A 5ª Divisão constitui um dos grandes comandos operacionais do Exército no Sul do Brasil. O Governo do Paraná registra que a atual divisão foi criada em 2014, após ser desmembrada da 5ª Região Militar, e recebeu a denominação histórica Divisão Marechal José Bernardino Bormann.

Soldados brasileiros usando capacetes vistos de costas diante do prédio do Exército Brasileiro, durante cerimônia com autoridades na cidade de Curitiba.
Tropas do Exército e autoridades em solenidade militar no Forte do Pinheirinho, em Curitiba, sede de comando no Paraná. Registro de arquivo de 2025. Foto: Geraldo Bubniak/AEN.

Além da distância entre quartéis e áreas de atuação, as estruturas militares precisam reunir informações que chegam de brigadas com diferentes funções. O trabalho dos estados-maiores envolve transformar as determinações do comando em ações sincronizadas, acompanhando os recursos disponíveis e a execução das tarefas.

Projeto Força 40 prevê transformar o Exército até o horizonte de 2040

A Operação Bormann foi associada pelo Exército ao Projeto Força 40, que orienta mudanças na organização, doutrina, equipamentos e capacidades da Força Terrestre para as próximas décadas. Entre os objetivos mais amplos está a preparação para operações em diferentes ambientes de atuação.

O treinamento de Três Barras se concentrou no preparo de comandantes e estados-maiores. O trabalho de coordenação entre áreas especializadas permanece necessário mesmo quando equipamentos e sistemas de comunicação são modernizados.

Depois de três dias, os comandos encerraram o treinamento com a manobra planejada e os fogos executados. Para o Exército, a preparação de estados-maiores permanecerá entre as atividades necessárias para avançar nos objetivos da Força 40 nos próximos anos.

guest
0 Comentários