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Investigação aponta disputa no governo Trump entre aliados de Flávio Bolsonaro e setor que busca terras raras brasileiras para a indústria militar, enquanto EUA financiam mina de US$ 565 milhões

Apuração do UOL descreve divergência no governo Trump sobre Flávio Bolsonaro e acesso dos EUA às terras raras brasileiras. Financiamento de US$ 565 milhões e compra da Serra Verde revelam corrida por minerais estratégicos.

Marcos
Por Marcos 18/10/2026 às 16:52
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Investigação aponta disputa no governo Trump entre aliados de Flávio Bolsonaro e setor que busca terras raras brasileiras para a indústria militar, enquanto EUA financiam mina de US$ 565 milhões
Donald Trump e Flávio Bolsonaro aparecem no Salão Oval da Casa Branca, durante encontro realizado em maio de 2026. Crédito: Casa Branca, via Wikimedia Commons (domínio público nos EUA).

A disputa pelas terras raras brasileiras colocou integrantes do governo de Donald Trump em campos diferentes nos Estados Unidos: de um lado, assessores que buscavam aproximação política com Flávio Bolsonaro; do outro, funcionários preocupados em obter minerais usados também na indústria militar americana. Essa divergência foi descrita em uma investigação da jornalista Mariana Sanches, do UOL, publicada em 1º de outubro, com depoimentos de pessoas ligadas ao governo americano.

Segundo fontes internas e próximas à administração ouvidas pela correspondente em Washington, auxiliares do Departamento de Estado favoreciam uma aproximação eleitoral, enquanto membros do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca priorizavam acordos de fornecimento. A tensão surgiu em meio à tentativa americana de reduzir a dependência da China e aos atritos diplomáticos com o governo brasileiro.

Assessores de Marco Rubio e coronel da reserva aparecem em lados opostos

A reportagem cita Darren Beattie, assessor do secretário de Estado Marco Rubio para assuntos brasileiros, e o subsecretário Christopher Landau entre os nomes ligados à ala política. Do outro lado aparecem David Copley, responsável por cadeias globais de suprimento, e Michael J. Jensen, coronel da reserva da Força Aérea dos EUA e diretor para o Hemisfério Ocidental no Conselho de Segurança Nacional.

Um diplomata americano ouvido pelo UOL relatou que Copley reclamou da interferência de preferências ideológicas nas negociações com o Brasil. A descrição do embate foi obtida por meio de fontes jornalísticas, algumas protegidas por anonimato, e não por um anúncio público da Casa Branca sobre divergências entre seus integrantes.

Terras raras pesadas entram na fabricação de equipamentos de defesa

Os elementos disprósio e térbio estão entre os principais alvos da busca americana. São terras raras pesadas utilizadas em ímãs permanentes de alto desempenho, necessários a determinados motores e dispositivos eletrônicos empregados na indústria e em tecnologias de defesa, inclusive sistemas aeroespaciais.

O Ministério de Minas e Energia explica que as terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos. Para obter materiais industriais utilizáveis, o minério passa por etapas complexas de separação e transformação. Parte relevante dessa cadeia está concentrada na China, principal preocupação dos planejadores americanos.

Washington procura novas fontes para evitar dificuldades de abastecimento em setores civis e militares. Para o Brasil, a discussão também envolve quanto da produção será refinada e transformada em território nacional, em vez de seguir para outros países apenas como minério.

Agência americana assinou empréstimo de US$ 565 milhões para mina de Goiás

Em 4 de fevereiro de 2026, a agência federal americana DFC anunciou um acordo de financiamento de US$ 565 milhões com a SVRE Holdings Ltd., destinado a otimizar e expandir a mina Pela Ema, da Serra Verde, em Goiás.

O documento oficial da DFC apresenta o investimento como uma forma de construir uma fonte de minerais críticos ligada à cadeia de suprimentos ocidental, incluindo terras raras pesadas. O órgão é uma instituição de financiamento do governo dos Estados Unidos.

O UOL relatou desconforto de integrantes do governo Lula com a condução das negociações envolvendo a empresa e agentes políticos de Goiás. O financiamento seguiu adiante enquanto Brasília e Washington acumulavam desentendimentos na esfera diplomática.

Empresa americana concluiu negócio bilionário com a Serra Verde em setembro

Em 3 de setembro de 2026, a USA Rare Earth concluiu sua combinação empresarial com o grupo Serra Verde. O acordo anunciado em abril tinha valor implícito estimado em aproximadamente US$ 2,8 bilhões.

O comunicado da companhia confirma que a mina de Goiás começou a produzir em janeiro de 2024. A empresa prevê atingir um ritmo equivalente a 4 mil toneladas de óxidos de terras raras por ano no fim de 2026 e planeja uma ampliação para média anual de 6,4 mil toneladas. Esses números são metas declaradas pela operadora, ainda sujeitas à execução de seus projetos.

A transação conecta a extração realizada em Goiás a atividades de processamento e fabricação de ímãs da empresa em outros países. A USA Rare Earth apresenta sua estrutura integrada como alternativa de fornecimento para setores tecnológicos, aeroespaciais e de defesa.

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Brasil sancionou lei para manter mais etapas da produção em território nacional

Senador Eduardo Braga discursa no plenário do Senado, com painel exibindo a proposta de política nacional de minerais críticos e estratégicos.
Senador Eduardo Braga no plenário, durante discussão do projeto de política nacional de minerais críticos e estratégicos em 2 de setembro de 2026. Crédito: Agência Senado.

A ofensiva empresarial ocorreu no mesmo mês em que o Brasil instituiu novas regras para o setor. Sancionada em 16 de setembro, a Lei 15.506/2026 criou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e um conselho vinculado à Presidência da República para coordenar sua industrialização.

A legislação inclui participação da União de até R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor da Atividade Mineral e créditos fiscais de até R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034 para atividades elegíveis de beneficiamento, transformação mineral e mineração urbana. O objetivo é aumentar o valor industrial agregado no próprio Brasil.

Empresas estrangeiras buscam fornecimento de minério e compostos estratégicos, enquanto o governo brasileiro pretende expandir atividades de processamento e transformação local. As negociações envolvem contratos privados, regras brasileiras e interesses de segurança nacional dos Estados Unidos.

Visitas políticas e divergências diplomáticas aumentaram tensão no ano eleitoral

A investigação de Mariana Sanches registra episódios de atrito em 2026 envolvendo Darren Beattie, autoridades brasileiras e a família Bolsonaro. Em maio, Flávio Bolsonaro foi recebido por Donald Trump no Salão Oval e apresentou o potencial mineral brasileiro como uma alternativa à dependência americana da China.

O UOL também relatou que, durante negociações tarifárias em 2025, uma lista de exigências americanas incluiu condições políticas e comerciais que Brasília considerou inaceitáveis. Na avaliação das fontes ouvidas pela jornalista, essas tensões dificultaram o diálogo conduzido por integrantes do governo americano interessados prioritariamente nos minerais.

Em 15 de outubro, Mariana Sanches voltou a mencionar as diferentes correntes da gestão Trump em participação no UOL Prime. O relato de divisões internas tem origem nessa apuração jornalística; já o financiamento da DFC e a operação da Serra Verde são confirmados em comunicados das instituições envolvidas.

Segundo turno de 25 de outubro poderá redefinir o diálogo entre Brasil e EUA

O segundo turno da eleição presidencial brasileira ocorrerá em 25 de outubro de 2026. O resultado definirá quem representará o país nas futuras negociações com Washington, mas o interesse americano pelos minerais brasileiros já aparece em financiamentos assinados e operações empresariais concluídas.

Os próximos movimentos envolverão as condições para investimentos externos, o avanço do refino de terras raras no Brasil e as relações comerciais com os Estados Unidos e a China. A indústria militar americana está entre os setores que buscam ampliar o acesso a esses materiais estratégicos.

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