Um contingente de 365 militares do Exército Brasileiro se reuniu em Santa Catarina para uma operação que colocou os comandos de diferentes brigadas diante de um desafio: planejar uma ofensiva, coordenar o deslocamento das unidades e manter a logística e o apoio de fogo funcionando no mesmo ritmo. A Operação Bormann 2026 foi realizada pela 5ª Divisão de Exército.
A mobilização ocorreu de 29 de setembro a 1º de outubro, no Campo de Instrução Marechal Hermes, em Três Barras. O cenário previa o isolamento de localidades e o avanço planejado sobre posições inimigas, em uma situação de combate simulada, enquanto os estados-maiores precisavam organizar as decisões que permitiriam executar a manobra.
As informações foram divulgadas pelo Exército em 15 de outubro, duas semanas depois do encerramento da atividade, segundo o relato publicado pelo Defesa em Foco. O treinamento também integra os esforços de preparação da chamada Força 40, plano de transformação do Exército para o horizonte de 2040.
Comandos receberam a missão de preparar uma ofensiva e isolar localidades
As diretrizes da situação militar foram definidas pelo Comando de Operações Terrestres (COTER). Coube à 5ª Divisão organizar a operação e reunir os estados-maiores das grandes unidades e da Artilharia Divisionária, responsáveis por planejar o emprego coordenado de diferentes forças.
O problema apresentado aos participantes exigia mais do que definir a direção de um avanço. Era necessário estabelecer a sequência das ações, prever deslocamentos, manter as comunicações entre escalões e organizar o suporte para que os elementos envolvidos cumprissem suas missões.
Uma ordem emitida pela divisão precisava chegar às brigadas e ser convertida em decisões sobre pessoal, materiais e tempo. A atividade foi direcionada a esses centros de planejamento e comando, com os militares trabalhando em conjunto sobre situações simuladas.
Os estados-maiores são equipes de oficiais responsáveis por transformar orientações gerais em instruções detalhadas. No Bormann, o comando da divisão precisou atuar em conjunto com os das brigadas, evitando que logística, comunicações e apoio de fogo fossem tratados como problemas separados. A sincronização dos planos ganhou importância porque o cenário exigia ações sobre localidades diferentes no mesmo contexto ofensivo.
Blindados, tropas mecanizadas e infantaria exigem planos diferentes de logística
A 5ª Divisão de Exército tem sede em Curitiba e atua no Paraná e em Santa Catarina, sob o Comando Militar do Sul. Sua estrutura reúne organizações com funções distintas: cavalaria blindada, infantaria mecanizada, infantaria motorizada e artilharia.
Entre as grandes unidades subordinadas estão a 5ª Brigada de Cavalaria Blindada, em Ponta Grossa; a 14ª Brigada de Infantaria Motorizada, em Florianópolis; e a 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada, em Cascavel. A articulação dessas organizações depende de planejamento comum, apesar das diferenças entre seus equipamentos e formas de deslocamento.

Segundo o relato da atividade, o grande comando reúne cerca de 35 organizações militares subordinadas. A escala exige que cada unidade compreenda sua função antes da movimentação, desde os militares que ocupam o terreno até o pessoal encarregado da sustentação das tropas. Os estados-maiores precisam compatibilizar essas necessidades com as diretrizes gerais da missão.
Veículos blindados, viaturas de transporte e unidades de apoio apresentam necessidades próprias de abastecimento, manutenção e mobilidade. Cabe aos estados-maiores combinar essas exigências com o ritmo previsto da operação, evitando que um setor avance sem o suporte necessário.
Artilharia precisou integrar o apoio de fogo às decisões dos estados-maiores
O treinamento também trabalhou a coordenação entre as unidades de manobra e a Artilharia Divisionária da 5ª DE. Os comandos precisavam relacionar posições, comunicações, prioridades e os momentos previstos para o apoio de fogo ao movimento das tropas.
A programação terminou com a execução de fogos planejados durante uma jornada de tiro realizada no campo de instrução. Essa etapa relacionou o planejamento dos estados-maiores à execução de uma atividade prática controlada.
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No campo de instrução, a jornada de tiro ligou o trabalho feito nos postos de comando ao emprego dos fogos. Antes da execução, os responsáveis pelo planejamento precisaram organizar prioridades e compartilhar informações com as unidades encarregadas do apoio. A etapa encerrou a sequência de atividades que começara no planejamento da ofensiva e exigira coordenação entre as grandes unidades.
Segundo a reportagem do Defesa em Foco, o chefe do Estado-Maior da divisão, coronel Guilherme Santana Ebre, avaliou que os participantes conseguiram trabalhar além de suas especialidades individuais e integrar os comandos nos níveis de divisão e brigada. Ele considerou cumpridos os objetivos da atividade.
Divisão Marechal Bormann coordena tropas distribuídas por dois estados
A 5ª Divisão constitui um dos grandes comandos operacionais do Exército no Sul do Brasil. O Governo do Paraná registra que a atual divisão foi criada em 2014, após ser desmembrada da 5ª Região Militar, e recebeu a denominação histórica Divisão Marechal José Bernardino Bormann.

Além da distância entre quartéis e áreas de atuação, as estruturas militares precisam reunir informações que chegam de brigadas com diferentes funções. O trabalho dos estados-maiores envolve transformar as determinações do comando em ações sincronizadas, acompanhando os recursos disponíveis e a execução das tarefas.
Projeto Força 40 prevê transformar o Exército até o horizonte de 2040
A Operação Bormann foi associada pelo Exército ao Projeto Força 40, que orienta mudanças na organização, doutrina, equipamentos e capacidades da Força Terrestre para as próximas décadas. Entre os objetivos mais amplos está a preparação para operações em diferentes ambientes de atuação.
O treinamento de Três Barras se concentrou no preparo de comandantes e estados-maiores. O trabalho de coordenação entre áreas especializadas permanece necessário mesmo quando equipamentos e sistemas de comunicação são modernizados.
Depois de três dias, os comandos encerraram o treinamento com a manobra planejada e os fogos executados. Para o Exército, a preparação de estados-maiores permanecerá entre as atividades necessárias para avançar nos objetivos da Força 40 nos próximos anos.